sexta-feira, 29 de julho de 2011

Atividade de leitura, análise e produção escrita

EMEF Profº Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa - Tipologia Narrativa - 3º Bimestre/2011 - 8os. Anos
Atividade de Leitura, Análise e Produção Escrita

O Furtinho

A escola. A flor. A flor. A escola …
Tudo ia muito bem quando Godofredo entrou na minha aula. Pediu licença e foi falar com D. Cecília Paim. Só sei que ele apontou a flor no copo. Depois saiu. Ela olhou para mim com tristeza.
Quando terminou a aula, me chamou.
— Quero falar uma coisa com você, Zezé. Espere um pouco.
Ficou arrumando a bolsa que não acabava mais. Se via que não estava com vontade nenhuma de me falar e procurava a coragem entre as coisas. Afinal se decidiu.
— Godofredo me contou uma coisa muito feia de você, Zezé. É verdade?
Balancei a cabeça afirmativamente.
— Da flor? É, sim, senhora.
— Como é que você faz?
— Levanto mais cedo e passo no jardim da casa do Serginho. Quando o portão está só encostado, eu entro depressa e roubo uma flor. Mas lá tem tanta que nem faz falta.
— Sim. Mas isso não é direito. Você não deve fazer mais isso. Isso não é um roubo, mas já é um «furtinho».
— Não é não, D. Cecília. O mundo não é de Deus? Tudo que tem no mundo não é de Deus? Então as flores são de Deus também …
Ela ficou espantada com a minha lógica.
— Só assim que eu podia, professora. Lá em casa não tem jardim. Flor custa dinheiro …
E eu não queria que a mesa da senhora ficasse sempre de copo vazio.
Ela engoliu em seco.
— De vez em quando a senhora não me dá dinheiro para comprar um sonho recheado, não dá?…
— Poderia lhe dar todos os dias. Mas você some …
— Eu não podia aceitar todos os dias …
— Por quê?
— Porque tem outros meninos pobres que também não trazem merenda.
Ela tirou o lenço da bolsa e passou disfarçadamente nos olhos.

José Mauro de Vasconcelos, O Meu Pé de Laranja Lima


A . Análise Textual

1. Em que espaço se passa este episódio da flor?

2. Quem conta esse episódio é uma personagem da história. Identifique-a.

3. O Godofredo apontou a flor no copo e falou com a professora. O que lhe teria dito?
3.1 Qual a reação da professora?

4. Por que razão a professora demorou a arrumar a bolsa?

5. A professora disse que não era roubo mas sim «furtinho».
5.1 Qual parece ser a diferença?
5.2 Você tem a mesma opinião da professora? Justifique.

6. Que razões deu Zezé para o seu ato?

7. Você também condena o fato de Zezé "roubar" uma flor para pôr no copo?
Explique a razão de sua resposta.

8. "Ela engoliu em seco".
Explique o sentido desta frase.

9. Zezé disse que não podia aceitar dinheiro da professora todos os dias. Qual foi a razão que ele apresentou?

10. Que sentimentos mostrou Zezé ao agir assim?
a. inveja b. preocupação c. solidariedade d. amizade .

11. D.Cecília precisou passar um lenço nos olhos.
11.1 Como se sentiu nesse momento?
a. alegre b. comovida c. triste d. aflita .
Por quê?

B. Produção Escrita

Lembra- se da sua professora do 5.º ano? Recorde-a e escreva um pequeno texto sobre ela.
Refira-se :
• a sua maneira de ser;
• ao teu relacionamento com ela;
• às recordações que ela te deixou.

sábado, 23 de julho de 2011

Retomando a estrutura narrativa - 9os. Anos


Vítima de seu maior inimigo

Sentado em seu escritório, João estudava uma das várias fichas de um paciente. Neurologista, Ph.D. em doença de Alzheimer, ele não exercia mais a profissão. A cadeira de rodas e o problema nas mãos o impossibilitavam de seguir clinicando, mas continuava ainda analisando casos que seu amigo “Chico”, também neurologista, trazia-lhe.
A ficha deste paciente em particular lhe chamava a atenção. Talvez fosse pelo nome, pois o paciente também se chamava João. Na ficha constava: “João, 77 anos, viúvo, vive com seus dois filhos – Jarbas e Francisco. Com uma frequência cada vez maior se esquece quem é, apresenta alterações de humor, depressão, comportamento agressivo caso fique longe de suas leituras. Não reconhece mais os filhos, sofre alucinações, também (...)”.
- Poxa! Exclamava João. Este indivíduo está sofrendo de Alzheimer já em estágio moderado e o mais triste de tudo é que nem deve se dar conta disso.
- Chico! Traga-me, por favor, a próxima ficha.
Cada vez que Chico ouvia João chamá-lo, pensava: “Pobre papai, dedicou sua vida toda às pesquisas para a cura da doença de Alzheimer e acabou vencido por ela. Passa os dias a ler sua própria ficha, pensando estar analisando o caso de um outro paciente”.
- Jarbas! As fichas do papai.

(Ana Maria Borges, in Coletânea de Textos  de Pré-Vestibulares - Impacto Vestibulares,2009) 

Ao término da leitura dessa narrativa, certamente você se sentiu impressionado com a habilidade da escritora, que, num espaço de 20 a 25 linhas, conseguiu inventar uma história fantástica a respeito de um tema que, à primeira vista, parece bastante árido. Além de muita criatividade e conhecimento linguístico, a autora demonstrou que conhece bem a estrutura do texto narrativo.

Atividade 

Identifique no texto as partes da estrutura narrativa  - enredo (comentar : situação inicial, conflito, clímax, desfecho ) , narrador, personagens, tempo, espaço.

quinta-feira, 21 de julho de 2011


 Tipologia narrativa - Gênero Lenda 

Lenda é uma narrativa popular cujos personagens são seres fantásticos. Geralmente tenta explicar, oralmente, a origem de um povo, de um fenômeno da natureza ou de acontecimentos misteriosos. O nosso folclore é bastante rico em personagens lendárias.   
                                  
   O curupira

O curupira é um dos principais personagens da lenda que é contada principalmente no interior do Brasil. O curupira é de baixa estatura, com cabelos avermelhados e com os pés voltados para trás, habita as matas brasileiras.
Sua principal função é proteger as árvores, plantas e animais das florestas, tendo como alvos principais os caçadores, lenhadores e pessoas que destroem as matas de forma predatória.
Para assustar os caçadores e lenhadores, o curupira emite sons e assovios agudos. Cria imagens ilusórias e assustadoras para espantar aqueles considerados "inimigos da florestas". Dificilmente é localizado pelos caçadores, pois seus pés virados para trás servem para despistar os perseguidores, deixando rastros falsos pelas matas. Tem uma velocidade tão impressionante que é praticamente impossível ser seguido por um humano.
 Segundo a lenda, adora descansar nas sombras das mangueiras. Costuma também levar crianças pequenas para morar com ele nas matas. Após encantar as crianças e ensinar os segredos da floresta, devolve os jovens para a família, após sete anos.
Os contadores de lendas dizem que o curupira adora pregar peças naqueles que entram na floresta. Por meio de encantamentos e ilusões, ele deixa o visitante atordoado e perdido, sem saber o caminho de volta. O curupira fica observando e seguindo a pessoa, divertindo-se com o feito.
As lendas são estórias criadas pela imaginação das pessoas, principalmente da zona rural. Fazem parte deste contexto e geralmente carregam explicações e lições de vida. Portanto, não existem comprovações científicas sobre a existência destas figuras folclóricas.
                                    
                                                http://www.suapesquisa.com/musicacultura/curupira.htm


           Questões textuais


      1.      As personagens das lendas não são pessoas comuns, são fantásticas, irreais, que muitas vezes têm forma de gente, de bicho e também os dois juntos, como a mula sem cabeça.

      a)      O curupira e a Iara são personagens irreais e fantásticas que fazem parte de lendas. Que outros você conhece?

      b)       Quais as ações sobre-humanas que o personagem desta lenda são realizadas por ele?

      2.      O objetivo de uma lenda é procurar dar explicação a acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais. Deuses, heróis e personagens sobrenaturais se misturam com fatos da realidade para dar sentido a vida e ao mundo.
      a)      As lendas foram criadas por pessoas que antigamente gostavam de inventar histórias desse tipo. Por quê?

      b)      Qual a principal função do curupira?

      c)      Na sua opinião, por que é tão comum seres humanos se transformarem em animais ou vice-versa nas lendas?

      3.      Os contadores de lendas dizem que o curupira adora pregar peças naqueles que entram na floresta. Por quê?


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tipologia Textual : Descrição

DESCRIÇÃO

                Descrever é explicar com palavras o que se viu e se observou. A descrição é estática, sem movimento, desprovida de ação. Na descrição o ser, o objeto ou ambiente são importantes, ocupando lugar de destaque na frase o substantivo e o adjetivo.

                O emissor capta e transmite a realidade através de seus sentidos, fazendo uso de recursos lingüísticos, tal que o receptor a identifique. A caracterização é indispensável, por isso existe uma grande quantidade de adjetivos no texto.

                Há duas descrições:

   descrição denotativa;
   descrição conotativa.

DESCRIÇÃO DENOTATIVA

                Quando a linguagem representativa do objeto é objetiva, direta sem metáforas ou outras figuras literárias, chamamos de descrição denotativa. Na descrição denotativa as palavras são utilizadas no seu sentido real, único de acordo com a definição do dicionário.

                Exemplo:

                Saímos do campus universitário às 14 horas com destino ao agreste pernambucano. À esquerda fica a reitoria e alguns pontos comerciais. À direita o término da construção de um novo centro tecnológico. Seguiremos pela BR-232 onde encontraremos várias formas de relevo e vegetação.

                No início da viagem observamos uma típica agricultura de subsistência bem à margem da BR-232. Isso provavelmente facilitará o transporte desse cultivo a um grande centro de distribuição de alimentos a CEAGEPE.

DESCRIÇÃO CONOTATIVA

                Em tal descrição as palavras são tomadas em sentido figurado, ricas em polivalência.

                Exemplo:

                João estava tão gordo que as pernas da cadeira estavam bambas do peso que carregava. Era notório o sofrimento daquele pobre objeto.

                Hoje o sol amanheceu sorridente; brilhava incansável, no céu alegre, leve e repleto de nuvens brancas. Os pássaros felizes cantarolavam pelo ar.



Atividade

Considere o seguinte fragmento de texto:


"Salão repleto de luzes, orquestra ao fundo, brilho de cristais por todo lado. O crupiê* distribui fichas sobre o pano verde, cercado de mulheres em longos vestidos e homens de black-tie**. A roleta em movimento paralisa o tempo, todos retêm a respiração. Em breve estarão definidos a sorte de alguns e o azar de muitos. Foi mais ou menos assim, como um lance de roleta, que a era de ouro dos cassinos — maravilhosa para uns, totalmente reprovável para outros — se encerrou no Brasil. Para surpresa da nação, logo depois de assumir o governo, em 1946, o presidente Eurico Gaspar Dutra pôs fim, com uma simples penada, a um dos negócios mais lucrativos da época: a exploração de jogos de azar, tornando-os proibidos em todo o país. (...)"
                                   Jane Santucci, “O dia em que as roletas pararam”, Nossa História.


* crupiê: empregado de uma casa de jogos
** black-tie: smoking, traje de gala

a) No texto acima, a autora utiliza vários recursos descritivos. Aponte um desses recursos. Justifique sua
escolha.

b) A que fato relatado no texto se aplica a comparação “como num lance de roleta”?