quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Língua Portuguesa  - Análise Textual - Gênero Crônica  -   8º. Ano – 3º. Bimestre 2011


Cão ! Cão! Cão!

Abriu a porta e viu o amigo que há tanto não via. Estranhou apenas que ele, amigo, viesse acompanhado de um cão. Cão não muito grande, mas bastante forte, de raça indefinida, saltitante e com um ar alegremente agressivo. Abriu a porta e cumprimentou o amigo com toda efusão. “Quanto tempo!” o cão aproveitou as saudações, se embarafustou casa adentro e logo o barulho na cozinha demonstrava que ele tinha quebrado alguma coisa. O dono da casa encompridou um pouco as orelhas, o amigo visitante fez um ar de que a coisa não era com ele. “Ora, veja você, a última vez que nos vimos foi...” “Não, foi depois, na...” “E você, casou também?”. O cão passou pela sala, o tempo passou pela conversa, o cão entrou pelo quarto e novo barulho de coisa quebrada. Houve um sorriso amarelo por parte do dono da casa, mas perfeita indiferença por parte do visitante. “Quem morreu definitivamente foi o tio... Você se lembra dele?” “Lembro, ora, era o que mais...não?” o cão saltou sobre um móvel, derrubou o abajur, logo trepou com as patas sujas no sofá (o tempo passando) e deixou lá as marcas digitais de sua animalidade. Os dois amigos tensos, agora preferiram não tomar conhecimento do dogue. E, por fim, o visitante se foi. Se despediu, efusivo como chegara, e se foi. Se foi. Se foi. Mas ainda ia indo, quando o dono da casa perguntou: “Não vai levar o seu cão?” “Cão? Cão? Cão? Ah, não! Não é meu, não. Quando eu entrei, ele entrou naturalmente e eu pensei que fosse seu. Não  é seu, não?”

MORAL: QUANDO NOTAMOS CERTOS DEFEITOS NOS AMIGOS DEVEMOS SEMPRE TER UMA CONVERSA ESCLARECEDORA.

           FERNANDES, Millôr.  Literatura Comentada, São Paulo: Abril Educação,1980.

                                                    Glossário:
                                                                                                                 
                                                     Efusão – demonstração expansiva de alegria, de afeto.
                                                     Embarafustou – entrou afobadamente



Questões Textuais

1.Que fato desencadeia todos os acontecimentos narrados pelo cronista?

2. Por que o dono da casa não questionou o amigo sobre o cachorro?

3. A entrada intempestiva do cão causou certo mal-estar no dono da casa que a certa altura da visita, deu um sorriso amarelo. Qual a causa dessa reação?

4. Por  que  ” Os dois amigos, tensos, agora preferiram não tomar conhecimento do dogue?”

5. Diante da bagunça do cão pela casa, o que um amigo estaria pensando a respeito do outro?

6. O que garante o tom humorístico ao texto?

A  Linguagem do Texto

1. Personificação ou animismo é a figura de linguagem, que consiste em atribuir características humanas a animais ou a seres inanimados. Já o zooformismo inverte essa relação, pois consiste em atribuir características animais aos seres humanos.

a. Em que passagem do texto o narrador refere-se ao cão com uma expressão que se aplica ao homem?

b. Há uma passagem do texto em que é atribuída a uma das personagens uma característica própria do comportamento animal. Que passagem é essa?

2. Esse texto faz parte do livro Fábulas Fabulosas, de Millôr Fernandes. Que característica da fábula este texto apresenta?

3. Algumas frases do diálogo são apresentadas de forma incompleta e marcadas por reticências. Qual é a função desse sinal de pontuação no texto?

Produção Escrita

A crônica  Cão!Cão!Cão!  foi contada por um narrador –observador , em 3ª. pessoa . Reescreva-a em 1ª pessoa, sob o ponto de vista do dono da casa, do amigo visitante, ou do cão.


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