segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Atividade Textual

EE Profº Fernando Pantaleão

Língua Portuguesa - O texto Dissertativo/ Artigo de Opinião – 9º A/B - 3º Bimestre 2011


O casamento atual

          O casamento atual, como todas as demais instituições,sofreu incríveis modificações. Se a moça ainda aguarda o cavaleiro montado em um corcel branco e que a faça feliz para toda a vida, vai morrer de velha, nessa espera.
          O cavaleiro se desmistificou. Já não vem mais montado,mas sim a pé sofrendo as agruras de um mercado de trabalho cada vez mais difícil para o homem e mais exigente com a sua capacidade.
          A mulher tem mais condições de trabalho, por aceitar ganhar menos, trabalhar em qualquer hora, deixando de ver reconhecidas, pelas suas necessidades, as suas qualidades de operária.
          O casamento já não diz mais "até que a morte nos separe", pelo menos não se pensa assim, e nem o homem diz para a mulher "mulher minha não trabalha fora de casa". A família é sustentada pelos dois, ou pelo trabalho da mulher quando o homem fica desempregado. Também os casais já não têm uma casa grande, muito menos quatro a seis filhos para educar. A vida atual exigiu que o apartamento de dois ou três quartos fosse a morada da família. Os pais trabalham, os filhos ficam por conta da avó, ou permanecem sozinhos, ou em cursos que auxiliam sua vida escolar. Raramente, a família se encontra durante a semana.
         Dentro dessas modificações, fica mais fácil a separação quando as desavenças aparecem. E é nesse exato momento que se vê, realmente, que o casamento não foi feito para durar, mas para produzir felicidade.  Desde os filhos, todos querem ser felizes. Se não há entendimento, melhor viver separados do que juntos e infelizes. Os próprios filhos, quando adolescentes, são os que pedem aos pais pela sua separação, tendo em vista as brigas constantes.
          A separação é um mal necessário. Todavia, ela precisa respeitar as pessoas que fazem parte da família. É necessário estabelecer um critério para a pensão alimentícia, pois os filhos precisam continuar estudando no lugar onde foram matriculados, sem que sejam retirados dos colégios que freqüentam, tudo por uma vingança do pai para com a mãe ou vice-versa. Os filhos precisam continuar a contar com a
presença dos pais e seus problemas continuam a ser tão importantes quanto eram, quando a família estava unida. O pai e a mãe têm o direito de procurar novos companheiros , pois é imposição da nova sociedade. Por sua vez, precisam ser respeitados pelos antigos companheiros, porque de nada são culpados.
          A família nunca se separa, nem se desestrutura. Quem se separa são as pessoas. E essas só se desestruturam se não avaliarem bem as suas responsabilidades perante a família.

Anna Narbone de Faria ( advogada, especialista em Direito de Família.)

Conhecendo o Texto

A T I V I D A D E 1

Assinale a alternativa que melhor expressa o significado das palavras
grifadas:

01. "O casamento atual, como todas as demais instituições..."

(A ) Festas familiares. (B) Organizações sociais. (C) Encontro de amigos.

02. "O cavaleiro se desmistificou".

(A) Deixou de ser sonho, fantasia. (B) Tornou-se um herói inatingível. (C) Veio montado em um lindo cavalo branco.

03. "É necessário estabelecer um critério."

(A) Uma norma a seguir. (B) Uma idéia a respeito de algo. (C) Uma sugestão às pessoas.

Reflita sobre o texto lido e assinale a alternativa correta existente em cada questão:

04. No primeiro parágrafo, a autora afirma que o casamento

(A) sofreu grandes transformações. (B) é uma instituição falida. (C) ainda consegue levar muitos jovens para o altar.

05. Ao escrever sobre o trabalho, tanto do homem como da mulher, a autora
constata que

A ( ) mesmo desempregado, o homem vive bem.
B ( ) há pouca exigência no mercado de trabalho.
C ( ) para a mulher, conseguir um trabalho é mais fácil porque ela aceita trabalhar por um salário baixo.

06. Assinale os argumentos apresentados pela autora quanto à educação dos
filhos após o pai negar a separação do casal.

A  (  ) Quando o pai nega a pensão alimentícia, os filhos devem morar com ele.
B ( ) Os pais, mesmo separados, devem estar sempre com os filhos, ajudando-os em tudo o que necessitarem.
C ( ) A pensão alimentícia deve dar condições para que os filhos continuem estudando onde foram matriculados.
D (  ) Quando os filhos não podem estudar na escola particular, devem estudar na escola pública.

Responda às questões:

07. Na sua opinião, nos dias atuais, ainda é possível a moça sonhar com seu
cavaleiro montado em um cavalo branco? Justifique.

08. Explique, com suas palavras, o que a autora quis dizer ao afirmar que no
casamento atual não se diz mais:

a) "...até que a morte nos separe."
b) "...mulher minha não trabalha fora de casa."

09. Você concorda com autora quando afirma que quando o casal não vive em
harmonia é melhor a separação? Justifique sua resposta.

"O casamento atual" é um texto dissertativo. Dissertação é um texto que apresenta idéias, opiniões, reflexão ou julgamento sobre um determinado assunto.

A dissertação apresenta uma estrutura determinada:

ESTRUTURA DO TEXTO DISSERTATIVO

1. Introdução

a) Apresentação do assunto (idéia principal a ser desenvolvida). b) Posicionamento do autor sobre o assunto.

(Argumentos)

2. Desenvolvimento

(Contra-argumentos)

a) Defesa do posicionamento do autor, através de argumentos. A argumentação para tornar-se mais convincente e verdadeira pode valer-se de : exemplos –citações -fatos acontecidos -dados comprovados -causas/consequências -enumeração, etc.

b) Também pode haver contra-argumentos, ou seja, idéias contrárias aos argumentos apresentados. No final, faz-se um balanço e os argumentos devem prevalecer. Na verdade, os contra-argumentos também sustentam a idéia defendida, o posicionamento do autor.

3. Conclusão

a) Retomada de idéia principal e conclusão. b) Podem-se apresentar sugestões sobre o assunto.

Observe como a autora organiza suas idéias, seguindo a estrutura de texto dissertativo.

O casamento atual

III - Conversando sobre o texto

Introdução: 1º parágrafo - Introdução e síntese.

A autora apresenta a síntese ( o resumo)que irá ser ampliada nos parágrafos seguintes.

Desenvolvimento: 2º/3º/4º parágrafos

Inicia-se a argumentação. A cada parágrafo, a autora apresenta argumentos que mostram as modificações por que passa o casamento atual, preparando o leitor a aceitar a sua tese: a separação, o fim do casamento que não dá certo.

5º e 6º parágrafos

Continuando sua argumentação, a autora posiciona-se a respeito da separação e defende a tese de que é melhor viver separados do que juntos e infelizes.

Conclusão: 7º parágrafo

Concluindo, a autora reafirma a tese da separação e a sustenta com um novo argumento: a família não se desestrutura se as pessoas têm consciência de suas responsabilidades perante ela.

Resolva, a seguir, as questões propostas.


A T I V I D A D E 2

01. A intenção da autora ao escrever o texto foi

A ( ) contar um fato. B ( ) descrever um acontecimento. C ( ) discutir uma idéia apresentando seu ponto de vista.

02. De acordo com a resposta anterior, o texto classifica-se em:

A ( ) Narrativo. B ( ) Descritivo. C ( ) Dissertativo.

03. Transcreva do 5º parágrafo um argumento que mostra a opinião da autora sobre a separação ou o fim do casamento.

04. Retire do 6º parágrafo o argumento que você acha mais importante e que
deve ser levado em conta quando a separação do casal é inevitável.

05. Resuma a idéia expressa pela conclusão.

06. Você tem a mesma opinião da autora? Por quê?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Revisão Discurso Direto e Discurso Indireto

Língua Portuguesa - 6º e 7º anos - 3 º Bimestre 2011

Discurso direto:

O discurso direto acontece quando o autor cita diretamente as palavras das personagens que participam da história.
Geralmente, no discurso direto, a fala das personagens vem depois de dois-pontos (:), seguida de travessão (-).

Exemplo:
E uma criança no meio da multidão gritou:
—Mamãe, Papai Noel está chorando!

Pode-se também colocar a fala das personagens entre aspas. Veja:

E uma criança no meio da multidão gritou:
“Mamãe, Papai Noel está chorando!”


No discurso direto, os dois-pontos geralmente vêm precedido de verbos de elocução, ou seja, verbos que expressam pensamentos ou fala, tais como: dizer, lamentar, segredar, propor, exclamar, desabafar, suspirar, acrescentar, responder, reclamar, gritar, concluir, perguntar, explodir, ameaçar, protestar, explicar, vociferar, atalhar, prometer...


Discurso indireto:

No discurso indireto não há diálogos. O narrador não põe as personagens falando diretamente, mas faz-se o intérprete delas e transmite, a seu modo, o que elas pensam ou dizem.
É comum, no discurso indireto, aparecerem as conjunções que ou se, verbos no tempo passado e na 3a pessoa do singular ou do plural.

Exemplo:

Uma criança, no meio da rua, gritou para a mãe, dizendo que Papai Noel estava chorando.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Língua Portuguesa  - Análise Textual - Gênero Crônica  -   8º. Ano – 3º. Bimestre 2011


Cão ! Cão! Cão!

Abriu a porta e viu o amigo que há tanto não via. Estranhou apenas que ele, amigo, viesse acompanhado de um cão. Cão não muito grande, mas bastante forte, de raça indefinida, saltitante e com um ar alegremente agressivo. Abriu a porta e cumprimentou o amigo com toda efusão. “Quanto tempo!” o cão aproveitou as saudações, se embarafustou casa adentro e logo o barulho na cozinha demonstrava que ele tinha quebrado alguma coisa. O dono da casa encompridou um pouco as orelhas, o amigo visitante fez um ar de que a coisa não era com ele. “Ora, veja você, a última vez que nos vimos foi...” “Não, foi depois, na...” “E você, casou também?”. O cão passou pela sala, o tempo passou pela conversa, o cão entrou pelo quarto e novo barulho de coisa quebrada. Houve um sorriso amarelo por parte do dono da casa, mas perfeita indiferença por parte do visitante. “Quem morreu definitivamente foi o tio... Você se lembra dele?” “Lembro, ora, era o que mais...não?” o cão saltou sobre um móvel, derrubou o abajur, logo trepou com as patas sujas no sofá (o tempo passando) e deixou lá as marcas digitais de sua animalidade. Os dois amigos tensos, agora preferiram não tomar conhecimento do dogue. E, por fim, o visitante se foi. Se despediu, efusivo como chegara, e se foi. Se foi. Se foi. Mas ainda ia indo, quando o dono da casa perguntou: “Não vai levar o seu cão?” “Cão? Cão? Cão? Ah, não! Não é meu, não. Quando eu entrei, ele entrou naturalmente e eu pensei que fosse seu. Não  é seu, não?”

MORAL: QUANDO NOTAMOS CERTOS DEFEITOS NOS AMIGOS DEVEMOS SEMPRE TER UMA CONVERSA ESCLARECEDORA.

           FERNANDES, Millôr.  Literatura Comentada, São Paulo: Abril Educação,1980.

                                                    Glossário:
                                                                                                                 
                                                     Efusão – demonstração expansiva de alegria, de afeto.
                                                     Embarafustou – entrou afobadamente



Questões Textuais

1.Que fato desencadeia todos os acontecimentos narrados pelo cronista?

2. Por que o dono da casa não questionou o amigo sobre o cachorro?

3. A entrada intempestiva do cão causou certo mal-estar no dono da casa que a certa altura da visita, deu um sorriso amarelo. Qual a causa dessa reação?

4. Por  que  ” Os dois amigos, tensos, agora preferiram não tomar conhecimento do dogue?”

5. Diante da bagunça do cão pela casa, o que um amigo estaria pensando a respeito do outro?

6. O que garante o tom humorístico ao texto?

A  Linguagem do Texto

1. Personificação ou animismo é a figura de linguagem, que consiste em atribuir características humanas a animais ou a seres inanimados. Já o zooformismo inverte essa relação, pois consiste em atribuir características animais aos seres humanos.

a. Em que passagem do texto o narrador refere-se ao cão com uma expressão que se aplica ao homem?

b. Há uma passagem do texto em que é atribuída a uma das personagens uma característica própria do comportamento animal. Que passagem é essa?

2. Esse texto faz parte do livro Fábulas Fabulosas, de Millôr Fernandes. Que característica da fábula este texto apresenta?

3. Algumas frases do diálogo são apresentadas de forma incompleta e marcadas por reticências. Qual é a função desse sinal de pontuação no texto?

Produção Escrita

A crônica  Cão!Cão!Cão!  foi contada por um narrador –observador , em 3ª. pessoa . Reescreva-a em 1ª pessoa, sob o ponto de vista do dono da casa, do amigo visitante, ou do cão.


domingo, 11 de setembro de 2011


Leitura e Análise Textual - Gênero Narrativa de Aventura - 7os. Anos


Viagem ao centro da Terra

Júlio Verne

Capítulo XVI

                Agora começava a verdadeira viagem. Até então, o cansaço havia sido maior que as dificuldades; agora, estas iriam realmente brotar a nossos pés.Eu ainda não tinha olhado para esse poço insondável em que ia mergulhar. Chegara a hora. Podia ainda aderir à iniciativa ou desistir dela. Mas eu tinha vergonha de recuar na presença do caçador. Hans aceitava tão tranquilo a aventura, com tal indiferença e inconsciente de qualquer perigo, que fiquei vermelho só de pensar em ser menos valente que ele. Se eu estivesse sozinho, teria arranjado uma porção de desculpas; mas, na presença do guia, não tive saída. Uma de minhas lembranças voou para minha querida virlandesa, e me aproximei da chaminé central.
                Acho que ela tinha trinta metros de diâmetro, ou cem metros de circunferência. Inclinei-me de cima de uma rocha que pendia sobre o buraco e observei. Meus cabelos arrepiaram-se. Uma sensação de vazio tomou conta de mim. Comecei a perder o equilíbrio, e a vertigem subiu-me à cabeça, como se eu estivesse me embriagando. Que coisa mais chata essa atração do abismo. Eu ia cair.Uma mão me segurou: era Hans. Na verdade, eu não assistira a todas as “lições de abismo” na Vor Frelsers Kirke de Copenhague.
                Mas, se eu olhasse um pouco mais para dentro desses poços, teria percebido sua conformação. As paredes, quase perpendiculares, tinham numerosas saliências que podiam facilitar a descida. Contudo, se não faltava escada, faltava corrimão. Uma corda amarrada em cima era o bastante para nos segurar, mas como soltá-la quando chegássemos lá embaixo?
                Para superar essa dificuldade, meu tio empregou um recurso muito simples. Desenrolou uma corda de uns dois centímetros de grossura e uns cento e trinta metros de comprimento. Primeiro, deixou que ela desenrolasse até a metade; depois, enrolou-a em volta de um bloco de lava com uma saliência e jogou a outra metade no buraco. Cada um de nós podia então descer segurando na mão as duas metades da corda que ficaria presa no bloco; depois de descer uns sessenta metros, seria fácil recuperá-la soltando uma ponta e puxando a outra. Daí, era só recomeçar esse exercício ad infinitum.
                – Agora – disse meu tio, depois de ter feito esses preparativos –, vamos cuidar das bagagens. Vamos dividi-las em três fardos, e cada um de nós prenderá um deles nas costas, isto é, só os objetos frágeis.É claro que o professor não nos incluía nessa última categoria:
                – Hans vai se encarregar dos utensílios e de uma parte da comida; você, Axel, vai ficar com outra parte da comida e com as armas; e eu, com o resto da comida e com os instrumentos frágeis.
                – Mas e as roupas, e este monte de cordas e escadas, quem vai levá-las até lá embaixo?
                – Elas descerão sozinhas.
                – Como?
                – Você vai ver.
                Meu tio, como sempre, não vacilava em mandar. A uma ordem sua, Hans reuniu num único volume os objetos pesados, e esse fardo, bem amarrado, foi simplesmente jogado no buraco.
                Ouvi o estrondo produzido pelo deslocamento das camadas de ar. Meu tio, debruçado sobre o abismo, olhava satisfeito a descida de suas bagagens e só se levantou depois que as perdera de vista:
                – Muito bem. Agora é nossa vez. […]

Glossário

chaminé: canal pelo qual o vulcão expele a lava. A cratera se localiza no topo da chaminé vulcânica.
vertigem: tontura.
Vor Frelsers Kirke: igreja de Copenhague, com uma torre de noventa  metros.
ad infnitum: expressão em latim, signifca “sem fm”.
virlandesa: nativa de Vierlande, região ao sul de Hamburgo, na Alemanha.



1.  Na passagem que você acabou de ler, podemos identificar três personagens: prof. Lidenbrock, o jovem Axel e Hans Bjelke.
a.  O narrador de Viagem ao centro da Terra é uma dessas três personagens ou é alguém que não estava presente entre os viajantes?
b. Justifique sua resposta usando três trechos do texto.
2. Como o narrador descreve Hans Bjelke? Justifique sua resposta copiando adjetivos atribuídos a ele.
3.  Que tipo de sentimento Axel tem antes de olhar para dentro da chaminé do vulcão? Por que ele não se deixa contagiar por tal sentimento?
4.  Nem sempre uma personagem é descrita por adjetivos. Suas ações também servem para nos indicar suas características exteriores e interiores.
Leia atentamente os trechos abaixo sobre o Prof. Lidenbrock. Qual característica psicológica eles apontam?
a .  “Meu  tio,  como  sempre,  não  vacilava  em mandar...”
b.  “Para superar essa dificuldade , meu tio empregou um recurso muito simples.”
5.  Como você imagina que sejam fisicamente o prof. Lidenbrock, Axel  e Hans Bjelke? Descreva-os em seu caderno, e então explique por que você os vê assim.

Referência:
OLIVEIRA , Gabriela Rodella de,RODRIGUES, Flávio Nigro, CAMPOS,  João Rocha . Narrativa de Aventura . Português a arte da palavra.  1. ed. São Paulo. Editora  AJS Ltda. 2009.


sábado, 10 de setembro de 2011

                                             
                                       Narrativas de  Aventura




         Ao contrário de outras narrativas que se baseiam em  fatos reais, as narrativas literárias são histórias inventadas. A leitura dessas narrativas convida o leitor a entrar em outro mundo, o mundo da ficção, que tem suas próprias leis: a menina pode ficar pequena ou aumentar de tamanho, as serpentes podem ser tão grandes a ponto de ser capazes de engolir elefantes, pode ser possível chegar ao centro da Terra.

         Há muitos gêneros diferentes de narrativas literárias. Há novelas policiais, histórias de ficção científica, contos maravilhosos ou fantásticos, muitos romances realistas. E há também as narrativas de aventura, nas quais o herói, sempre muito esperto e corajoso (mesmo quando sente medo, consegue superá-lo) enfrenta sucessivos desafios, perigos e obstáculos para atingir seu objetivo e cumprir sua missão, que, geralmente, tem a ver com uma autodescoberta.

         Herdeiras das aventuras narradas pelas epopeias (longas narrativas em verso) da Grécia Antiga, como a Odisséia, que conta as peripécias do herói Ulisses em seu retorno para casa, as narrativas de aventura surgem durante o século XVII, quando as Américas, a África e a Ásia foram alcançadas por navegadores europeus e mundos muito diversos do deles foram encontrados.

         Por isso, quase sempre essas narrativas levam o leitor a imaginar lugares exóticos habitados por povos diferentes, às vezes hostis, às vezes amigáveis, com hábitos estranhos à cultura do herói. Exemplos desses lugares são ilhas isoladas e perdidas, países desconhecidos, florestas selvagens, desertos intermináveis, pirâmides esquecidas, templos e mundo subterrâneos.

         E é claro que os obstáculos enfrentados também podem variar muito. Tempestades em alto-mar, ataques de piratas, de animais exóticos e ferozes, viagens no tempo e toda sorte de desafios podem ser enfrentados por heróis que, ao final da aventura, quase sempre descobrem algo sobre si mesmos.

         Os imprevistos, que trazem muitos riscos e perigos aos protagonistas, fazem com que o leitor  fique sempre atento à história, na expectativa do desfecho da aventura: conseguirá o herói superar os obstáculos e vencer.


sábado, 3 de setembro de 2011

Tipologia narrativa

EMEF Profº  Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa -  Leitura e análise textual - tipologia narrativa - 7os. anos - 3º Bimestre 2011

            " No último dia de férias, Lilico nem dormiu direito. Não via a hora de voltar à escola e rever os amigos. Acordou feliz da vida, tomou o café da manhã às pressas, pegou sua mochila e foi ao encontro deles. Abraçou-os à entrada da escola, mostrou o relógio que ganhara de Natal, contou sobre sua viagem ao litoral. Depois ouviu as histórias dos amigos e divertiu-se com eles, o coração latejando de alegria. Aos poucos, foi matando a saudade das descobertas que fazia ali, das meninas ruidosas, do azul e branco dos uniformes, daquele burburinho à beira do portão. Sentia-se como um peixe de volta ao mar. Mas, quando o sino anunciou o início das aulas, Lilico descobriu que caíra numa classe onde não havia nenhum de seus amigos. Encontrou lá só gente estranha, que o observava dos pés à cabeça, em silêncio. Viu-se perdido e o sorriso que iluminava seu rosto se apagou. 
            Antes de começar, a professora pediu que cada aluno se apresentasse. Aborrecido, Lilico estudava seus novos companheiros. Tinha um japonês de cabelos espetados com jeito de nerd. Uma garota de olhos azuis, vinda do Sul, pareceu-lhe fria e arrogante. Um menino alto, que quase bateu no teto quando se ergueu, dava toda a pinta de ser um bobo. E a menina que morava no sítio? A coitada comia palavras, olhava-os assustada, igual um bicho do mato. O mulato, filho de pescador, falava arrastado, estalando a língua, com sotaque de malandro. E havia uns garotos com tatuagens, umas meninas usando óculos de lentes grossas, todos esquisitos aos olhos de Lilico. A professora? Tão diferente das que ele conhecera...
            Logo que soou o sinal para o recreio, Lilico saiu a mil por hora, à procura de seus antigos colegas. Surpreendeu-se ao vê-los em roda, animados, junto aos estudantes que haviam conhecido horas antes. De volta à sala de aula, a professora passou uma tarefa em grupo. Lilico caiu com o japonês, a menina gaúcha, o mulato e o grandalhão. Começaram a conversar cheios de cautela, mas paulatinamente foram se soltando, a ponto de, ao fim do exercício, parecer que se conheciam há anos.
            Lilico descobriu que o japonês não era nerd, não: era ótimo em Matemática, mas tinha dificuldade em Português. A gaúcha, que lhe parecera tão metida, era gentil e o mirava ternamente com seus lindos olhos azuis. O mulato era um caiçara responsável, ajudava o pai desde criança e prometeu ensinar a todos os segredos de uma boa pescaria. O grandalhão não tinha nada de bobo. Raciocinava rapidamente e, com aquele tamanho, seria legal jogar basquete no time dele. Lilico descobriu mais. Inclusive que o haviam achado mal humorado quando ele se apresentara, mas já não pensavam assim. Então, mirou a menina do sítio e pensou no quanto seria bom conhecê-la. Devia saber tudo de passarinhos. Sim, justamente porque eram diferentes havia encanto nas pessoas. Se ele descobrira aquilo no primeiro dia de aula, quantas descobertas não haveria de fazer no ano inteiro? E, como um lápis deslizando numa folha de papel, um sorriso se desenhou novamente no rosto de Lilico.  "

                                                 Texto de João Anzanello Carrascoza



1) O que você  achou do  texto? O que mais  lhe chamou a atenção?  

2 ) Quais foram os sentimentos vividos pelo personagem Lilico? 

3) Quem são as personagens desta história? Há uma personagem principal? Justifique sua resposta utilizando elementos do texto.

4 ) O narrador dos fatos é também um personagem? Como você chegou a essa conclusão? 

5 ) Esse texto conta uma história? História de quê?

6) É possível afirmar que o texto apresenta uma introdução, o desenvolvimento e um desfecho? Procure marcar no texto essas três partes.

7 ) Onde se passa a história? Qual foi o tempo de duração dos fatos narrados e que recursos lingüísticos o autor utilizou para sinalizar/indicar esse tempo?

8 ) Lilico teve oportunidade para refletir e mudar a sua visão/opinião a respeito de seus novos colegas? O que ele descobriu a respeito de seus colegas?


  Referência:
  BENFICA, Maria Flor de Maio Barbosa   . Organização textual do discurso narrativo.
  Centro de Referência Virtual do Professor - SEE-MG/2007