quarta-feira, 4 de maio de 2011

Gênero Crônica - Leitura, Análise Textual e Produção Escrita - 9os. Anos A e B


EMEF   Profº Fernando Pantaleão

Língua Portuguesa - Texto narrativo  - Crônica - Texto  narrativo  ( Discurso Direto e Discurso Indireto) - 9os. A e B -      2º BIMESTRE / 2011

PISCINA


            Era uma esplêndida residência, na Lagoa Rodrigo de Freitas, cercada de jardins e tendo ao lado uma bela piscina. Pena que a favela, com seus barracos grotescos se alastrando pela encosta do morro, comprometesse tanto a paisagem.
            Diariamente desfilavam diante do portão aquelas mulheres silenciosas e magras, latas d’água na cabeça. De vez em quando surgia sobre a grade a carinha de uma criança, olhos grandes e atentos, espiando o jardim. Outras vezes eram as próprias mulheres que se detinham e ficavam olhando.
            Naquela manhã de sábado,ele tomava seu gim-tônica no terraço, e a mulher um banho de sol, estirada de maiô à beira da piscina, quando perceberam que alguém os observava pelo portão entreaberto.
            Era um ser encardido, cujos molambos em forma de saia não bastavam para defini-lo como mulher. Segurava uma lata na mão, e estava parada, à espreita, silenciosa como um bicho. Por um instante as duas se olharam, separadas pela piscina.
            De súbito, pareceu à dona da casa que a estranha criatura se esgueirava, portão adentro, sem tirar dela os olhos. Ergueu-se um pouco, apoiando-se no cotovelo, e viu com terror que ela se aproximava lentamente. Já transpusera o gramado, atingia a piscina, agachava-se junto à borda de azulejos, sempre a olhá-la, em desafio, e agora colhia água com a lata. Depois, sem uma palavra, iniciou uma cautelosa retirada, meio de lado, equilibrando a lata na cabeça – e em pouco tempo sumia-se pelo portão.
            Lá no terraço, o marido, fascinado, assistiu toda a cena. Não durou mais de um ou dois minutos, mas lhe pareceu sinistra  como os instantes tensos de silêncio e paz que antecedem um combate.
            Não teve dúvida: na semana seguinte vendeu a casa.
(Fernando Sabino. A  mulher do vizinho)

RELENDO O TEXTO


1.      No primeiro parágrafo, há um trecho descritivo e um dissertativo. Localize-os e responda:

2.      a) O que é descrito
b) Que comentários faz o narrador?

3.  Pelos comentários feitos pelo narrador, percebemos que ele fala sobre a paisagem a partir de que ponto de vista?

4. No segundo parágrafo, há trechos narrativos e trechos descritivos. Localize-os e responda:
  
 a) Que personagens são mostradas nesse parágrafo?
 b) Como elas são descritas?

5.  Como é descrita a mulher que espiava o casal?

6. “Por um instante as duas mulheres se olharam, separadas pela piscina.” Nesse momento, a piscina passou a simbolizar o quê?

7. A água da piscina tinha significado diferente para as duas mulheres? Explique.

8 .  Para o dono da mansão, o que significou a atitude da mulher da favela?


9.  Por que ele resolveu vender a casa depois disso?

10 . Damos o nome de clímax ao momento de maior emoção ou impacto de uma narrativa. No caso desse texto, qual é o clímax?

REFLETINDO SOBRE O TEXTO

1.  Que item abaixo resume, na sua opinião, o objetivo principal do texto? Justifique sua resposta.


(    ) Destacar o trabalho sacrificado das pessoas pobres.
(    ) Denunciar o luxo e a ostentação dos ricos.
(    ) Destacar o contraste entre a riqueza de alguns e a miséria de outros.

2   O que você acha da decisão do homem de vender a casa?


3) Que outro título você daria a esse texto?

4) Na sua opinião qual a principal causa da grande desigualdade social  existente?

PRODUÇÃO ESCRITA



1)      Imagine a seguinte situação: a dona da mansão, assustada, telefona a uma amiga contando-lhe o que aconteceu.
Como seria essa conversa? Qual seria o diálogo entre elas?



2)      Imagine, agora, esta outra situação: a mulher da favela, com a lata d’água na cabeça, chega ao barraco onde mora e conta para uma vizinha o que aconteceu.
Como seria essa conversa? Qual seria o diálogo entre as duas?

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