domingo, 3 de abril de 2016

Artigo de Opinião - Argumentação

EMEF Profº Fernando Pantaleão

Língua Portuguesa - Artigo de Opinião  - Argumentação - 9ºs.  1º Bimestre 2016


Felicidade

                A felicidade é aquilo que todos buscam, adotando, porém, caminhos diversos para alcançá-la. Uns imaginam   encontrá-la através das riquezas, porque supõem que com dinheiro tudo se compra e que a felicidade é uma mercadoria como outra qualquer. A verdade, porém, é que há muitos ricos que morrem de tédio, e que as mais altas taxas de suicídio se registram nos países e nas camadas mais ricas. Outros, imaginam encontrar a felicidade na afluência de prazeres; desde os mais altos prazeres do espírito, o prazer da descoberta e da criação intelectual, o prazer estético, até os prazeres que mais de perto confiam com a animalidade: a sexualidade e a glutoneria. Outros, enfim, esperam alcançá-la na fruição da honra, do prestígio que acompanha, em geral, o exercício do poder. No entanto, é certo que o dado mais confirmado na experiência e da sabedoria humana é este: a felicidade, no seu sentido pleno, é inatingível na Terra. Na melhor das hipóteses, quando o homem, mediante os mais penosos esforços, conquistou o poder, os prazeres ou a riqueza, nos quais cria encontrar a chave da felicidade, atingiu já o início de um período de senescência que lhe limita as possibilidades subjetivas de fruição daquilo que ambicionara. Aí reside o que poderíamos chamar o paradoxo ou o equívoco fundamental da felicidade: sempre desejada e nunca realizável.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                 (Fernando Bastos de Ávila)

1)  Segundo o autor, quais são os três supostos caminhos que levariam o homem à felicidade?
2)  Qual a conclusão do autor a respeito da “felicidade”?
3)  Delimite o texto em introdução, desenvolvimento e conclusão; resumindo-o:
4)  Comente e opine sobre o trecho: “...com dinheiro tudo se compra e que felicidade é uma mercadoria como outra qualquer”:
5)  Você concorda com  tudo o que o autor afirma no texto? Se não, esclareça os pontos em que você discorda, justificando suas opiniões, claro!
6)  Pra você, o que é felicidade? Escreva um pequeno poema, em verso, respondendo a esta pergunta, com várias respostas;
7)  Você é feliz? Por quê?
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terça-feira, 29 de março de 2016

Atividade Gênero Relato

Língua Portuguesa -  Tipologia Relatar - Leitura e Análise de Textos - 7º Ano - 1º Bimestre / 2016

Leia atentamente os textos abaixo para responder ao que se pede. Estruture resposta completa.

GENTE É BICHO E BICHO É GENTE
Querido Diário, não tenho mais dúvida de que este mundo está virado ao avesso! Fui ontem à cidade com minha mãe e você não faz ideia do que eu vi. Uma coisa horrível, horripilante, escabrosa, assustadora, triste, estranha, diferente, desumana... E eu fiquei chateada.
Eu vi um homem, um ser humano, igual a nós, remexendo na lata de lixo. E sabe o que ele estava procurando? Ele buscava, no lixo, restos de alimento. Ele procurava comida!
Querido Diário, como pode isso? Alguém revirando uma lata cheia de coisas imundas e retirar dela algo para comer? Pois foi assim mesmo, do jeitinho que estou contando. Ele colocou num saco de plástico enorme um montão de comida que um restaurante havia jogado fora. Aarghh!!! Devia estar horrível!
Mas o homem parecia bastante satisfeito por ter encontrado aqueles restos. Na mesma hora, querido Diário, olhei assustadíssima para a mamãe. Ela compreendeu o meu assombro. Virei para ela e perguntei: “Mãe, aquele homem vai comer aquilo?” Mamãe fez um “sim” com a cabeça e, em seguida, continuou: “Viu, entende por que eu fico brava quando você reclama da comida?”.
É verdade! Muitas vezes, eu me recuso a comer chuchu, quiabo, abobrinha e moranga. E larguei no prato, duas vezes, um montão de repolho, que eu odeio! Puxa vida! Eu me senti muito envergonhada!
Vendo aquela cena, ainda me lembrei do Pó, nosso cachorro. Nem ele come uma comida igual àquela que o homem buscou do lixo. Engraçado, querido Diário, o nosso cão vive bem melhor do que aquele homem.
Tem alguma coisa errada nessa história, você não acha?
Como pode um ser humano comer comida do lixo e o meu cachorro comer comida limpinha? Como pode, querido Diário, bicho tratado como gente e gente vivendo como bicho? Naquela noite eu rezei, pedindo que Deus conserte logo este mundo. Ele nunca falha. E jamais deixa de atender os meus pedidos. Só assim, eu consegui adormecer um pouquinho mais feliz.
(OLIVEIRA, Pedro Antônio. Gente é bicho e bicho é gente. Diário da Tarde. Belo Horizonte, 16 out. 1999).

Exercícios

01. O texto lido é do gênero “Relato Pessoal”, do tipo “Diário”. Que marcas textuais comprovam essa afirmativa?

02. A narradora inicia seu relato afirmando não ter mais dúvida de que o mundo está “virado ao avesso”? Por que ela afirma isso?

03. O texto aborda uma problemática social muito específica. Indique tal problemática e justifique sua resposta.

04. Em certo trecho, a narradora se diz muito envergonhada? Do que ela se envergonha?

05. A narradora compara a vida de seu cachorro à vida do homem que buscava comida no lixo. A partir dessa comparação, pode-se afirmar que o autor do texto quer mostrar a vida humana, muitas vezes, sendo menos valorizada que a vida de um animal? Justifique seus comentários.

06. No final do relato, a narradora deposita sua confiança em um ser divino. Por que ela não deposita essa confiança em outro ser humano? Explique.

07. Em sua opinião, o que pode ser feito para diminuir o sofrimento de pessoas como o homem retratado no relato? Justifique.


Velho Canivete

Já ganhei vários presentes. [...]
Mas acho que, se alguém me forçasse a escolher o melhor presente que já recebi, eu ficaria mesmo com o canivete suíço que meu pai me deu 11 anos atrás. Não é um canivete qualquer: é daqueles gordos, com dezenas de ganchinhos, serrinhas, lâminas. Com caneta, pinça, lupa, tesoura, alicate. Ele ainda veio num estojo de couro, com lápis, pedra de amolar, band-aid, kit de costura, lixa. E um espelhinho acompanhado de um papel com o código morse – sim, para eu me comunicar refletindo a luz do sol em caso de naufrágio, ou terremoto, ou tsunami, sei lá.
O canivete já me salvou de várias [...]. Ele já passou por boas, e isso fica claro quando se mexe nele. As articulações já não são tão suaves, as molas endureceram, muitas peças estão tortas e não encaixam direito. A caneta sumiu, os band-aids suíços acabaram, as agulhas de costura estão com as pontas pretas de tanto serem colocados na chama para esterilizar antes de serem usadas para extrair espinhos. Apesar de ser de aço inox, há marcas de ferrugem por toda parte. Enfim, tudo nele dizia “está na hora de comprar um canivete novo”.
Pois é, hoje em dia existem canivetes espetaculares, até com recursos eletrônicos (lanternas, pen drives e sei lá mais o quê). Aí comecei a lembrar a origem daquelas marquinhas – e cada uma delas me transportou para um lugar diferente. Cada uma era prova de que aquele canivete viveu. De que ele abriu latas, serrou cabos de aço, lixou unhas quebradas, aparou minha barba, arrombou portas, consertou bicicletas, tapou buracos de botas, ajustou óculos. De que ele esteve em todos os cantos do mundo e tomou banho de mar, de óleo de peixe em conserva, de molho de tomate, de vinho vagabundo. E me lembrei de quando ganhei o canivete de presente: eu estava de saída para a minha primeira longa temporada fora de casa – nove meses na estrada de mochila nas costas – e, como meu pai não podia ir comigo, aquele foi o melhor jeito que ele teve de me dizer “quer uma força?”
Fui buscar uma escova de dentes velha e uma lata de querosene e comecei a limpar as entranhas dele. Foram umas duas horas de trabalho, esfregando, desentortando, enxugando. Não dá para dizer que o canivete ficou novo – as marcas continuam lá, e vão continuar sempre. Mas acho que ele está pronto para a próxima.
(Denis Russo Burgierman. Vida Simples, nº56. Editora Abril.)

Exercícios

1. Nesse texto, o autor relata fatos que viveu, depois de ter ganhado um canivete de presente do pai.
a) Qual foi o motivo do presente?

b) Na sua opinião, as marcas no canivete são também marcas que estão no autor? Por quê?
c) Que sentido tem o trecho “[as marcas] vão continuar sempre”?

2. Nos relatos é comum o emprego da descrição, usada para caracterizar as pessoas, os lugares, os objetos, etc. Pela descrição feita no relato, como estava o canivete antes de o narrador limpá-lo?

3. Os fatos relatados pelo narrador são inventados por ele ou são recordações de experiência vivida? Que trecho do 4º parágrafo comprova sua resposta?

4. Releia os seguintes trechos do relato e observe as palavras destacadas: “Já ganhei vários presentes” “eu ficaria mesmo com o canivete suíço que meu pai me deu 11 anos atrás” “cada uma delas me transportou para um lugar diferente”
Isabella Siqueira – Equipe PIP/CBC Língua Portuguesa SRE Curvelo

a) Os pronomes destacados (negrito) referem-se a que pessoa do discurso?

b) Em que tempo estão as formas verbais destacadas (itálico)?

c) O autor participa da história como observador ou como protagonista?

5. No relato, normalmente se emprega a variedade padrão da língua, que pode ser formal ou informal, dependendo de quem é o narrador-protagonista e/ou seu ouvinte ou leitor.
a) No relato em estudo, que variedade linguística foi empregada?

b) O autor faz uso de certa informalidade em seu relato?

6. Levante hipóteses: a que tipo de público esse relato pessoal se destina?

7. Qual é o suporte desse gênero textual, isto é, como ele é veiculado para atingir o público a que se destina?


8. Por que a frase: “quer uma força?” (linha 22) está entre aspas?

Leitura e felicidade



Estudo da Universidade de Roma prova que ler deixa as pessoas mais felizes



Rodrigo Casarin

                É senso comum dizer que ler faz bem, que proporciona aos leitores inúmeros benefícios intangíveis. No entanto, é difícil encontrarmos estudos que comprovem essas teses. Ou era difícil. Pesquisadores da Universidade de Roma 3, na Itália, realizaram um trabalho com cerca de 1100 pessoas para encontras a resposta para duas questões: “Quem lê livros é mais feliz do que quem não lê?” e “A leitura melhora o nosso bem-estar”? A conclusão, apresentada no final de 2015 no artigo “The Happiness of Reading”, é bastante clara: os leitores são mais felizes e encaram a vida de maneira mais positiva que os não leitores.
                A pesquisa é dividida em tópicos e o primeiro deles aponta que quem lê é mais feliz do que quem não lê. Para chegar a tal conclusão, utilizaram a escala proposta pelo sociólogo holandês Ruut Veenhoven, que mensura o grau de felicidade das pessoas entre 1 e 10. Os leitores tiveram pontuação 7,44, enquanto os não leitores, 7,21, diferença tida como significativa pelos pesquisadores. Como uma outra forma de mensurar a felicidade, também usaram a escala de Cantril – conhecida como a de Bem-estar Subjetivo -, na qual os leitores ficaram com 7,12 e os não leitores, 6,29, em uma métrica igual a de Veenhoven.
                Já com a escala de Diener e Biswas, que vai de 6 a 30, os pesquisadores puderam analisar a diferença na maneira que leitores e não leitores vivenciam sensações positivas e negativas. Quem lê tem uma percepção maior de emoções como felicidade e contentamento (21,69 X 20,93), enquanto quem não lê sente mais sensações como tristeza e fúria (17,47 X 16,48).
                Por fim, os acadêmicos também constataram que os leitores são pessoas mais satisfeitas com a maneira que usam seu tempo livre, que a leitura é o que há de mais importante para essa gente nas horas de ócio e que, no entanto, ler é apenas a quarta atividade que mais realizam enquanto não estão trabalhando, ficando atrás de praticar esportes, ouvir música e ir a eventos culturais como exposições, teatro ou cinema.
                Ou seja, ler realmente nos faz humanos melhores.

Fonte: UOL

quinta-feira, 17 de março de 2016

Relato de Experiências Vividas

Caracterização do gênero relato de experiências vividas

Kátia Lomba Bräkling[1]

relato de experiência vivida: características gerais
Classificação Dolz e Schneuwly[2]
Domínio Social da Comunicação
Memorização e documentação de ações humanas.
Capacidades de Linguagem Dominantes
Representação pelo discurso de experiências vividas, situadas no tempo.
Aspectos Tipológicos Predominantes
Relatar.
A situação de comunicação
produtor do texto
Uma pessoa – ou um grupo - que relata fatos vivenciados por ela (individualmente ou não), a fim de compartilhar experiências ou para organizar registros que organizem a memória de aspectos da vida relacionados com situações específicas, tempos e temas determinados.
interlocutor
Leitores que se interessarem pelo compartilhamento das experiências em questão.
portadores possíveis
Livros, revistas, blogues, diários, memoriais, dossiês.
finalidade
Construir uma memória escrita de situações vivenciadas, compartilhando experiências vividas.
conteúdo temático
Situações vivenciadas por uma pessoa (individualmente ou não), relacionadas com períodos específicos da sua vida (infância, adolescência, férias na escola, segundo ano de escolaridade...), espaços determinados (acontecimentos ocorridos no sítio, tempo de residência no interior, tempo vivido na cidade grande, tempo de vida num apartamento), temas pontuais (travessuras, situações engraçadas, situações tristes, momentos de medo, demonstrações de amizade, situações de bullling, p. e.).


organização interna

a)    Contextualização inicial do relato, identificando tema/espaço/período.
b)   Identificação do relator como sujeito das ações relatadas e experiências vivenciadas.
c)    Referência à(s) ação(ões)/situação(ões) que será(ão) relatada(s).
d)    Apresentação das ações seqüenciando-as temporalmente, estabelecendo relação com o tema/espaço/período focalizado no texto, explicitando sensações, sentimentos, emoções provocados pelas experiências. Nesse processo poderá ou não ser estabelecida relação de causalidade entre as ações/fatos relatados, pois se trata de ações acontecidas no domínio do real e, dessa maneira, o que define a relação de causalidade são os fatos, em si, ou a perspectiva/compreensão do relator.
e)    Encerramento, pontuando os sentimentos, efeitos, repercussões das ações relatadas na vida do relator e dos envolvidos.
f)      A experiência vivenciada por uma pessoa, pode envolver terceiros, o que pode derivar na introdução das vozes desse terceiro no relato elaborado.
marcas Lingüísticas

a)    Relato de experiência vivida é organizado na primeira pessoa, seja do singular ou do plural. Essa marca de autoria se revela na pessoa do verbo e, além disso, nos pronomes pessoais utilizados. Por exemplo:
a.    Lembro-me bem da maneira como ele me falou;
b.    A partir de então, todos nós passamos a não mais ir pra escola por aquele caminho;
c.    Eu, Juca e Mariela, a partir daquele momento, nos coçamos de curiosidade...;
d.    Desde então nos sentimos responsáveis por tudo o que...;
b)   O relato rememora experiências. Dessa forma, na textualização sempre haverá marcas desse processo por meio da alternância entre hoje e ontem, aqui e lá:
a.    Hoje, quando penso na maneira como tudo aconteceu...;
b.    Naquela época, quando estudava na escola D. João VI, eu não pensava como agora, certo?
c)    Como se trata de ações organizadas no eixo temporal, essas marcas também serão explicitadas por meio dos tempos verbais utilizados e dos articuladores textuais:
a.    Depois daquele dia...;
b.    Em seguida, MAriela saiu correndo pela praça...;
c.    Naquela semana não dissemos uma palavra sobre o assunto;
d.    Dois dias depois para nossa surpresa, o casaco apareceu bem diante de nossos olhos.
d)    Como se trata de experiência pessoal, sempre haverá a marca das sensações, efeitos, repercussões da experiência no sujeito relator: fiquei surpreso naquele...; decepcionei-me com...; fiquei confuso com a reação de...; aquela situação provocou-me uma reflexão sem precedentes..., por exemplo.
e)    As experiências relatadas acontecem em um contexto que pode ou não envolver terceiros. Nessa perspectiva, é possível que, no texto, sejam introduzidas as vozes desses terceiros, quer seja por meio do discurso indireto, quer seja por meio de discurso direto. Se houver essa introdução, as marcas da mesma comporão o texto com a utilização dos recursos cabíveis:
a.    em discurso indireto, organização sintática que recupere a fala do outro: fulano afirmou que...; naquele momento Marina disse que..., por exemplo;
b.    em discurso direto:
                                          i.    coordenação entre dois pontos, parágrafo e travessão;
                                         ii.    coordenação entre dois pontos e aspas;
                                        iii.    coordenação entre dois pontos e travessão;
                                       iv.    utilização de verbos dicendi:
1.    antecipadamente, para anunciar a fala do outro: Então, ele me perguntou: — Posso levar esse livro emprestado?; Em seguida, ele disse: — Acho que, agora, você pisou mesmo na bola...; Ao que ele me respondeu: — Vamos lá! Não estou fazendo nada mesmo .., por exemplo;
2.    no meio do discurso do outro, explicando quem está falando (e aqui se utiliza os travessões para separar essa indicação: — Nesse momento – disse Maria procurando justificar-se – não posso ir até o mercado...;
3.    posteriormente ao discurso do outro, para recuperar a origem da fala: — Peço-te segredo disso tudo, está bem? – solicitou Jorge misterioso.
f)     Pode haver marcas do diálogo do relator com o interlocutor. Nesse sentido, poderão aparecer pronomes pessoais e de tratamento para explicitar essa relação. Por exemplo:
a.    Você quer saber? A partir daquele dia não me interessei mais por casas abandonadas...;
b.    Mas depois desse grito – pode acreditar – fiquei muito mais aliviado.


[1]  Kátia Lomba Bräkling Pedagoga e Mestre em Lingüística Aplicada pela PUC de SP; Professora da Pós-Graduação ISE Vera Cruz (São Paulo – SP); Coordenadora de Língua Portuguesa do Colégio Hebraico-Renascença (São Paulo); Assessora da Secretaria  Estadual de Educação – e outras instituições -  na Área de Ensino da Linguagem




[2] A partir da classificação de Dolz, Joaquim & Schneuwly, Bernard; Gêneros e Progressão em Expressão Oral e escrita; Universidade de Genebra, Suíça; mimeo.

Conto de fadas



GÊNERO CONTO DE FADAS -   6º Ano








CAPACIDADES DE LINGUAGEM


Capacidade de Ação

Emissor: autores das esferas literária, acadêmica, entre outras.

Objetivo: transmitir histórias acumuladas pelo imaginário popular.

Destinatário: leitores em geral que apreciam uma boa história, o professor da turma, estudantes da própria sala de aula, crianças, adultos e professores de outros contextos, entre outros.

Suporte: livros, revistas, mural da escola, sites de internet voltados para a produção/divulgação de literatura, e-books, entre outros.

Momento histórico:desde a antiguidade até os dias atuais com diferenças de contexto.

Lugar de Circulação: ambientes educacionais e residenciais ou diferentes grupos sociais, tais como: estudantes, professores, pedagogos, adolescentes, crianças, adultos, entre outros.

Capacidades discursivas  (Organização textual/ Plano do texto)

Plano global/organização textual:

Progressão textual : situação inicial, conflito (desequilíbrio), clímax, desfecho, elementos da narrativa (personagens, tempo, espaço, narrador).

Tema: uma sequência de fatos ou acontecimentos diversos.

Tipos de discurso: Predominância do tipo de discurso narração. Primeira ou Terceira pessoa do singular e/ou do plural.

Sequências linguísticas: narrativa (predominância), descritiva, entre outras possibilidades.

Organizadores textuais: Predominância de organizadores temporais, advérbios (de lugar, de tempo, de modo), conectivos.

Tempos verbais: Predominância do Pretérito perfeito e imperfeito do modo indicativo.

Capacidades Linguístico-discursivas (usos linguísticos e suas funções) no texto)

Estilo de linguagem: linguagem expressiva, criativa, cuidada, culta, ocorrendo também casos
em que a linguagem é coloquial para produzir a fala de um personagem (discurso direto, em diálogos); a linguagem geralmente faz apelos à fantasia, ao jogo verbal, à invenção temática. A linguagem é conotativa, plurissignificativa.

Vozes: O texto é escrito na terceira pessoa. Em sua maiores apresentam falas de personagens.
Referências pronominais: Pronomes pessoais, pronomes possessivos, pronomes demonstrativos, relativos, entre outros.

Escolha lexical: vocabulário.

Imagem : https://www.google.com.br/search?q=imagem+de+contos+de+fada



domingo, 13 de março de 2016

                   Leitura e Análise Textual - Tipologia Narrativa - 7º Ano-   1º Bimestre / 2016
                                                   Gênero textual   conto de assombração 


Uma noite no paraíso

                Era uma vez dois grandes amigos que, de tanto que se queriam, haviam feito um juramento: quem casasse primeiro deveria chamar o outro para padrinho, mesmo que se encontrasse no fim do mundo. Depois de algum tempo, um dos amigos morre. O outro, devendo casar, não sabia como fazer e pediu conselhos ao confessor.
                — Negócio complicado — disse o pároco —,você deve manter a sua palavra. Convide-o mesmo estando morto.Vá até o túmulo e diga o que tem a dizer. Ele decidirá se vem ou não.
                O jovem foi até o túmulo e disse:
                — Amigo, chegou o momento, vem para ser meu padrinho!
                Abriu-se a terra e pulou fora o amigo.
              — Claro que vou, tenho que manter a promessa, pois se não a mantiver não sei quanto tempo terei que ficar no purgatório.
                Vão para casa e depois à igreja para o matrimônio. A seguir veio o banquete de núpcias e o jovem morto começou a contar histórias de todo tipo, mas não dizia uma palavra sobre o que vira no outro mundo. O noivo não via a hora de lhe fazer umas perguntas, mas não tomava coragem. No final do banquete, o morto se levanta e diz:
                — Amigo, já que lhe fiz este favor, você tem que me acompanhar um pouquinho.
                — Claro, por que não? Porém, espere, só um momentinho, pois é a primeira noite com minha esposa…
                — Certamente, como quiser!
                O marido deu um beijo na mulher.
                — Vou sair um instante e volto logo. — E saiu com o morto.
                Falando de tudo um pouco, chegaram ao túmulo.Abraçaram-se.
                O vivo pensou: "Se não lhe perguntar agora, não pergunto nunca mais", tomou coragem e lhe disse:

           — Escute, queria lhe perguntar uma coisa, a você que está morto: do outro lado, como funciona?
                — Não posso dizer nada — respondeu o morto. — Se quiser saber, venha você também ao Paraíso.
                O túmulo se abriu, e o vivo seguiu o morto. E logo se encontravam no Paraíso. O morto o levou para ver um belo palácio de cristal com portas de ouro, cheio de anjos que tocavam e faziam dançar os beatos, e São Pedro, que tocava contrabaixo. O vivo estava de boca aberta e quem sabe quanto tempo teria ficado ali se não tivesse de ver todo o resto.
                — Agora, vamos a outro lugar! — disse-lhe o morto, e o levou a um jardim onde as árvores, em vez de folhas, tinham pássaros de todas as cores que cantavam. — Vamos em frente, o que faz aí encantado? — E o levou a um prado onde os anjos dançavam, alegres e suaves como namorados.
                — Agora vou levá-lo para ver uma estrela!
                Não se cansaria nunca de admirar as estrelas; os rios, em vez de água, eram de vinho e a terra era de queijo.
                De repente, caiu em si:
            — Ouça, compadre, já faz algumas horas que estou aqui em cima.Tenho que voltar para minha esposa, que deve estar preocupada.
                — Já está cansado?
                — Cansado? Sim, se pudesse…
                — E muito mais haveria para descobrir!
                — Tenho certeza, mas é melhor eu voltar.
                — Como preferir. — E o morto o acompanhou até o túmulo e depois sumiu.
                O vivo saiu do túmulo e não reconhecia mais o cemitério. Estava todo cheio de monumentos, estátuas, árvores altas. Sai do cemitério e, no lugar daquelas casinhas de pedra meio improvisadas, vê grandes palácios e bondes, automóveis, aviões. "Onde é que vim parar? Terei errado o caminho? Mas como está vestida esta gente!"
Pergunta a um velhinho:
                — Cavalheiro, esta aldeia é…?
                Sim, é esse o nome desta cidade.
                — Bem, não sei por que, não consigo me situar. Saberia me dizer onde fica a casa daquele que se casou ontem?

                — Ontem? Estranho, trabalho como sacristão e posso garantir que ontem ninguém se casou!
                — Como? Eu me casei! — E lhe contou que acompanhara ao Paraíso um padrinho seu que morrera.
                — Você está sonhando — disse o velho. — Essa é uma velha história que contam: do marido que acompanhou o padrinho até o túmulo e não voltou; e a mulher morreu de desgosto.
                — Não, senhor, o marido sou eu!
                — Ouça, a única solução é que vá conversar com nosso bispo.
                — Bispo? Mas aqui na aldeia só existe um pároco.
                — Nada disso. Há muitos anos que temos um bispo. — E o levou até o bispo.
                O bispo, quando o jovem lhe contou o que lhe acontecera, lembrou-se de uma história que ouvira quando rapaz. Pegou os livros, começou a folheá-los: há trinta anos, não; cinquenta anos, não; cem, não; duzentos, não. E continuava a folhear. No final, numa folha toda rasgada e gordurosa, encontra justamente aqueles nomes.
                Aconteceu há trezentos anos. O jovem desapareceu no cemitério e a mulher dele morreu de desgosto. Leia aqui se não acredita!
                — Mas sou eu.
                — E você esteve no outro mundo? Conte-me como é!
                Porém,o jovem ficou amarelo como a morte e caiu.Morreu assim,sem poder contar nada do que vira.
                            CALVINO, Ítalo. Fábulas italianas. Tradução: Nilson Maulin, São Paulo, Companhia das Letras.



Questões Textuais

1.Enumere os fatos na ordem em que aconteceram no texto:

(     ) O recém-casado conhece um jardim onde as árvores, em vez de folhas, tinham pássaros de todas as cores, que cantavam.

(     ) O vivo vai à uma igreja e é atendido por um bispo muito importante.

(     ) Dois amigos fazem um juramento: quem casasse primeiro chamaria o outro para padrinho.

(     ) O vivo fica assustado, pois sua cidade estava muito diferente.

(     ) O morto vai ao casamento do amigo.

(     ) O vivo acompanha seu amigo morto até sua morada.

2. Por que o amigo chamou o morto para ser padrinho de seu casamento?

3. O narrador do texto é:

(   ) Narrador- personagem ( 1ª pessoa)           
(   ) Narrador- observador (3ª pessoa)

4.Retire um trecho do texto que justifique sua resposta na questão 2.

5. O que o noivo viu de interessante no Paraíso?

6. Depois de algumas horas o morto resolveu voltar para sua noiva, mas ao sair viu que estava tudo diferente. Se a  localidade era a mesma, por que isso aconteceu?

7.  Ao ler o desfecho do texto percebemos que “o tempo na Terra e no Paraíso não passa da mesma maneira”. Justifique esta afirmação.


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