terça-feira, 28 de junho de 2011

A história se repete , mágica, linda... Como num intertexto.

Que fidelidade! Que lição de vida!

A disciplina do amor

Foi na França, durante a segunda grande guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta a casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava a correr todo animado atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe. Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o lhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso á pata, voltava ao seu posto de espera. O jovem morreu num bombardeio mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias. Todos os dias. Com o passar dos anos  ( a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina. As pessoas estranhavam, mas quem esse cachorro está esperando?... Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para aquela direção.

Lygia Fagundes Telles

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Analisando as partes do texto narrativo

EMEF Profº Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa - Analisando a estrutura narrativa  I  -  8os. Anos  - 2º Bimestre /2011
Aluno:............................................................................Nº:..............Série................Data.........................
Texto I  -  Gênero Fábula

O leão apaixonado e o camponês
 
      Um leão se apaixonou pela filha de um camponês e a pediu em casamento. Como não queria dar sua filha a um animal selvagem a quem temia dizer não, o camponês imaginou o seguinte. Declarou ao leão, que o pressionava insistentemente, que o considerava digno de casar com sua filha. Ele lha daria sob uma condição: que arrancasse os dentes e aparasse as garras, pois isso a assustava . O leão aceitou a proposta facilmente: estava apaixonado. Mas em troca, conseguiu apenas o desprezo do camponês, pois, quando voltou, foi expulso a pauladas.
      Se ao confiar em alguém, renuncias a tuas prerrogativas, tu te tornarás presa fácil para os que até então te temiam.
                                                                    
                                                     (Esopo. Fábulas. Porto Alegre: L&PM, 1997.p.113.)

Texto II  -  Poema Narrativo

Poema tirado de uma notícia de jornal

João gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e Prosa . Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993.

Identifique nos textos I e II o que se pede.

1. O enredo:

a. situação inicial: de ..................................... a ....................................
b. conflito ( complicação) : de ........................ a ....................................
c. o clímax: de ..............................................a ....................................
d. o desfecho: de ..........................................a ....................................

2. O tempo.

3. O espaço.

4. As personagens.

5. O narrador (foco narrativo).

terça-feira, 21 de junho de 2011

O enredo na narrativa

O enredo
Enredo é a sequência de acontecimentos da história, a rede de situações que as personagens vivem, a trama das ações que elas fazem ou que elas sofrem.

As partes do enredo

I. Situação inicial: é a parte do texto em que são apresentadas as personagens e expostas algumas circunstâncias da história, como o tempo , o espaço em que a ação se desenvolverá. Cria-se um cenário de marcação de tempo para as personagens iniciarem suas ações. Nem todo texto narrativo tem essa primeira parte; há casos em que já de início se mostra a ação em desenvolvimento.

II. Conflito (complicação) : é a parte do enredo em que as ações se desenvolvem em função de um desequilíbrio que ocorre na situação inicial, conduzindo a história ao seu clímax.

III. Clímax: é o momento em que a ação atinge o seu ponto mais crítico, tenso e se encaminha, inevitavelmente, para o desfecho.

IV. Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas personagens. Pode ser feliz, cômico, triste, surpreendente, ou até mesmo deixar  a cargo do leitor uma conclusão.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Narrativa

Resumo do Esquema da Tipologia Narrativa

Personagens:

  Personagens principais:  protagonistas x antagonistas
  Personagens secundárias - auxiliares ou ajudantes.

Apresentação das personagens:

Direta : descrição de traços físicos e/ ou psicológicos.
• Indireta : ações comportamentos, acontecimentos vividos pelas personagens, falas.

Discurso:

• Direto
• Indireto
• Indireto livre

Enredo:

• Linear:  começo — meio — fim -  os acontecimentos são contínuos.
• Não-linear : descontinuidade temporal, cortes ou saltos na sequência de ações, quebra da continuidade lógica e cronológica dos acontecimentos.
• Cronológico: do relógio, do calendário, objetivamente marcado.
• Psicológico: da duração interior das vivências.

Foco Narrativo:

Narrador-personagem : 1ª pessoa do singular.
• Narrador-observador: 3ª pessoa do singular.
• Narrador-onisciente : 3ª e 1ª pessoa


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Leitura e reflexão

À Flor da Pele
      As cores eram levadas muito a sério em Fulgor, oitavo planeta que orbitava em torno de estrela Radex.
      No início, isso tinha sua razão de ser, porque os seres vermelhos eram escravizados pelos seres azuis, e o controle ficava facilitado.
     Mas, com a evolução, muitos azuis começaram a achar injusta a escravidão. Afinal, fora a cor da pele, eram criaturas iguais em qualidades e defeitos.
      Mesmo assim, se, na prática, a escravidão acabou, os vermelhos continuaram a enfrentar um tipo de escravidão mais difícil de ter fim: a do preconceito.
      Com uma freqüência alarmante, os vermelhos viam-se impedidos de entrar em alguns lugares, de exercer determinadas profissões e, quando o amor rompia as barreiras, como só o amor sabe fazer — sem pedir licença —, muitos censuravam a mistura de vermelhos e azuis.
      E mais: certos vermelhos consideravam-se inferiores, como conseqüência do longo tempo de humilhação.
      Foi então que o acaso trouxe uma terrível doença, que, não se sabe por que, atingia os azuis, poupando os vermelhos.
      Como os vermelhos pareciam imunes à peste, os cientistas concluíram que a melhor maneira de deter a doença seria os azuis receberem transfusão de sangue dos vermelhos.Assim foi feito, e, logo, ninguém mais morria da praga misteriosa.
      Entretanto, essa atitude teve um imprevisto efeito colateral: os vermelhos começaram, pela primeira vez na história de Fulgor, a dizerem-se superiores aos azuis, por serem os únicos a carregar, no próprio sangue, a imunidade salvadora.
      Iniciaram um processo de escravidão dos azuis, que, com o orgulho alquebrado e medo de não receberem mais a transfusão de sangue, deixaram-se dominar.
      Novamente, o destino interveio, e uma outra peste abateu-se sobre Fulgor, desta vez atingindo os vermelhos. Chegou a vez dos azuis cederem seu sangue para os vermelhos.
      Com tanta mistura, a natureza provocou uma estranha transformação na cor dos seres: muitos azuis adquiriram uma coloração de pele vermelha, e muitos vermelhos acordaram azuis.
      É evidente que se tornou inútil insistir na escravidão de uns pelos outros, já que ninguém podia garantir que era um vermelho — como também ninguém estava certo se um azul era azul ou era vermelho e ficara azul.
      Hoje, passadas muitas gerações, riem os habitantes de Fulgor, principalmente os mais novos, ao lerem que houve épocas em que azuis escravizavam vermelhos e vermelhos dominavam azuis.
      Afinal, Fulgor inteiro já sabe — como sabem também as mais avançadas civilizações em todas as galáxias — que não existem diferenças entre azuis e vermelhos. Somos todos arco-íris.

Fonte: TAVARES, Ulisses. Fábulas do Futuro. São Paulo: Editora do Brasil, 2001. p. 57 a 59.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Leitura e Análise Textual




EMEF Profº Fernando Pantaleão
Leitura  e análise textual - 8ºs Anos A e B - 2º Bimestre / 2011
Aluno:................................Nº:......Série......Data:..........

Leia  atentamente o texto .

      "Jesus Cristo resolve voltar à terra. E decide vir vestido de médico!
      Procurando um lugar para descer, vê em São Paulo um posto de saúde com um médico trabalhando há muitas horas e morrendo de cansaço. Considerando esse o melhor lugar para a sua volta, Jesus Cristo entra de jaleco, passa pela fila de pacientes no corredor e chega ao consultório médico. Um dos pacientes nota e comenta:
      —Olha, vai trocar o plantão.
      Jesus entra na sala e diz para o "colega" que ele pode ir, que ele vai continuar com o atendimento dali em diante. O médico sai e Jesus grita:
      — O próximo!
      Entra no consultório um homem paraplégico, com sua cadeira de rodas. Jesus levanta-se, olha bem para o aleijado, e com a palma da mão direita sobre a sua cabeça diz:
      — Levanta-te e anda!
      O homem se levanta e sai andando do consultório, empurrando a cadeira de rodas.
      Quando chega no corredor, o próximo da fila pergunta:
      — Como é esse doutor novo?
      O paraplégico, curado, responde:
      — Igualzinho aos outros, nem examina a gente."

SARRUMOR,Laert. As melhores mil (e cem) piadas do Brasil. São Paulo : Nova Alexandria, 2003 (Texto adaptado)

COM BASE NA LEITURA DO TEXTO, MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA NAS QUESTÕES DE 0 A 5.

1. De forma humorística, o texto explora o(a)

(a) descrença na qualidade dos serviços de saúde públicos.
(b) falta de solidariedade com os menos favorecidos.
(c) perda da fé em Jesus Cristo.
(d) exigência de que os médicos tenham mais conhecimento.
(e) desrespeito aos portadores de necessidades especiais.

2. Sobre a decisão de Jesus quanto ao melhor lugar para Seu retorno à terra , pode-se entender que Ele

(a) tinha certeza de que não seria reconhecido se viesse vestido de médico.
(b) queria ver como funciona um posto de saúde.
(c) queria visitar a cidade mais importante do país.
(d) pretendia confirmar a falta de amor dos médicos pelos pacientes.
(e) considerava poder interferir em prol de necessidades do ser humano.

3. O efeito humorístico do texto se deve, principalmente, ao

(a) diálogo de Jesus com o paraplégico.
(b) fato de o paraplégico ter saído andando do consultório, empurrando a cadeira de rodas.
(c) modo como o outro paciente fez a pergunta ao paraplégico.
(d) contraste estabelecido entre a nova condição física do paraplégico e o que ele responde ao outro paciente.
(e) julgamento que o paraplégico faz do médico.

4. Os dois segmentos do texto claramente diferentes  quanto ao nível de linguagem são

(a) "Jesus Cristo resolve voltar à terra."/ "E decide vir vestido de médico".
(b) [Jesus] "chega ao consultório médico." / "um dos pacientes nota e comenta".
(c) "Olha, vai trocar o plantão."/ "E aí, como é esse doutor novo?".
(d) "Jesus levanta-se, olha bem para o aleijado..." / "Quando chega ao corredor..."
(e) "Levanta-te e anda!" / " Igualzinho aos outros... nem examina a gente..."

5.  Uma outra forma de expressar o significado do enunciado " O paraplégico, curado, responde: " é a que se apresenta em

(a) O paraplégico, se está curado, responde.
(b) O paraplégico, que está curado, responde.
(c)O paraplégico, porque está curado,responde.
(d)  O paraplégico, por estar curado, responde.
(e) O paraplégico , à medida que está curado, responde.

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                                                                               penauts
         

  "Esperar ainda é uma ocupação. Terrível é não esperar nada."
  ( 15/091946 , Cesare Paves)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

RECEITA DE GOVERNO

Comida, educação, trabalho, saúde, arte, todo dia, toda hora, de graça, em todos os lugares. Mais educação, livro, música, teatro em todos os lugares, mais comida, mais trabalho, dança de graça, arte, mais cinemas e  teatros, museu, mais escolas,  livro e comida,  tudo de graça,  todo dia, em  todos os lugares. Social, social, social. E, se sobrar alguns centavos, paguem parte da dívida externa.
(Sérgio Andreoli. Carta de leitor: Caros Amigos,ano VIII nº 85/04/2004)