terça-feira, 29 de novembro de 2011

Leitura

  A sedução da leitura também atravessa o campo do falar de si, do mostrar-se.
Se alguém descobre a possibilidade de estar se dizendo num texto e trocar isso com os outros, vai entender que o livro é também um modo como alguém se disse, se contou.

                      Mário Sérgio Cortella, professor e filósofo 

 Van Ghog
                         
Quanto mais você lê, é mais sujeito da leitura e menos manipulado pela mídia, você é mais você, se move com mais facilidade e desenvoltura num mundo manipulado pela comunicação.

                                  Marisa Lajolo, professora

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Língua  Portuguesa - Narrativa de Aventura - 7o. Ano 
Revendo a Estrutura   (Capítulo XXXIII)

            Numa narrativa de aventura, o mais importante são as peripécias e os acontecimentos inesperados que o herói vive ao longo da história, que se passa num determinado espaço e num determinado tempo. Ou seja, o mais importante é a sequência de ações das personagens.
            Geralmente, cada episódio de uma narrativa desse tipo conta uma pequena história. Na situação inicial são apresentadas as personagens, os fatos, o tempo da narrativa e o espaço. Essa situação se desequilibra quando algo inesperado acontece, isto é, quando surge um conflito. Tal conflito ou complicação pode ou não ter uma resolução final. E os acontecimentos vão se sucedendo uns aos outros, complicando ou resolvendo os conflitos apresentados.
            Nos trechos do romance de Júlio Verne que você acabou de ler, por exemplo, são narrados a descida das personagens ao centro da Terra e seu encontro com os répteis antediluvianos no oceano que lá encontraram.
            No episódio da luta dos répteis que as personagens presenciam no centro da Terra, teríamos:
            Situação inicial: Alex, Hans e o professor Lidenbrock encontram-se no centro da Terra, sobre a jangada no meio do calmo oceano.
            Conflito: dois répteis gigantes lutam entre si muito próximos à jangada em que estão as personagens principais.
            Resolução: um dos répteis é morto pelo outro, que se afasta da jangada, e tudo volta ao equilíbrio.
            Podemos ainda perceber, durante o conflito, que o ponto mais tenso desse trecho da narrativa de Verne é a luta dos gigantes animais marinhos. Esse momento é chamado de clímax e anuncia o desfecho ou a resolução do conflito: a morte de um dos animais e o retorno à normalidade.
            Nessa sequência da narrativa há ainda o suspense, criado pela expectativa em que ficam as personagens e o leitor enquanto não descobrem o que está se passando no mar, enquanto não descobrem que se trata de uma luta entre dois – e não vários – gigantescos animais marinhos.

Escrevendo pequenas Histórias de Aventura

            A seguir, você vai ler três situações iniciais. Para que elas se tornem histórias, você precisará continuá-las em seu caderno.
            Escreva para cada uma delas dois ou três parágrafos, transformando-as em pequenas narrativas.

1.  As situações iniciais

I.  Dois barcos piratas, em busca do mesmo tesouro, encontram-se em pleno oceano, a caminho de uma ilha perdida.

II.  Um velhinho sai de casa para ir ao banco buscar dinheiro. Leva consigo seu cachorro vira-

III.   Um jornalista chega ao serviço e encontra uma carta anônima sobre sua mesa de trabalho.

2. Analisando a sequência

             Escolha uma dentre as três histórias que você inventou e responda em seu caderno:  Qual é a situação inicial dessa narrativa?  Qual o conflito da história?  Ele é resolvido? Como?

domingo, 20 de novembro de 2011

Os conectores temporais


Nas narrativas em geral conta-se uma série de acontecimentos encadeados no tempo. Para tanto, usam-se expressões que funcionam como conectores temporais, assinalando a passagem do tempo e servindo para ligar as ações, para conectá-las.
Alguns conectores temporais expressam a ideia de simultaneidade, outros ajudam a colocar em ordem a sequência de fatos. Veja abaixo alguns exemplos.


Conectores que indicam simultaneidade:


no mesmo instante,
enquanto isso,
ao mesmo tempo,
simultaneamente,
neste momento,
nesta ocasião,
agora,
durante.


Conectores que indicam que certos fatos ocorreram antes de outros:


antes,
um minuto mais cedo,
um dia antes,
dias atrás,
anteriormente,
previamente,
até então,
primeiro.


Conectores que indicam que certos fatos ocorreram depois de outros:


depois,
após,
logo,
mais tarde,
um segundo depois,
no dia seguinte,
imediatamente,
posteriormente.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011


                            Atividade Textual -  gênero narrativa de aventura - 7o. ano - 4º Bimestre 2011

No interior da Terra, os três viajantes vivem várias aventuras. Axel se perde e termina por se ferir. Porém por meio de estranho fenômeno de efeito acústico, ele é encontrado por seu tio e Hans. Os três continuam o percurso, seguindo as orientações deixadas pelo alquimista. Chegam a um grande mar e constroem uma jangada a fim de cruzá-lo.

                                                                    Capítulo XXXIII

                Sábado, 15 de agosto — O mar ainda continua sua tediosa uniformidade. Nenhuma terra à vista. O horizonte parece afastado demais.
                Minha cabeça ainda está atordoada pela intensidade do meu sonho.
                Quanto ao meu tio, ele não sonhou, mas está de mau humor. Com sua luneta, investiga todos os pontos do espaço e cruza os braços com um ar de indignação.
                Constato que o prof. Lidenbrock vai voltando a ser o homem impaciente que era, e registro o fato em meu diário. Foi preciso que eu passasse por muitos perigos e sofrimentos para arrancar dele algum sinal de humanidade. Mas, depois de minha cura, a natureza retomou o seu lugar.E, apesar de tudo, por que exaltar? A viagem não está transcorrendo nas circunstâncias mais favoráveis? A jangada não está indo a excelente velocidade?
                — O senhor parece inquieto , tio. O que foi? — digo, ao ver que ele não parava de levar a luneta aos olhos.
                — Inquieto ? Não.
                — Impaciente, então?
                —Para dizer o mínimo!
                — Mas estamos indo a uma velocidade...
                — O que importa? Não é a velocidade que é muito pequena. É o mar que é muito grande!
                Eu me lembro então de que o professor, antes de nossa partia calculava em cerca de  cento e quarenta quilômetros o comprimento deste oceano subterrâneo. Na verdade, percorremos um caminho três vezes maior, e as margens do sul ainda não apareceram.
                — Não vamos descer mais! — continua o professor. — É perda de tempo e, afinal, não vim tão longe para uma regata num charco!
                Ele chama esta travessia de regata e este mar de charco!
                — Mas — digo então —  já que estamos seguindo a rota indicada por Saknusseimm...
                — Este é o problema. Será que seguimos mesmo a rota? Será que Saknusseimm encontrou esta extensão de água? Será que ele fez esta travessia? O córrego que pegamos como guia não terá nos enganado totalmente?
                — De qualquer forma , não podemos lamentar ter  chegado até aqui. Este espetáculo é fantástico e...
                — Não se trata de turismo.u me propus uma meta e quero alcançá-la! Por isso, não venha me falar em admirar a paisagem!
                Eu me dou por vencido e deixo p professor morder os lábios de impaciência. Às seis da tarde, Hans reclama seu pagamento e recebe três risdales.

                Domingo, 16 de agosto — Nada de novo. O tempo é o mesmo. O vento apresenta ligeira tendência a ficar mais fresco. Ao acordar, minha primeira preocupação é constatar a intensidade da luz. Sempre receio que o fenômeno elétrico venha a se reduzir e, depois a se extinguir. Mas não é nada disso: A sombra da jangada desenha-se  com clareza na superfície das ondas.
                Este mar, de fato, é infinito! Deve ter a largura do Mediterrâneo, ou mesmo a do Atlântico. Por que não?
                Meu tio faz diversas sondagens na água. Amarra um dos picões mais pesados na extremidade de uma corda, que ele deixa descer duzentas braças. Não chega ao fundo. Temos muita dificuldade de trazer a sonda de volta.
                Quando o picão é trazido a bordo, Hans chama minha atenção para as marcas bem visíveis em sua superfície. Parece que o pedaço de ferro foi fortemente prensado entre dois corpos rígidos.
                Olho para o caçador.
                — Tänder ! — diz ele.
                Não compreendo e me volto para o meu tio, que está inteiramente distraído em suas reflexões. Não me atrevo a perturbá-lo. Viro-me então para o islandês que, abrindo e fechando várias vezes a boca, faz com que eu compreenda seu pensamento.
                — Dentes!— digo, espantado, olhando mais atentamente a barra de ferro.
          — Claro! A marca no metal foi feita por dentes! As mandíbulas a que eles pertencem devem possuir uma força prodigiosa! Será um monstro das espécies perdidas que se agita nas profundezas, mais voraz que o tubarão, mais temível que a baleia? Não consigo tirar os olhos da barra meio roída! Será que o meu sonho da última noite vai se tornar realidade?
                Durante todo o dia, estes pensamentos me perseguem, e é com dificuldade que a minha imaginação se acalma quando durmo algumas horas. [...]
               
                Terça-feira, 18 de agosto — Vem a noite, ou melhor, o momento em que o sono pesa em nossas pálpebras, já que não existe noite neste oceano e a luz implacável teima em cansar nossos olhos, como se estivéssemos navegando com o sol dos mares árticos. Hans está ao leme, e, durante seu turno, adormeço.
                  Duas horas depois, acordo com um solavanco assustador. A jangada é levada acima das ondas e atirada com uma força indescritível a dez metros de distância.
                — O que foi isso? — grita meu tio. — Fomos atacados?
                Hans aponta para uma massa escura a um distância de uns cem metros, que se eleva e mergulha várias vezes. Observe esse grito:
                — É um golfinho gigante!
                — É — replica meu tio — , e, olhe agora, um lagarto marinho de um tamanho incomum!
                — E, lá adiante, um crocodilo monstruoso! Olhe só o tamanho de sua mandíbula e as fileiras de dentes que ele tem. Ah, ele sumiu!
                — Uma baleia! Uma baleia! — grita, então o professor. —Estou vendo suas nadadeiras enorme!. Veja o ar e a água que ela solta pelas narinas!
                De fato, duas colunas líquidas elevam-se a considerável altura acima do mar. Ficamos surpresos, boquiabertos. apavorados diante desse rebanho de monstros marinhos. São de dimensões sobrenaturais, e o menor deles conseguiria partir a jangada com uma simples dentada. Hans tenta conduzir a jangada para o vento, a fim de fugir dessa vizinhança perigosa, mas percebe que no outro lado existem inimigos não menos ameaçadores: uma tartaruga de uns treze metros de largura e uma serpente de dez metros de comprimento que lança sua descomunal cabeça acima das ondas.
                É impossível fugir. Os répteis aproximam-se e rodeiam a jangada com uma velocidade que nem as mais rápidas locomotivas conseguiriam igualar. Fazem círculos concêntricos a nosso redor. Pego minha carabina. Mas o que pode uma bala fazer na carapaça que recobre o corpo desses animais?
                Estamos mudos de pavor. Estão se aproximando, de um lado o crocodilo de outro a serpente. O resto do rebanho marinho desapareceu. Estou pronto para atirar, mas Hans me faz sinal que não atire. Os dois monstros passa a vinte e cinco metros da jangada e atiram-se um sobre o outro, numa fúria que os impede de nos ver.
                O combate acontece a cinquenta metros da jangada. Podemos ver claramente os dois monstros em luta.
                Mas me parece que agora os outros animais estão vindo participar da briga, o golfinho, a baleia, o lagarto e a tartaruga. A cada instante é um que vejo, e vou mostrando  ao islandês, mas este balança a cabeça e me contesta:
                —Tva.
                —O quê? Dois? Ele acha que apenas são dois animais...
                — Ele tem razão — exclama meu tio, que olha sempre com a luneta.
                — Não é possível!
                — É sim! O primeiro monstro tem o focinho de um golfinho, a cabeça de um lagarto , os dentes de um crocodilo, e é por isso que nos enganou. É o mais terrível dos répteis antediluvianos, o ictiossauro!
                — E o outro?
                — O outro é uma serpente dentro da carapaça de uma tartaruga, o inimigo mortal do primeiro, o plesiossauro!
                Hans está certo. São apenas dois monstros que agitam a superfície do mar, dois répteis dos oceanos primitivos. Consigo ver o  olho do ictiossauro sangrar, grande como a cabeça de um homem. Ele recebeu da natureza um aparelho visual muito potente capaz de resistir à pressão  das camadas de água das profundezas em que ele habita. Considerado com razão, a baleia dos sáurios, pois tem sua rapidez e seu porte. Deve medir mais de trinta metros, e isso eu calculo quando ele levanta acima das ondas as nadadeiras verticais de sua cauda. A mandíbula é enorme e, de acordo com os naturalistas, tem cento e oitenta e dois dentes.
                O plesiossauro, uma serpente de tronco cilíndrico e cauda curta, tem as patas dispostas em forma de galho. Seu corpo é revestido por uma carapaça, e seu pescoço, flexível como o do cisne, eleva-se a dez metros acima da superfície da água.
                Tais animais lutam com uma fúria indescritível. Agitando tanto a água  que as ondas chegam à jangada. Estivemos a ponto de naufragar umas vinte vezes. Podemos ouvir assovios muito intensos dos dois animais, que estão engalfinhados. Não consigo distinguir um do outro . Em todo caso temos de nos preocupar com a raiva  do vencedor.
                Uma, duas horas se passam. A luta continua encarniçada. Os combatentes ora se aproximam da jangada, ora se afastam. Ficamos imóveis prontos para abrir fogo.
                De repente, o ictiossauro e o plesiossauro desaparecem, escavando um verdadeiro redemoinho no meio das ondas. Vários minutos se passam. Será que a luta vai terminar no fundo do mar?
                Logo em seguida, sai uma cabeça para fora da água, a cabeça do plesiossauro. O monstro está mortalmente ferido e não vejo mais sua imensa carapaça. Apenas seu longo pescoço se ergue, cai, levanta-se de novo, curva-se, açoita as ondas como um gigantesco chicote  e se contorce como uma minhoca partida. A água é espirrada a grande distância e ofusca nossa visão. Mas logo a agonia do réptil chega ao fim, seus movimentos diminuem , suas contorções se acalmam, e esse comprido pedaço de cobra estende-se como uma massa inerte sobre as ondas tranquilas do mar.
                Quanto ao ictiossauro, será que voltou a sua caverna submarina ou vai surgir de novo na superfície do mar.?

Júlio Verne. Viagem ao centro da Terra, 2.ed. Tradução : Cid Knipel Moreira. São Paulo: Áticas, 1997. p. 166-172.
               
                       

Estudo do Texto

1. Em que lugar ocorre a ação narrada no trecho do capítulo XXXIII ?

2. Qual é a causa da impaciência do  prof. Lidenbrock no começo do trecho lido?

3. No início do capítulo XXXIII, Axel embora atordoado por um pesadelo, mostra-se satisfeito. Retire do texto duas expressões que comprovam esta afirmação.

4. Numa narrativa, durante o desenvolvimento do conflito, existe sempre um instante de maior tensão chamado clímax.

a. Quais são os dois sinais apontados pelo narrador?
b. Qual é o clímax do capítulo XXXIII que você leu?

5. Quais era os medos da tripulação da pequena jangada enquanto assistiam à luta dos  monstros?

6. No capítulo XXXIII da aventura, você encontra três datas que organizam a narrativa: Sábado, 15 de agosto; Domingo, 16 de agosto; Terça-feira , 18 de agosto. A que se referem essas datas? Por que o narrador as usa?

7. Em que tempo verbal se encontra a maioria dos verbos  empregados pelo autor nesse capítulo? Explique.

8. Ordene os fatos principais do fragmento do capítulo XXXIII, de Viagem ao centro da Terra, tal como é narrado no texto.

a. Em uma das sondagens feitas na água com um picão, são percebidas marcas de dente no pedaço de ferro.

b. O ictiossauro vence o plesiossauro, cujo corpo se estende inerte sobre a superfície marinha.

c. Impaciente com o fato de não avistar a margem sul do mar que percorrem, o prof. Lidenbrock reclama.

d. A jangada é levantada acima das ondas e atirada com força indescritível a dez metros de distância.

e. Um combate entre diversos monstros acontece a 50 metros da jangada em que se encontram os protagonistas.

               

Referência

RODELLA, Gabriela. NIGRO, Flávio. CAMPOS, João. Português: A arte da palavra. 7º ano. São Paulo: AJS, 2009.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011


Leitura e análise textual - gênero conto  - 8o. ano - 4º Bimestre /2011


  

 A PESTE QUE EU FUI OU ... AI, QUE FALTA DE SAUDADES DOS MEUS OITO ANOS!

            A bicicleta era uma só. Era uma velha bicicleta, meio desconjuntada, pintada de “azul cheguei” e, sobretudo, era minha. Os adultos queriam jogar bridge, ou sei lá, enfim, não desejavam crianças na sala, sobretudo, também, por causa do bridge. Então, os adultos diziam assim:
            — Vão andar de bicicleta, queridinhas!
Eu estava uma fera. Andar na MINHA bicicleta, sair de MINHA casa e fingir, sobretudo, que não percebia o outro jogo do MEU pai!
            A amiga, naqueles tempos passadíssimos, era gorda. Minha obrigação era levá-la no selim. Lá ia eu, curtindo meu ódio, levando a gorducha e bonita e rosada e louçã e... pois é!
Eu morava na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. Naquele tempo quase não havia automóvel por ali, lugar ideal para levar a gorda, bonita, rosada e louçã, no selim, enquanto eu, magra, arrepiada e exausta, suava, nhec, nhec, pedalando a MINHA bicicleta ... a gorda, só tomando brisa, cantarolava, louçã.
            Aí, eu vi um paralelepípedo muito atraente, fora do lugar, no caminho. O paralelepípedo, de um lado, o buraco do outro, com muito lugar ainda para a bicicleta passar, sem problemas.
            Foi quando eu perguntei para a louçã:
            — Você gostaria de morrer caindo naquele buraco, ou preferiria fraturar o nariz naquela pedra? Escolha, queridinha, porque eu vou fazer com que você odeie bicicletas para o resto da sua vida!
            A menina deu um risinho e respondeu, com voz de soprano:
            — Você adora fazer dramas, não é, Sylvia?
            — Adoro, sim, mas responda depressa, porque eu vou me machucar, mas você queridinha, vai se arrebentar!
            — Deixa eu pensar, ainda não decidi! – respondeu a inocente criatura, pesadíssima.
            Aí, eu dei mais uma volta, para dar tempo para ela decidir. De repente, a menina percebeu que estava falando sério, começou a choramingar, na base do eu quero descer da bicicleta, vou falar com mamãe, estou de mal.
            Eu já estava de volta. Gritei, pedalando violentamente, correndo o mais que podia:
            — Escolha: a pedra ou o buraco?
            — A pedra, a pedra! – berrava a menina.
            Fui ao alvo, com toda a velocidade. A pedra, chegando, chegando... e nos esborrachamos!
            Ela ficou toda ralada, chorando alto. Eu, pingando sangue do nariz, sorria, no auge da felicidade.
            Era uma peste. Sou até hoje, porque meu pai, quando ler esta história, vai ficar danado da vida. Bem feito, quem mandou jogar bridge?

        (Sylvia Orthof. Em O sadismo da nossa infância. São Paulo: Summus, s.d.)


1.Um paralelepípedo é um objeto bastante comum. O que fez com que aquela pedra se tornasse tão “atraente” para Sylvia?

2. Qual foi a reação da amiga quando soube do plano de Sylvia?


3.Por que Sylvia, mesmo machucada, estava feliz? Você concorda?


4. Releia o texto, observe as palavras que estão escritas com letras maiúsculas. Depois responda:
             
            a. Qual a classe gramatical de MINHA, MEU ?
            b. Qual a intenção da narradora ao utilizar esse recurso?

5 .Qual é o foco narrativo desta história? Justifique sua resposta com um trecho do texto que comprove sua resposta.

6. Escreva os seguintes elementos do conto de Sylvia Orthof:  Conflito ,  Personagens,  Espaço

7. De acordo com o dicionário Bridge significa jogo de cartas, pesquise o significado de selim e de louçã.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A fala das personagens

            Em todos os tipos de narrativas é muito frequente que o narrador,  a certa altura, dê a palavra às personagens. Considere o texto abaixo, de Viagem ao centro da Terra, prestando atenção às falas das reproduzidas.


            "Hans aponta para uma massa escura a uma distância de uns cem metros, que se eleva e mergulha várias vezes. Observo e grito:
           — É um golfinho gigante! — É — replica meu tio — , e, olhe agora, um lagarto marinho de um tamanho incomum !
            — E lá adiante, um crocodilo monstruoso! Olhe só o tamanho de sua mandíbula e as fileiras de dentes que ele tem. Ah!, ele sumiu!
            — Uma baleia! Uma baleia! — grita então, o professor.
       — Estou vendo suas nadadeiras enormes! Veja o ar e a água que ela solta pelas narinas!"

            Nesse caso, é como se o leitor pudesse "escutar" perfeitamente o que dizem as personagens, é como se ele pudesse ler as frases e as palavras que elas pronunciam. Para tanto, foi usado o discurso direto, no qual se reproduz exatamente o que disse uma outra pessoa ou personagem .
            No diálogo acima, as vozes das personagens são marcadas por travessões. Além disso, a primeira fala ( do próprio narrador) é introduzida pelo verbo gritar ("[Eu] grito)", o que dá informações ao leitor a respeito de como a fala é dita ( a personagem provavelmente está assustada, temerosa, nervosa ou alterada, senão não gritaria).
            Além do travessão, também é comum o uso de aspas para marcar a fala das  personagens.
           

Atividades

1. Leia a situação inicial abaixo.

            Certa feita, um herói, ao descansar em uma caverna de uma longa
    jornada, encontra ali um monstro. O monstro, que gosta de tudo muito
    organizado, não acha graça naquele herói em sua morada.
           Quando as personagens se encontram, um diálogo se desenrola.

a. Como seria o desenvolvimento dessa história?

b. Pense em um breve diálogo entre o herói e o monstro e escreva-o em seu
caderno. Não se esqueça de usar as marcas necessárias ao diálogo e de introduzi-lo, usando os verbos adequados.


Referência:

OLIVEIRA , Gabriela Rodella de,RODRIGUES, Flávio Nigro, CAMPOS,  João Rocha . Narrativa de Aventura . Português a arte da palavra.  1. ed. São Paulo. Editora  AJS Ltda. 2009.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Conto de realismo mágico

EMEF Profº. Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa -  Análise Textual - Gênero conto de realismo mágico -  8º Ano - 4º Bimestre 2011.

Há contos em que a ação transcorre em um mundo muito parecido com o nosso: sem fadas ou bruxas, deuses ou monstros. No entanto, acontecimentos estranhos aparentemente sobrenaturais e absurdos, sem explicação no mundo real, vão se sucedendo apesar da ausência desses personagens. Esse contos fazem parte do universo do realismo mágico.

         REALIDADE       +      FATO  (absurdo ou inexplicável)    =    REALISMO  MÁGICO

Muitos contos do realismo mágico usam universo do absurdo para representar os mistérios da vida e os conflitos humanos.

                                                                   Texto I


                                                                    O  rio

O homem viu o rio e se entusiasmou pela sua beleza. o rio corria pela planície, contornando árvores e  molhando grandes pedras. Refletia o sol e era margeado por grama verde e macia.
O homem pegou o rio e o levou para casa, esperando que, lá, ele lhe desse a mesma beleza. Mas o que aconteceu foi sua casa ser  inundada e suas coisas levadas pela água.
O homem devolveu o rio à planície. Agora quando lhe falam das belezas que antes admirava, ele diz que não se lembra . Não se lembra das planícies, das grandes pedras, dos reflexos do sol na grama verde e macia. Lembra-se apenas da sua casa alagada e de suas coisas perdidas pela corrente.

                      FRANÇA JÚNIOR, Oswaldo. As laranjas iguais. São Paulo. Nova Fronteira. 1985, p.13.

Questões textuais

1. Que partes do texto nos permitem afirmar que os acontecimentos transcorrem em um mundo real?

2. A partir de que momento da narrativa ocorrem fatos que não podem ser explicados segundo as leis do nosso mundo?

3. Que reflexões o conto proporciona?  Discuta com seus colegas e professor e registre suas conclusões.
      
                                                                    TEXTO  II

                                                              FURTO  DE  FLOR

Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava, e eu furtei a flor.
Trouxe-a  para a casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.
Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem.
Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la  ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara eu a via morrer.
Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:
— Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!

ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos Plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985, p.80.

Questões textuais

1. O narrador nutre pela flor um sentimento de respeito, ternura e consideração. Que atitudes dele comprovam isso?

2. "Eu a furtara, eu a via morrer". Que sentimentos negativos o narrador deixa transparecer com a repetição da palavra "eu" nessa frase?

3. Releia este trecho:

"Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara "
a.  Que palavras e expressões foram usadas para dizer que a flor já não tinha mais vida?

b. O que sugere o gesto do narrador ao recolocar a flor no jardim?

4. O narrador usou a expressão "depositar a flor". Que palavras o porteiro usou para referir-se a esse gesto? O que sugere cada uma das expressões?

5. A censura do porteiro proporciona uma continuidade ao tom melancólico da narrativa ou provoca um ruptura? Explique.

6. Em que se parecem o narrador de "Furto de flor!" e o homem do conto "O rio" ?


quarta-feira, 26 de outubro de 2011





Língua Portuguesa - Leitura e Análise Textual - Narrativa de Aventura - 4º Bimestre /2011

Este texto é um trecho da segunda parte do trabalho mais conhecido do autor Jonathan Swift "As Viagens de Gulliver"

Segunda  Parte

Viagem a Brobdingnag

1.  Pequeno demais para ser visto
        
            Minha mulher Mary não gostou nem um pouco quando eu, dois meses após meu retorno à Inglaterra, comuniquei a ela que dali a alguns dias embarcaria em direção à África, num navio cujo nome era irresistível para mim : Aventura.
            Ela continuou cozinhando, sem querer levantar os olhos do fogão. Ainda tentei tranquilizá-la, dizendo que depois de Lilliput, nada de surpreendente ou mais perigoso poderia acontecer... Mary fez apenas um muxoxo e eu percebi que o seu sexto sentido a fazia desconfiar de minhas palavras...
            Os primeiros vinte dias de viagem não foram muito calmos, pois os ventos fortes dificultavam as operações de bordo e a manutenção da rota. Na madrugada do 21º dia, o Aventura foi atingido por uma violenta tempestade que, embora tenha durado horas, foi suficiente para fazer com que perdêssemos nossa localização no mapa.
            O dia seguinte amanheceu claro e bonito. Logo avistamos, ao sul, alguns rochedos, que poderiam pertencer a uma ilha ou mesmo a um continente. Como já se esgotava nossa água potável, o comandante ordenou a 12 homens que tomassem um bote e procurassem fontes ou rios; talvez até achassem alguém que nos informasse sobre nossa localização. Parti com eles.
            Foi um pouco custoso alcançar a praia, por causa dos recifes enormes e pontiagudos. Quando finalmente chegamos, resolvemos nos separar. Eu, com minha experiência, iria por um lado e os outros homens pelo outro, até nos encontrarmos no ponto de partida, duas horas depois.
            Andei bastante tempo sem encontrar vestígio de água. Decidi voltar para ver se os marinheiros tinham tido melhor sorte. Quase próximo ao lugar combinado, olhei para o mar e vi meus companheiros no bote, afastando-se rapidamente da praia em direção ao navio.
            Eles haviam me esquecido em terra ! Comecei a chamá-los:
            —Esperem! Estou aqui !
            Porém, meu último grito ficou preso na garganta e o meu olhar fixo na figura de um homem de mais ou menos 20 metros de altura, que ia no encalço do bote e do Aventura.
            A enorme criatura encontrava alguma dificuldade para andar no mar: os recifes, com certeza, machucavam seus pés. Apavorado com aquilo , meu único pensamento foi sumir dali o mais rápido possível. Dei meia-volta e saí em disparada pelo mesmo caminho que acabara de percorrer. Subi pela encosta de uma colina e, à medida que corria, fui notando que o tamanho das plantas era muito estranho: o capim tinha pelo menos seis metros de altura e os pés de milho, uns 12 metros.
            Por mais de uma hora, andei por uma estrada que cortava o milharal, até que não consegui ir mais adiante: entre o campo de milho e a outra plantação, havia uma cerca intransponível. E a escada de acesso — pois havia uma diferença de nível — possuía quatro degraus de pedra, cada um mais alto do que eu, mesmo com os braços esticados.
            Fiquei ali parado, sem saber o que fazer. De repente, um habitante do lugar veio em minha direção. Parecia uma torre ambulante. O terror paralisou-me por alguns minutos.
            [...]
SWIFT, Jonathan. Viagens de Gulliver. Adaptação em português de Cláudia Lopes. São Paulo: Scipione, 2002.

Responda às questões abaixo com base na leitura do texto.

1. Releia o primeiro parágrafo e explique o que o narrador quis dizer com "...dali a alguns dias embarcaria embarcaria em direção à África, num navio cujo nome era irresistível para mim: Aventura."

2. Qual é o sentido da última frase do segundo parágrafo "Mary fez apenas um muxoxo e eu percebi que  o seu sexto sentido a fazia desconfiar de minhas palavras..." Explique, também, o significado dos termos destacados.

3. Que episódio da narrativa impediu Gulliver de continuar chamando os companheiros que o haviam esquecido em terra e afastavam-se rapidamente da praia?

4. O que havia de inusitado com a vegetação daquele lugar?

5. o que impediu Gulliver de ir mais adiante pela estrada do milharal?

PRODUÇÃO  TEXTUAL
O que aconteceu após o último parágrafo?Agora é a sua vez! Imagine como Gulliver vai se livrar da criatura gigantesca ! Escreva um texto criativo com aventura e muita ação.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Gênero Narrativa de Aventura

Texto 1

A narrativa que você lerá foi escrita por Laura Bergallo e pertence ao livro “A criatura”, publicado em 2005. Na obra, são explorados alguns conflitos. No capítulo selecionado, você conhecerá uma personagem que enfrenta muitos desafios e muitas aventuras em cenários cada vez mais presentes no dia-a-dia de muitos jovens.

A criatura
           
            A tempestade tornava a noite ainda mais escura e assustadora. Raios riscavam o céu de chumbo e a luz azulada dos relâmpagos iluminava o vale solitário, penetrando entre as árvores da floresta espessa. Os trovões retumbavam como súbitos tiros de canhão, interrompendo o silêncio do cenário [...].
            Alimentadas pela chuva insistente, as águas do rio começavam a subir e a invadir as margens, carregando tudo o que encontravam no caminho. Barrancos despencavam e árvores eram arrancadas pela força da correnteza, enquanto o rio se misturava ao resto como se tudo fosse uma coisa só. Mas algo... ou alguém... ainda resistia.
            Agarrado desesperadamente a um tronco grosso que as águas levavam rio abaixo, um garoto exausto  e ferido lutava para se manter consciente e ter alguma chance de sobreviver. Volta e meia seus braços escorregavam e ele quase afundava, mas logo ganhava novas forças, erguia a cabeça e tentava inutilmente dirigir o tronco para uma das margens.
            De repente, no período de silêncio que se seguia a cada trovão, ele começou a ouvir um barulho inquietante1, que ficava mais e mais próximo. Uma fumaça esquisita se erguia à frente, e ele então compreendeu: era uma cachoeira! [...]
            Num pulo desesperado, agarrou o ramo de uma árvore que ainda se mantinha de pé perto da margem e soltou o tronco flutuante, que seguiu seu caminho até a beira do precipício e nele mergulhou descontrolado.
            A tempestade prosseguia e cegava o garoto, o rio continuava seu curso feroz e a cachoeira rosnava2 bem perto de onde ele estava. De repente, percebeu que a distância entre uma das margens e o galho em que se pendurava talvez pudesse ser vencida com um pulo. Deu um jeito de se livrar da camisa molhada, que colava em seu corpo e tolhia3 seus movimentos. Respirou fundo para tomar coragem.
            Se errasse o pulo, seria engolido pela queda-d’água... mas, se acertasse, estaria a salvo. Viu que não tinha outra saída e resolveu tentar. Tomou impulso e [...] conseguiu alcançar a margem. [...]
            Ficou de pé meio vacilante4 e examinou o lugar em torno, tentando decidir para que lado ir. Foi quando ouviu um rugido horrível, que parecia vir de bem perto. Correu para o lado oposto, mas não foi longe. Logo se viu encurralado5 em frente a um penhasco gigantesco, que barrava sua passagem. O rugido se aproximava cada vez mais.
            Estava sem saída. De um lado, o penhasco intransponível; de outro, uma fera esfomeada que o cercava pronta para atacar. Então, viu um buraco no paredão de pedra e se meteu dentro dele com rapidez. A fera o seguiu até a entrada da caverna, mas foi surpreendida. Com uma pedra grande que achou na porta da gruta, o garoto golpeou a cabeça do animal com toda a força que pôde e a fera cambaleou  até cair, desacordada.
            Já fora da caverna, ele examinou o penhasco que teria que atravessar antes que o bicho voltasse a si. [...]
            Foi quando uma águia enorme passou voando bem baixo e o garoto a agarrou pelos pés, alçando vôo com ela. Vendo-se no ar, olhou para baixo, horrorizado. Se caísse, não ia sobrar pedaço. Segurou com firmeza as compridas garras do pássaro e atravessou para o outro lado do penhasco.
            O outro lado tinha um cenário muito diferente. Para começar, era dia, e o sol brilhava num céu sem nuvens sobre uma pista de corrida cheia de obstáculos, onde se posicionavam motocicletas devidamente montadas por pilotos de macacão e capacete, em posição de largada. Apenas em uma das motos não havia ninguém.
A águia deu um voo rasante sobre a pista, e o garoto se soltou quando ela passava bem em cima da moto desocupada. Assim que ele caiu montado, foi dado o sinal de largada.
            As motos aceleraram ruidosamente e partiram em disparada, enfrentando obstáculos como rampas, buracos e lamaçais. O páreo era duro, mas a motocicleta do garoto era uma das mais velozes. Logo tomou a dianteira, seguida de perto por uma moto preta reluzente, conduzida por um piloto de aparência soturna. [...]
Inclinando o corpo um pouco mais, o garoto conseguiu acelerar sua moto e aumentou a distância entre ele e o segundo colocado. Mas o piloto misterioso tinha uma carta na manga: num golpe rápido, fez sua moto chegar por trás e, com um movimento preciso, deu uma espécie de rasteira na moto do garoto.
            A motocicleta derrapou e caiu, rolando estrondosamente pelo chão da pista e levantando uma nuvem de poeira. O garoto rolou com ela e ambos se chocaram com violência contra uma montanha de terra, um dos últimos obstáculos antes da chegada.
A moto negra ganhou a corrida, sob os aplausos da multidão excitada7, e o garoto ficou desmaiado no chão.
            Com um sorriso vitorioso, Eugênio viu aparecer na tela as palavras FIM DE JOGO. Soltou o joystick e limpou na bermuda o suor da mão. [...]

Laura Bergallo. A criatura. São Paulo: SM, 2005. p. 37-44.
LEITURA 2 Romance de aventura

Estudo do Vocabulário

1) Relacione cada palavra da coluna da esquerda com seu significado, na coluna da direita. Consulte o dicionário.
A – instransponível
(   ) vôo muito próximo ao solo
B – páreo
(   ) que não pode atravessar, não pode ultrapassar
C – rasante
(   ) fazer eco
D – retumbar
(   ) assustador
E – ruidosamente
(   ) competição, disputa
F – soturno
(   ) barulhento

Estudo do Texto

1) Os textos de aventura costumam ter protagonistas. Personagem principal da história, quem vivencia muitas aventuras e precisa enfrentar conflitos. Em sua opinião, quem é o protagonista do texto? Argumente.

2) Assinale quais descrevem os problemas causados pela insistente chuva?

(   ) As águas do rio começavam a subir e a invadir as margens.
(   ) Como não havia árvores, o terreno desmoronava e aumentava a erosão.
(   ) Doenças eram transmitidas para a população daquele local.
(    ) Barrancos despencavam e árvores eram arrancadas pela força da correnteza.

3) Os textos podem ser narrados de duas formas diferentes.

“ Num pulo desesperado, agarrou o ramo de uma árvore que ainda se mantinha de pé perto da margem e soltou o tronco flutuante” ( 3ª pessoa)

“Num pulo desesperado, agarrei o ramo de uma árvore que ainda se mantinha de pé perto da margem e soltei o tronco flutuante” (1ª pessoa)

Quando um texto está narrado em 3ª pessoa, o narrador é conhecido como:
Agora, se o texto for narrado em 1ª pessoa, no narrador é conhecido como narrador:

a) Observe a frase abaixo, retirada do texto:

“ Ficou de pé meio vacilante e examinou o lugar. Foi quando ouviu um rugido horrível.”
A frase acima está escrita em narrador:

(  ) personagem
(  ) observador

4) O menino vivencia dois cenários diferentes ao longo de seu jogo. Coloque:

1 - para descrições do primeiro cenário.

2 – para descrições do cenário que chega após voar com uma águia.

(   ) Havia muito barulho pela proximidade da cachoeira.
(   ) O rio tinha um curso feroz.
(   ) O sol brilhava.
(   ) Havia barulho de motores.
(   ) A noite ficava ainda mais escura com a tempestade.
(    ) Era um dia sem nuvens no céu.
A caracterização do espaço contribui para a criação do enredo da narrativa de aventura.

ANOTE

O enredo de uma narrativa de aventura é composto das ações das personagens, organizadas em uma sequência de situações.
Essas narrativas, em geral, apresentam a seguinte estrutura.

Apresentação ou situação inicial: os espaços e as personagens são apresentados em uma situação que pode ser de equilíbrio ou de tensão.

•Conflito: início e descrição dos problemas que as personagens principais serão envolvidas.

• Ações das personagens: são motivadas pela complicação e pelos objetivos das personagens.

Desfecho ou resolução: ocorre quando a complicação é solucionada.

Situação final: uma nova situação é estabelecida.

5.  Releia :

" Alimentadas pela chuva insistente, as águas do rio começavam a subir e a invadir as margens carregando tudo o que encontravam no caminho.. Barrancos despencavdm e árvores eram arrancadas pela força da correnteza, enquanto o rio se misturava ao resto como se tudo fosse uma coisa só."

Que impressões sobre o tempo, essa descrição detalhada provoca no leitor?

Nas narrativas de aventura, o suspense prende o leitor ao texto, e a caracterização do espaço pode contribuir para isso.

6.  Releia.

“De repente, no período de silêncio que se seguia a cada trovão, ele começou a ouvir um barulho inquietante, que ficava mais e mais próximo. Uma fumaça esquisita se erguia à frente, e ele então compreendeu: era uma cachoeira! [...]”
Quais informações descritas no texto acima antecipam ao leitor que algo ameaçador se aproxima?

(    ) O barulho inquietante.
(    ) O animal horrível.
(    ) A fumaça esquisita.
(    ) A cachoeira.

7.  No trecho “limpou na bermuda o suor da mão”, o autor quis passar ao leitor a impressão que o jogador estava:

(   ) com calor pelo dia quente.
(   ) tenso pelo jogo.
(   )preocupado com o fim do jogo..
(   ) feliz pela vitória.

8.  Numere os acontecimentos na ordem que aconteceram na história.

(   ) O animal foi golpeado na cabeça com toda força.
(   ) A águia foi agarrada pelos pés.
(   ) Era uma forte tempestade numa noite assustadora.
(   ) Depois de um impulso, a margem foi alcançada.
(   ) Agarrou-se num tronco grosso.
(   ) Depois de dada a partida, todos aceleraram e enfrentaram obstáculos.
(   ) Para fugir da queda, agarrou-e em um ramos de árvore que ainda estava em pé.

Texto 2

            Muitos autores escreveram obras de ficção científica, com temas como naves espaciais, planetas, viagem no tempo ou ao centro da Terra. Leia o que um autor escreveu sobre uma reunião de planetas... quando Plutão ainda era considerado um planeta!
            É importante informar que a obra foi escrita antes de 2006. Ano em que, a União Astronômica Internacional redefiniu alguns critérios para classificar os plantas. E desde então, Plutão deixou de ser classificado como tal.

ENCONTRO DE EXTREMOS

            Foi uma viagem e tanto. Mercúrio percorreu rapidamente os quase cinco bilhões de quilômetros que o separam de Plutão. Isso sem olhar para trás, a uma velocidade de cento e oitenta mil quilômetros por hora (eu disse “cento e oitenta mil quilômetros por hora!”), e sem parar, nem para um xixizinho. Foram mais de mil dias de viagem incrível através do Sistema Solar. Ele levava na mala o que ainda era um mistério para os planetas – documentos secretíssimos falando de coisas estranhas e perigosas que estavam acontecendo no planeta Terra.
            Assim que entrou na órbita de Plutão, Mercúrio olhou para trás. Lá longe está o Sol. Já não lhe parecida aquele gigante em chamas que o impressionava. Mesmo assim, era a estrela mais brilhante que ele podia ver daquele ponto do Universo.
Você já deve ter percebido que esta é uma história de planetas. Para eles, as coisas se passam de maneira um pouco diferente do que para nós. Por exemplo: quando eu disse que a viagem de Mercúrio até Plutão foi rápida, quis dizer que foi rápida para um planeta. Mais de mil dias é um tempo grande para a gente, mas é pequeno para os planetas, pois eles podem viver bilhões de anos.
            Outra coisa diferente nesta história é que o que é mistério para os personagens (os planetas) pode não ser mistério para nós. É possível que você saiba quais as coisas estranhas e perigosas que se passam na Terra. Entretanto, pode ser que não se lembre. Nesse caso, este livro há de refrescar sua memória.
            Mas voltemos a Mercúrio. Como você deve ter aprendido, trata-se do planeta mais próximo do Sol. Por isso, os gases flamejantes1 quase encostam nele. Lá, a temperatura é tão alta durante o dia que, se houvesse chumbo em sua superfície, derreteria, formando rios e mares metálicos. Mas, para ser sincero, até que Mercúrio gosta desse calorzinho. Ainda mais que, à noite, a temperatura cai para – 170º C e ele se congela.
            Nosso herói estava muito longe de casa. Fazia frio e a temperatura, próxima de zero absoluto (que é frio mais de todos os frios), era insuportável. Para Mercúrio, significava resfriado na certa. Acontece que o seu cargo de mensageiro dos planetas o obriga a cumprir as mais perigosas missões, e não seria um simples resfriado que o impediria de cumprir mais essa.
            Além do mais, resfriado não é novidade. Por causa de seus dias muito compridos e da atmosfera muito rarefeita2, que não espalha bem o calor, os dias de Mercúrio são quentíssimos, e as noites, friíssimas. Por isso, mesmo quando descansa em sua órbita, ele vive às voltas com febre, calafrios, nariz escorrendo etc. Coisas que quem já teve gripe sabe como são: a gente quer brincar, nadar ou tomar um sorvete e não pode. No caso de Mercúrio é ainda pior, porque ele tem alergia a poeira cósmica, o que sempre vira bronquite. Aí, só com inalação de vento solar.
            ― Ô de casa! A-a-atchim! – Pronto, estava resfriado. ― Ô de casa! ― repetiu.
Nada.
            “Por onde anda Plutão?”, perguntou-se.
            Já que Plutão não estava, até pensou em dar uma olhada além das fronteiras do Sistema Solar. A curiosidade era grande. Mas não se atreveu porque lembrou do que tinha acontecido a Netuno. Se um planeta poderoso como Netuno fora tão terrivelmente afetado, o que aconteceria a ele, o pobre
mensageiro dos planetas?
            De repente, tudo escureceu. Alguém ou alguma coisa passou em frente ao Sol provocando um eclipse total. Mercúrio entrou em pânico. Tinha que fugir rapidamente. Mas para onde? Não via nada. Súbito3, um bafo gelado em seus ouvidos arrepiou-lhe todos os meridianos.
            ― Ei, rapaz... Aonde vai com tanta pressa... Cuidado... Vê se olha por onde anda...
            Mercúrio se virou e notou um fraco mas ameaçador brilho esbranquiçado se aproximando. Era Plutão que sorria horrivelmente, mostrando dentes pontiagudos de metano congelado. O mensageiro tremeu nas bases.  (...)

Marcelo R. L. Oliveira, Reunião dos Planetas. Editora Companhia das Letrinhas, 2006.


Estudo do Texto

O texto “Encontro de extremos” é um conto, com narrador e personagens. Há informações que correspondem à realidade e outras que foram recriadas pelo autor.

1.  Esse “encontro” poderia dar-se na realidade? Por quê?
2.  Como é o narrador dessa história?

a) Assinale a afirmativa correta.

(   ) O narrador observa o que acontece com o planeta Mercúrio sem participar da história.

(   ) O narrador é um dos personagens da história.

b) Portanto, qual o tipo de narrador dessa história?

3.  “Você já deve ter percebido que esta é uma história de planetas. Para eles, as coisas se passam de maneira um pouco diferente do que para nós.”

a) A quem o narrador se dirige neste trecho?


4.  “Foi uma viagem e tanto. Mercúrio percorreu rapidamente os quase cinco bilhões de quilômetros que o separam de Plutão. Isso sem olhar para trás, a uma velocidade de cento e oitenta mil quilômetros por hora.”

O motivo da viagem foi:

(   ) levar documentos secretos relatando coisas estranhas sobre a Terra.
(   ) encontrar Plutão, planeta distante do Sol e trocar informações sobre as temperaturas que vivenciavam..
(   ) fugir dos raios flamejantes do Sol, estava buscando temperaturas mais calmas para viver.
(   ) dar uma olhada

5.  Na sua opinião, quais seriam as coisas estranhas e misteriosas que se passam na Terra? Argumente.


6.  Qual a possível consequência de passar por temperaturas frias, segundo o texto?