sábado, 25 de novembro de 2017

Leitura e Análise Textual



EMEF Prof Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa  - Atividade Avaliativa – Leitura e Análise Textual  - 8º Ano – 4º Bimestre / 2017

Leia a crônica abaixo e responda as questões:

Quero voltar a confiar!
Arnaldo Jabor


Fui criado com princípios morais comuns: Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos, eram autoridades dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto. Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades… Confiávamos nos adultos porque todos eram pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade… Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror…
Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos. Por tudo o que meus netos um dia enfrentarão. Pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos. Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos. Não levar vantagem em tudo significa ser idiota. Pagar dívidas em dia é ser tonto… Anistia para corruptos e sonegadores…
O que aconteceu conosco? Professores maltratados nas salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas. Que valores são esses? Automóveis que valem mais que abraços, filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano. Celulares nas mochilas de crianças. O que vais querer em troca de um abraço? A diversão vale mais que um diploma. Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa. Mais vale uma maquiagem que um sorvete. Mais vale parecer do que ser… Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo? Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores! Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão! Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a vergonha na cara e a solidariedade. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-olho. Quero a esperança, a alegria, a confiança! Quero calar a boca de quem diz: “temos que estar ao nível de…”, ao falar de uma pessoa. Abaixo o “TER”, viva o “SER”. E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como um céu de primavera, leve como a brisa da manhã! E definitivamente bela, como cada amanhecer. Quero ter de volta o meu mundo simples e comum. Onde existam amor, solidariedade e fraternidade como bases.
Vamos voltar a ser “gente”. Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas. Utopia? Quem sabe?... Precisamos tentar… Quem sabe comecemos a caminhar transmitindo essa mensagem… Nossos filhos merecem e nossos netos certamente nos agradecerão!


1) Qual o assunto do texto?

2) De acordo com o autor quais são os princípios morais comuns?

3) Percebemos uma enorme preocupação do autor com o futuro. O que as futuras gerações podem enfrentar?

4)  Na frase: “Tínhamos medo apenas medo do escuro...” (l.5) a palavra sublinhada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por: 

a) Pelo menos.       b) Somente.             c) Também.              d) Ainda.


 5) Ao utilizar a expressão “olhar olho-no-olho” o autor sugere quais valores que estão sendo deixados de lado?

6) Nos trechos abaixo coloque O para opinião e F para fato: (D10)
a) (   ) “... celulares nas mochilas...” (l.10,11)
b) (   ) “Pagar dívidas em dia é ser tonto.” (l.9)
c) (   ) “comerciantes ameaçados por traficantes.” (l.11)
d) (   ) “Abaixo o “TER”, viva o “SER”. (l.19)
e) (   ) “...Quero ter de volta o meu mundo simples e comum.” (l.21)

Leia e depois responda:
                                                                 SUPERAÇÃO

              Podemos passar inúmeras dificuldades, e ter de batalhar muito para alcançar certos objetivos e, ainda assim, morrermos na praia.
              Podemos deixarmo-nos consumir pelo trabalho, e perder noites de sono ou deixar de passar finais de semana com a família apenas por que temos extrema necessidade de conseguir recursos para mantermos uma vida digna, ou amargarmos um período obscuro de desemprego.
              Podemos assistir a injustiça bater à nossa porta e perceber, infelizmente, que em algumas ocasiões não há absolutamente nada a fazer.
              Podemos chorar com o coração partido a perda da pessoa amada ou de um ente querido.
              Podemos, por tanta coisa negativa que aconteça, julgarmos que tudo sempre dar errado conosco e maldizermos nossa sorte.
              Depois de tudo isto até podemos deixar passar pela cabeça a estúpida ideia de fazer uma grande besteira consigo mesmo, desde que seja exatamente assim:que tal ideia passe – e nunca mais volte, por que a Vida é Superação!
              Nós não nascemos andando, não nascemos falando, nem pensando tanta bobagem - e o que não podemos em hipótese alguma é perdermos o ânimo, o espírito, e nossa capacidade de amar, de se superar e de viver!                                                                                                                                                     (Augusto Branco)

7) Segundo o autor, “Superação” consiste em:

A) podermos assistir a injustiça bater à nossa porta.
B) não perdermos o ânimo, o espírito, e nossa capacidade de amar.
C) chorarmos com o coração partido a perda da pessoa amada ou de um ente querido.
D) julgarmos que tudo sempre dar errado conosco e maldizermos nossa sorte.




NOSSO MUNDO

                        Heloisa Seixas

Em um pacato subúrbio americano, de gramados e cercas baixas, está a casa. Uma casa de subúrbio qualquer. De madeira, pintada de branco, com porta dupla, de tela, e cortinas de tecido fino nas janelas. O cenário está vazio de seres humanos e tudo parece normal.
Até que percebemos, no gramado, junto ao pequeno caminho de cimento que vai dar na porta principal – a caixa.  É uma caixa de papelão de tamanho médio, daquelas em que normalmente vêm acondicionados os fornos de micro-ondas ou qualquer outro eletrodoméstico parecido.
O silêncio e também a falta de outros seres humanos em volta começam a nos inquietar. Alguma coisa muito incomum aconteceu. Uma epidemia que ameaça se espalhar, alguma contaminação terrível – o que será?
O “astronauta” chega mais perto. Em seguida, vira-se e faz um gesto, provavelmente para seus superiores. Vemos, através do visor de seu capacete, que ele fala alguma coisa, com toda a certeza se comunica com os outros membros da equipe. Entramos na frequência, estamos agora ouvindo o que eles dizem. Discutem, através do rádio acoplado ao capacete, se a caixa deve ou não ser explodida, por uma questão de segurança.
Mas nesse instante o “astronauta” vira-se e faz um gesto de “esperem!”.
Aproxima-se, abaixa-se. Tira fora o capacete! O que está acontecendo, ele enlouqueceu? Ele não pode fazer isso.
Mas ele faz. Arranca as luvas especiais. Com a maior naturalidade abre a caixa. Torna a virar-se para seus superiores e sorri, enquanto enfia os braços dentro da caixa. Trás à tona, um em cada mão, dois filhotes de gatinho.
Alguém me contou ter visto um vídeo assim na internet. Eu não assisti, mas tenho pensado nele – e decidi transformá-lo em palavras. Serve de reflexão sobre o mundo em que vivemos.

8) O fato que gerou a história narrada foi:

A) os astronautas no subúrbio americano.               B) a epidemia que ameaça se espalhar.
C) o silêncio e a falta de outros seres humanos.      D) a caixa encontrada, com os filhotes de gatinho.

Leia e depois responda a pergunta:

[..] Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.   ( BUDA)

 9) A finalidade principal do texto é:

 A) convencer.                         B) relatar.                     C) descrever.                               D) informar.


Leia o poema a seguir.

O casaco
Manoel de Barros

 Um homem estava anoitecido.
Se sentia por dentro um trapo social.
Igual se, por fora, usasse um casaco rasgado
e sujo.
Tentou sair da angústia
Isto ser:
Ele queria jogar o casaco rasgado e sujo no
lixo.
Ele queria amanhecer.

10) Com base na leitura do texto, uma pessoa anoitecida é

(A) uma pessoa que gosta da noite.                       (B) uma pessoa alegre e otimista.
(C) uma pessoa triste e solitária.                            (D) uma pessoa brilhante e criativa.


Leia o texto a seguir e responda.

                                                                          VALORES PERDIDOS

Minha infância foi em Corumbá-MS, onde nasci e vivi, era repleta de brincadeiras como “pega-pega”, “amarelinha”, “passa anel” “peteca”, “roda” e várias outras que cercavam as crianças da época. Lembro-me que havia uma inocência no brincar em que a amizade e o respeito eram valorizados.
[...].
Quando cheguei aqui em campo Grande, não tinha prédios, poucas ruas asfaltadas, o bairro onde vivo até hoje, era tranquilo, não tinha muitos bandidos ou qualquer outro tipo de vandalismo. Caminhávamos tranquilamente pelas ruas admirando os passantes e os lugares. Tomar o chimarrão e o tererê nas calçadas era algo mais comum.
Lembro-me de algo que marcou bastante minha vida, foi o dia em que minha mãe morreu. Fiquei muito triste, senti-me mal e cheguei a pensar: “o que seria de mim?”, mas com o passar do tempo superei e hoje ficaram as boas lembranças de quem amo muito.
Diante desses fatos, para mim a vida de antigamente era bem melhor, pois não existia tanta desgraça como hoje, não tinha tanta droga, vândalos, gangues e o estresse da sociedade atual.
Comparando a sociedade atual e a de antigamente muitas coisas se perderam as pessoas ficaram mais violentas além de fofocas caluniosas. Sou Gilma Flores, tenho 60 anos, nasci em 23 de maio de 1952 e esse é o meu sentimento ligado ao aprendizado dos anos que apesar de às vezes lamentar, alegro-me em ver tudo que posso ensinar e continuar aprendendo.
                                                                                                   Aluna:Annie Caroline/Turma: 7 ano

11) O tema desse texto é

 (A) amizade da infância.                                                   (B) a relação de pais e filhos.
 (C) valores perdidos de uma infância.                              (D) violências que ocorre na família.

Leia crônica abaixo e responda as próximas duas questões:

A OUTRA NOITE

                Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, deLua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.
                Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou um sinal fechado para voltar-se para mim:
                – O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?
Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.
                – Mas, que coisa. . .
                Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.
                – Ora, sim senhor. . .
                E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei
.
        (BRAGA, Rubem. A outra noite. In: PARA gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1979.)

Vocabulário: 1. torpe: repugnante   2. veementes: animados

12) Como era a noite vista pelo taxista e pelo amigo do narrador?

(  A ) calor e chuva              (  B ) vento e chuva                       ( C ) luar lindo          (D  ) lua cheia

13) Considerando a maneira como é narrada, a reação do taxista (no final), pode-se inferir que ele ficou:

(  A ) sensibilizado com a conversa                                            ( B  ) curioso por mais informações.

(  C ) agradecido com o presente.                                               (  D ) desconfiado com o pagamento

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Leitura


                                                         Imagem : Diego Antonio Voci

Gênero textual notícia

EE Profª Margarida Maia de Almeida Vieira
Língua Portuguesa - Análise textual - Notícia
7ºAno - 4º Bimestre / 2017
Nome:_______________________Nº:_____TURMA:_____


Texto I
    Com calor de quase 40ºC , Bataguassu registrou nesta quarta-feira a nona maior temperatura do Brasil.
    Com os termômetros registrando quase 40ºC, Bataguassu registrou nesta quarta-feira dia 22 de fevereiro de 2017 a nona maior temperatura do Brasil e juntamente com outras sete cidades de Mato Grosso do Sul liderou o ranking entre as 10 cidades mais quentes do país.
    Além de Bataguassu que registrou 36, 4ºC, os municípios de Bela Vista, Porto Murtinho, Água Clara, Aquidauana, Juti, Jardim e Sete Quedas também ocuparam as dez primeiras posições no ranking de temperaturas, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).Nestes locais, os termômetros registraram entre 38ºC e 36ºC nesta terça-feira.
   
Fonte:http://cenarioms.com.br/noticia/geral/4204/com-calor-de-quase-40oc--bataguassu-registrou-nesta-quartafeira-a-nona-maior-temperatura-do-brasil

Após a leitura, responda  os  elementos estruturais que compõem o gênero notícia:

a) Que fato aconteceu?    
b) Com quem?  
c) Quando aconteceu?
d) Onde aconteceu?        
e) Como aconteceu o fato?
f) Por que aconteceu? (causas do fato)


Texto II

Leia a notícia abaixo para responder às questões .

Estagiária morre atropelada enquanto fazia reportagem sobre acidente

Acidente foi na BR-153, em São José do Rio Preto (SP). Jovem de 20 anos estava no último ano de faculdade.

        Uma estudante de jornalismo de 20 anos morreu atropelada na rodovia BR-153, na manhã desta quinta-feira (7), em São José do Rio Preto (SP). Laura Karan Jacob era estagiária do jornal “Diário da Região” desde o começo do ano e foi atingida por uma carreta enquanto cobria o acidente entre dois caminhões que interditou a rodovia por três horas durante a madrugada.
        De acordo com informações da polícia, o motorista do caminhão, que estava carregado com cerca de 40 toneladas de farelo de soja, disse que não teve tempo de frear nem desviar da jovem, atingida enquanto atravessava a rodovia.
        No momento do acidente ainda havia pessoas saqueando a carga de um dos caminhões envolvidos no acidente da madrugada. A polícia diz que a movimentação na pista pode ter contribuído para o atropelamento.
        O corpo será levado para o Instituto Médico Legal (IML) e ainda não há informações sobre horário de velório e enterro.
        O jornal divulgou uma nota lamentando o acidente ocorrido nesta quinta-feira, quando é comemorado o Dia do Jornalista. Confira a íntegra:
        É com profundo pesar que o Grupo Diário da Região informa que faleceu hoje, 7 de abril de 2016, a colaboradora Laura Karan Jacob, 20 anos, estagiária de jornalismo, vítima de acidente automobilístico nesta manhã, na rodovia Transbrasiliana (BR-153), no trecho urbano de São José do Rio Preto.
Laura, que era estudante do 4º ano de jornalismo da faculdade Unirp, de São José do Rio Preto, estava no local para coletar informações a respeito de outro acidente, ocorrido no mesmo ponto da estrada. O Grupo Diário da Região lamenta a fatalidade e está prestando toda a assistência aos familiares.
        A sede regional do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo diz que emitirá uma nota de pesar e vai apurar o fato da estagiária estar no local do acidente.

1.Quanto à estrutura da notícia, relacione :

(A)  Nela , há um detalhamento maior dos fatos, de modo a destacar os detalhes mais importante, fundamentais à compreensão do interlocutor.
(B) Nesta parte precisamos encontrar todas as informações necessárias para responder às perguntas : O quê? ; Onde ? ; Quem?; Quando? ; Como?; Por quê?
(C) Sua função é complementar o título principal. Acrescentando-lhe apenas algumas informações a mais.
(D) Costuma ser composto de frase pequenas e atrativas, e revela o assunto principal que será retratado em seguida.

(     ) O título auxiliar.                              (     ) O lide.   
(     ) A manchete ou título principal.      (     ) O corpo da notícia

2. Sabendo que o lide responde as perguntas, O QUÊ? (o que aconteceu, está ou vai acontecer); QUEM? (os agentes da ação); QUANDO? (dia da semana e do mês, horas), ONDE? (o local do acontecimento), COMO? (as circunstâncias), POR QUÊ? (os motivos e as razões), responda as seguintes perguntas quanto à notícia acima: 

O que aconteceu?   Com quem?  Quando?  Onde? Como?  Por quê?

3. A notícia foi relatada de modo impessoal, sem envolvimento do jornalista, ou de modo pessoal e subjetivo?

4. A linguagem é clara, objetiva e precisa ou é ambígua  e poética?


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Ler sempre


Análise textual

EMEF Prof Fernanddo Pantaleão

Leia o texto abaixo e a seguir para responder as questões propostas:

Jean Valjean

            O ex-condenado pertencia a uma pobre família camponesa. Quando criança, não aprendeu a ler. Ao crescer, tornou-se podador de árvores. Órfão de pai e mãe, foi criado por uma irmã mais velha, casada e com sete filhos. Quando tinha vinte e cinco anos, a irmã enviuvou. O filho mais velho tinha oito anos, o mais novo um. Jean Valjean tornou-se o arrimo da família. Passou a sustentar a irmã e os sobrinhos com trabalhos grosseiros e mal remunerados. Nunca namorou, nem nunca se soube que estivesse apaixonado.
            Vivia para a família. Falava pouco, tinha o semblante pensativo. Quando comia, muitas vezes a irmã tirava o melhor pedaço de seu prato para dar a uma das crianças, e ele sempre permitia. Mas seu trabalho e o da irmã eram insuficientes para sustentar uma família tão grande. A miséria aumentou. Certo ano, em um inverno rigoroso, Jean Valjean não encontrou trabalho. A família ficou sem pão. Sem pão. Exatamente como está escrito. Sete crianças.
            Em uma noite de domingo, o padeiro da aldeia ouviu uma pancada na vidraça gradeada. Correu. Chegou a tempo de ver um braço passando por uma abertura feita por um murro na vidraça. O braço pegou um pão. O padeiro perseguiu o ladrão, que tentava fugir. Era Jean Valjean.
            Isso aconteceu em 1795.
            Por esse crime, foi condenado a cinco anos nas galés. Explica-se: as galés eram barcos movidos a remo. Os grupos de remadores, acorrentados, eram constituídos por prisioneiros condenados. Havia um soldo miserável para cada um deles, guardado até a libertação. Era um trabalho exaustivo, feito somente por condenados. Jean Valjean recebeu grilhões nos pés. Foi acorrentado. […]
            No final do quarto ano de condenação, Jean Valjean tentou fugir. Ficou livre dois dias, até ser capturado. Foi condenado a mais três anos. Quando cumpriu seis, tentou outra vez, mas não conseguiu fugir. Resistiu aos guardas que o encontraram em seu esconderijo e ganhou mais cinco anos, com castigos. No décimo ano e no décimo terceiro, quis fugir outras vezes, e sua pena aumentou mais ainda. Até cumprir dezenove anos. Por tentar roubar um pão.
            Durante a prisão, o inofensivo podador de árvores tornou-se um homem temível. Tinha ódio da lei e da sociedade. Por consequência, de toda a humanidade. De ano para ano, sua alma foi se tornando amarga. Desde que fora preso, há dezenove anos, Jean Valjean não soltava uma lágrima…
                                                                                                            Carrasco, Walcir, 1951 – Os miseráveis – São Paulo: FTD, 2011.

Questões Textuais

1. De acordo com o texto, qual informação sobre Jean Valjean está correta:

a. Ele tinha uma irmã que era mãe solteira de sete filhos.
b. Ele era casado e tinha sete filhos que não sabiam ler.
c. Ele foi morar com a irmã depois que ela ficou viúva.
d. Ele não tinha estudo e fazia serviços pesados para sobreviver.

 2. Através da leitura podemos concluir que no começo o personagem descrito era:

 a. Uma pessoa extremamente feliz e apaixonada.
b. Uma pessoa inofensiva que só vivia pra trabalhar.
c. Um homem magoado com a vida e divertido.
d. Uma pessoa amarga que odiava a todos.
3. No trecho: “Jean Valjean tornou-se o arrimo da família”, a palavra destacada tem o sentido de:

a. Pesadelo      b. Tristeza      c. Apoio       d. Colega

4. De acordo com o texto, por que a vida da família foi se tornando cada vez mais difícil?

 a. Seu trabalho e o da irmã eram insuficientes para sustentar uma família tão grande.
b. Jean Valjean não queria mais trabalhar e só vivia triste pelos cantos.
c. Sua irmã desanimou de tudo e abandonou a família deixando ele com as crianças.
d. Muitas vezes a irmã tirava o melhor pedaço de seu prato para dar a uma das crianças

5.  Quando foi que o roubo do pão aconteceu?

 a. Numa manhã de inverno em 1975.                 b. Em uma noite de domingo em 1795.
c. O texto não menciona a data.                         d. Num domingo de manhã de inverno.

6. A condenação pelo roubo do pão foi de:

a. Doze anos de trabalho forçado.                   b. Dezenove anos de prisão perpétua.
c. Cinco anos nas galés acorrentado.               d. Mais cinco anos por tentar fugir.

 7.  Marque a alternativa correta que indica o período em que o prisioneiro tentou fugir.

a. No final do quarto ano; quando cumpriu seis anos; no décimo e no décimo primeiro ano.
b. No final do terceiro ano; quando cumpriu oito; no décimo e no décimo nono ano.
c. No final do quarto ano; quando cumpriu seis anos; no décimo ano e no décimo terceiro.
d. No final do terceiro ano; quando cumpriu seis anos; no décimo ano e no décimo terceiro.

8. A descrição final do personagem principal revela uma mudança que ocorreu durante a prisão. Qual comparação seria correta fazer?

a. De trabalhador para preguiçoso.                 b. De violento para pacífico.   
c. De inofensivo para temível.                        d. De amargo para doce.



segunda-feira, 16 de outubro de 2017

LER


                      O andamento da leitura


Os compositores colocam em suas partituras indicações para orientar o intérprete: lento, presto, adágio, alegretto, forte, piano, rallentando. Os escritores deveriam fazer o mesmo com seus textos. Há textos que devem ser lidos lentamente, expressivamente, tristemente. Outros que exigem leveza, rapidez, riso. O leitor experiente não precisa dessas indicações. Mas elas poderiam ajudar os principiantes.
                                                                                                                                       Rubem Alves