quarta-feira, 26 de outubro de 2011





Língua Portuguesa - Leitura e Análise Textual - Narrativa de Aventura - 4º Bimestre /2011

Este texto é um trecho da segunda parte do trabalho mais conhecido do autor Jonathan Swift "As Viagens de Gulliver"

Segunda  Parte

Viagem a Brobdingnag

1.  Pequeno demais para ser visto
        
            Minha mulher Mary não gostou nem um pouco quando eu, dois meses após meu retorno à Inglaterra, comuniquei a ela que dali a alguns dias embarcaria em direção à África, num navio cujo nome era irresistível para mim : Aventura.
            Ela continuou cozinhando, sem querer levantar os olhos do fogão. Ainda tentei tranquilizá-la, dizendo que depois de Lilliput, nada de surpreendente ou mais perigoso poderia acontecer... Mary fez apenas um muxoxo e eu percebi que o seu sexto sentido a fazia desconfiar de minhas palavras...
            Os primeiros vinte dias de viagem não foram muito calmos, pois os ventos fortes dificultavam as operações de bordo e a manutenção da rota. Na madrugada do 21º dia, o Aventura foi atingido por uma violenta tempestade que, embora tenha durado horas, foi suficiente para fazer com que perdêssemos nossa localização no mapa.
            O dia seguinte amanheceu claro e bonito. Logo avistamos, ao sul, alguns rochedos, que poderiam pertencer a uma ilha ou mesmo a um continente. Como já se esgotava nossa água potável, o comandante ordenou a 12 homens que tomassem um bote e procurassem fontes ou rios; talvez até achassem alguém que nos informasse sobre nossa localização. Parti com eles.
            Foi um pouco custoso alcançar a praia, por causa dos recifes enormes e pontiagudos. Quando finalmente chegamos, resolvemos nos separar. Eu, com minha experiência, iria por um lado e os outros homens pelo outro, até nos encontrarmos no ponto de partida, duas horas depois.
            Andei bastante tempo sem encontrar vestígio de água. Decidi voltar para ver se os marinheiros tinham tido melhor sorte. Quase próximo ao lugar combinado, olhei para o mar e vi meus companheiros no bote, afastando-se rapidamente da praia em direção ao navio.
            Eles haviam me esquecido em terra ! Comecei a chamá-los:
            —Esperem! Estou aqui !
            Porém, meu último grito ficou preso na garganta e o meu olhar fixo na figura de um homem de mais ou menos 20 metros de altura, que ia no encalço do bote e do Aventura.
            A enorme criatura encontrava alguma dificuldade para andar no mar: os recifes, com certeza, machucavam seus pés. Apavorado com aquilo , meu único pensamento foi sumir dali o mais rápido possível. Dei meia-volta e saí em disparada pelo mesmo caminho que acabara de percorrer. Subi pela encosta de uma colina e, à medida que corria, fui notando que o tamanho das plantas era muito estranho: o capim tinha pelo menos seis metros de altura e os pés de milho, uns 12 metros.
            Por mais de uma hora, andei por uma estrada que cortava o milharal, até que não consegui ir mais adiante: entre o campo de milho e a outra plantação, havia uma cerca intransponível. E a escada de acesso — pois havia uma diferença de nível — possuía quatro degraus de pedra, cada um mais alto do que eu, mesmo com os braços esticados.
            Fiquei ali parado, sem saber o que fazer. De repente, um habitante do lugar veio em minha direção. Parecia uma torre ambulante. O terror paralisou-me por alguns minutos.
            [...]
SWIFT, Jonathan. Viagens de Gulliver. Adaptação em português de Cláudia Lopes. São Paulo: Scipione, 2002.

Responda às questões abaixo com base na leitura do texto.

1. Releia o primeiro parágrafo e explique o que o narrador quis dizer com "...dali a alguns dias embarcaria embarcaria em direção à África, num navio cujo nome era irresistível para mim: Aventura."

2. Qual é o sentido da última frase do segundo parágrafo "Mary fez apenas um muxoxo e eu percebi que  o seu sexto sentido a fazia desconfiar de minhas palavras..." Explique, também, o significado dos termos destacados.

3. Que episódio da narrativa impediu Gulliver de continuar chamando os companheiros que o haviam esquecido em terra e afastavam-se rapidamente da praia?

4. O que havia de inusitado com a vegetação daquele lugar?

5. o que impediu Gulliver de ir mais adiante pela estrada do milharal?

PRODUÇÃO  TEXTUAL
O que aconteceu após o último parágrafo?Agora é a sua vez! Imagine como Gulliver vai se livrar da criatura gigantesca ! Escreva um texto criativo com aventura e muita ação.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Gênero Narrativa de Aventura

Texto 1

A narrativa que você lerá foi escrita por Laura Bergallo e pertence ao livro “A criatura”, publicado em 2005. Na obra, são explorados alguns conflitos. No capítulo selecionado, você conhecerá uma personagem que enfrenta muitos desafios e muitas aventuras em cenários cada vez mais presentes no dia-a-dia de muitos jovens.

A criatura
           
            A tempestade tornava a noite ainda mais escura e assustadora. Raios riscavam o céu de chumbo e a luz azulada dos relâmpagos iluminava o vale solitário, penetrando entre as árvores da floresta espessa. Os trovões retumbavam como súbitos tiros de canhão, interrompendo o silêncio do cenário [...].
            Alimentadas pela chuva insistente, as águas do rio começavam a subir e a invadir as margens, carregando tudo o que encontravam no caminho. Barrancos despencavam e árvores eram arrancadas pela força da correnteza, enquanto o rio se misturava ao resto como se tudo fosse uma coisa só. Mas algo... ou alguém... ainda resistia.
            Agarrado desesperadamente a um tronco grosso que as águas levavam rio abaixo, um garoto exausto  e ferido lutava para se manter consciente e ter alguma chance de sobreviver. Volta e meia seus braços escorregavam e ele quase afundava, mas logo ganhava novas forças, erguia a cabeça e tentava inutilmente dirigir o tronco para uma das margens.
            De repente, no período de silêncio que se seguia a cada trovão, ele começou a ouvir um barulho inquietante1, que ficava mais e mais próximo. Uma fumaça esquisita se erguia à frente, e ele então compreendeu: era uma cachoeira! [...]
            Num pulo desesperado, agarrou o ramo de uma árvore que ainda se mantinha de pé perto da margem e soltou o tronco flutuante, que seguiu seu caminho até a beira do precipício e nele mergulhou descontrolado.
            A tempestade prosseguia e cegava o garoto, o rio continuava seu curso feroz e a cachoeira rosnava2 bem perto de onde ele estava. De repente, percebeu que a distância entre uma das margens e o galho em que se pendurava talvez pudesse ser vencida com um pulo. Deu um jeito de se livrar da camisa molhada, que colava em seu corpo e tolhia3 seus movimentos. Respirou fundo para tomar coragem.
            Se errasse o pulo, seria engolido pela queda-d’água... mas, se acertasse, estaria a salvo. Viu que não tinha outra saída e resolveu tentar. Tomou impulso e [...] conseguiu alcançar a margem. [...]
            Ficou de pé meio vacilante4 e examinou o lugar em torno, tentando decidir para que lado ir. Foi quando ouviu um rugido horrível, que parecia vir de bem perto. Correu para o lado oposto, mas não foi longe. Logo se viu encurralado5 em frente a um penhasco gigantesco, que barrava sua passagem. O rugido se aproximava cada vez mais.
            Estava sem saída. De um lado, o penhasco intransponível; de outro, uma fera esfomeada que o cercava pronta para atacar. Então, viu um buraco no paredão de pedra e se meteu dentro dele com rapidez. A fera o seguiu até a entrada da caverna, mas foi surpreendida. Com uma pedra grande que achou na porta da gruta, o garoto golpeou a cabeça do animal com toda a força que pôde e a fera cambaleou  até cair, desacordada.
            Já fora da caverna, ele examinou o penhasco que teria que atravessar antes que o bicho voltasse a si. [...]
            Foi quando uma águia enorme passou voando bem baixo e o garoto a agarrou pelos pés, alçando vôo com ela. Vendo-se no ar, olhou para baixo, horrorizado. Se caísse, não ia sobrar pedaço. Segurou com firmeza as compridas garras do pássaro e atravessou para o outro lado do penhasco.
            O outro lado tinha um cenário muito diferente. Para começar, era dia, e o sol brilhava num céu sem nuvens sobre uma pista de corrida cheia de obstáculos, onde se posicionavam motocicletas devidamente montadas por pilotos de macacão e capacete, em posição de largada. Apenas em uma das motos não havia ninguém.
A águia deu um voo rasante sobre a pista, e o garoto se soltou quando ela passava bem em cima da moto desocupada. Assim que ele caiu montado, foi dado o sinal de largada.
            As motos aceleraram ruidosamente e partiram em disparada, enfrentando obstáculos como rampas, buracos e lamaçais. O páreo era duro, mas a motocicleta do garoto era uma das mais velozes. Logo tomou a dianteira, seguida de perto por uma moto preta reluzente, conduzida por um piloto de aparência soturna. [...]
Inclinando o corpo um pouco mais, o garoto conseguiu acelerar sua moto e aumentou a distância entre ele e o segundo colocado. Mas o piloto misterioso tinha uma carta na manga: num golpe rápido, fez sua moto chegar por trás e, com um movimento preciso, deu uma espécie de rasteira na moto do garoto.
            A motocicleta derrapou e caiu, rolando estrondosamente pelo chão da pista e levantando uma nuvem de poeira. O garoto rolou com ela e ambos se chocaram com violência contra uma montanha de terra, um dos últimos obstáculos antes da chegada.
A moto negra ganhou a corrida, sob os aplausos da multidão excitada7, e o garoto ficou desmaiado no chão.
            Com um sorriso vitorioso, Eugênio viu aparecer na tela as palavras FIM DE JOGO. Soltou o joystick e limpou na bermuda o suor da mão. [...]

Laura Bergallo. A criatura. São Paulo: SM, 2005. p. 37-44.
LEITURA 2 Romance de aventura

Estudo do Vocabulário

1) Relacione cada palavra da coluna da esquerda com seu significado, na coluna da direita. Consulte o dicionário.
A – instransponível
(   ) vôo muito próximo ao solo
B – páreo
(   ) que não pode atravessar, não pode ultrapassar
C – rasante
(   ) fazer eco
D – retumbar
(   ) assustador
E – ruidosamente
(   ) competição, disputa
F – soturno
(   ) barulhento

Estudo do Texto

1) Os textos de aventura costumam ter protagonistas. Personagem principal da história, quem vivencia muitas aventuras e precisa enfrentar conflitos. Em sua opinião, quem é o protagonista do texto? Argumente.

2) Assinale quais descrevem os problemas causados pela insistente chuva?

(   ) As águas do rio começavam a subir e a invadir as margens.
(   ) Como não havia árvores, o terreno desmoronava e aumentava a erosão.
(   ) Doenças eram transmitidas para a população daquele local.
(    ) Barrancos despencavam e árvores eram arrancadas pela força da correnteza.

3) Os textos podem ser narrados de duas formas diferentes.

“ Num pulo desesperado, agarrou o ramo de uma árvore que ainda se mantinha de pé perto da margem e soltou o tronco flutuante” ( 3ª pessoa)

“Num pulo desesperado, agarrei o ramo de uma árvore que ainda se mantinha de pé perto da margem e soltei o tronco flutuante” (1ª pessoa)

Quando um texto está narrado em 3ª pessoa, o narrador é conhecido como:
Agora, se o texto for narrado em 1ª pessoa, no narrador é conhecido como narrador:

a) Observe a frase abaixo, retirada do texto:

“ Ficou de pé meio vacilante e examinou o lugar. Foi quando ouviu um rugido horrível.”
A frase acima está escrita em narrador:

(  ) personagem
(  ) observador

4) O menino vivencia dois cenários diferentes ao longo de seu jogo. Coloque:

1 - para descrições do primeiro cenário.

2 – para descrições do cenário que chega após voar com uma águia.

(   ) Havia muito barulho pela proximidade da cachoeira.
(   ) O rio tinha um curso feroz.
(   ) O sol brilhava.
(   ) Havia barulho de motores.
(   ) A noite ficava ainda mais escura com a tempestade.
(    ) Era um dia sem nuvens no céu.
A caracterização do espaço contribui para a criação do enredo da narrativa de aventura.

ANOTE

O enredo de uma narrativa de aventura é composto das ações das personagens, organizadas em uma sequência de situações.
Essas narrativas, em geral, apresentam a seguinte estrutura.

Apresentação ou situação inicial: os espaços e as personagens são apresentados em uma situação que pode ser de equilíbrio ou de tensão.

•Conflito: início e descrição dos problemas que as personagens principais serão envolvidas.

• Ações das personagens: são motivadas pela complicação e pelos objetivos das personagens.

Desfecho ou resolução: ocorre quando a complicação é solucionada.

Situação final: uma nova situação é estabelecida.

5.  Releia :

" Alimentadas pela chuva insistente, as águas do rio começavam a subir e a invadir as margens carregando tudo o que encontravam no caminho.. Barrancos despencavdm e árvores eram arrancadas pela força da correnteza, enquanto o rio se misturava ao resto como se tudo fosse uma coisa só."

Que impressões sobre o tempo, essa descrição detalhada provoca no leitor?

Nas narrativas de aventura, o suspense prende o leitor ao texto, e a caracterização do espaço pode contribuir para isso.

6.  Releia.

“De repente, no período de silêncio que se seguia a cada trovão, ele começou a ouvir um barulho inquietante, que ficava mais e mais próximo. Uma fumaça esquisita se erguia à frente, e ele então compreendeu: era uma cachoeira! [...]”
Quais informações descritas no texto acima antecipam ao leitor que algo ameaçador se aproxima?

(    ) O barulho inquietante.
(    ) O animal horrível.
(    ) A fumaça esquisita.
(    ) A cachoeira.

7.  No trecho “limpou na bermuda o suor da mão”, o autor quis passar ao leitor a impressão que o jogador estava:

(   ) com calor pelo dia quente.
(   ) tenso pelo jogo.
(   )preocupado com o fim do jogo..
(   ) feliz pela vitória.

8.  Numere os acontecimentos na ordem que aconteceram na história.

(   ) O animal foi golpeado na cabeça com toda força.
(   ) A águia foi agarrada pelos pés.
(   ) Era uma forte tempestade numa noite assustadora.
(   ) Depois de um impulso, a margem foi alcançada.
(   ) Agarrou-se num tronco grosso.
(   ) Depois de dada a partida, todos aceleraram e enfrentaram obstáculos.
(   ) Para fugir da queda, agarrou-e em um ramos de árvore que ainda estava em pé.

Texto 2

            Muitos autores escreveram obras de ficção científica, com temas como naves espaciais, planetas, viagem no tempo ou ao centro da Terra. Leia o que um autor escreveu sobre uma reunião de planetas... quando Plutão ainda era considerado um planeta!
            É importante informar que a obra foi escrita antes de 2006. Ano em que, a União Astronômica Internacional redefiniu alguns critérios para classificar os plantas. E desde então, Plutão deixou de ser classificado como tal.

ENCONTRO DE EXTREMOS

            Foi uma viagem e tanto. Mercúrio percorreu rapidamente os quase cinco bilhões de quilômetros que o separam de Plutão. Isso sem olhar para trás, a uma velocidade de cento e oitenta mil quilômetros por hora (eu disse “cento e oitenta mil quilômetros por hora!”), e sem parar, nem para um xixizinho. Foram mais de mil dias de viagem incrível através do Sistema Solar. Ele levava na mala o que ainda era um mistério para os planetas – documentos secretíssimos falando de coisas estranhas e perigosas que estavam acontecendo no planeta Terra.
            Assim que entrou na órbita de Plutão, Mercúrio olhou para trás. Lá longe está o Sol. Já não lhe parecida aquele gigante em chamas que o impressionava. Mesmo assim, era a estrela mais brilhante que ele podia ver daquele ponto do Universo.
Você já deve ter percebido que esta é uma história de planetas. Para eles, as coisas se passam de maneira um pouco diferente do que para nós. Por exemplo: quando eu disse que a viagem de Mercúrio até Plutão foi rápida, quis dizer que foi rápida para um planeta. Mais de mil dias é um tempo grande para a gente, mas é pequeno para os planetas, pois eles podem viver bilhões de anos.
            Outra coisa diferente nesta história é que o que é mistério para os personagens (os planetas) pode não ser mistério para nós. É possível que você saiba quais as coisas estranhas e perigosas que se passam na Terra. Entretanto, pode ser que não se lembre. Nesse caso, este livro há de refrescar sua memória.
            Mas voltemos a Mercúrio. Como você deve ter aprendido, trata-se do planeta mais próximo do Sol. Por isso, os gases flamejantes1 quase encostam nele. Lá, a temperatura é tão alta durante o dia que, se houvesse chumbo em sua superfície, derreteria, formando rios e mares metálicos. Mas, para ser sincero, até que Mercúrio gosta desse calorzinho. Ainda mais que, à noite, a temperatura cai para – 170º C e ele se congela.
            Nosso herói estava muito longe de casa. Fazia frio e a temperatura, próxima de zero absoluto (que é frio mais de todos os frios), era insuportável. Para Mercúrio, significava resfriado na certa. Acontece que o seu cargo de mensageiro dos planetas o obriga a cumprir as mais perigosas missões, e não seria um simples resfriado que o impediria de cumprir mais essa.
            Além do mais, resfriado não é novidade. Por causa de seus dias muito compridos e da atmosfera muito rarefeita2, que não espalha bem o calor, os dias de Mercúrio são quentíssimos, e as noites, friíssimas. Por isso, mesmo quando descansa em sua órbita, ele vive às voltas com febre, calafrios, nariz escorrendo etc. Coisas que quem já teve gripe sabe como são: a gente quer brincar, nadar ou tomar um sorvete e não pode. No caso de Mercúrio é ainda pior, porque ele tem alergia a poeira cósmica, o que sempre vira bronquite. Aí, só com inalação de vento solar.
            ― Ô de casa! A-a-atchim! – Pronto, estava resfriado. ― Ô de casa! ― repetiu.
Nada.
            “Por onde anda Plutão?”, perguntou-se.
            Já que Plutão não estava, até pensou em dar uma olhada além das fronteiras do Sistema Solar. A curiosidade era grande. Mas não se atreveu porque lembrou do que tinha acontecido a Netuno. Se um planeta poderoso como Netuno fora tão terrivelmente afetado, o que aconteceria a ele, o pobre
mensageiro dos planetas?
            De repente, tudo escureceu. Alguém ou alguma coisa passou em frente ao Sol provocando um eclipse total. Mercúrio entrou em pânico. Tinha que fugir rapidamente. Mas para onde? Não via nada. Súbito3, um bafo gelado em seus ouvidos arrepiou-lhe todos os meridianos.
            ― Ei, rapaz... Aonde vai com tanta pressa... Cuidado... Vê se olha por onde anda...
            Mercúrio se virou e notou um fraco mas ameaçador brilho esbranquiçado se aproximando. Era Plutão que sorria horrivelmente, mostrando dentes pontiagudos de metano congelado. O mensageiro tremeu nas bases.  (...)

Marcelo R. L. Oliveira, Reunião dos Planetas. Editora Companhia das Letrinhas, 2006.


Estudo do Texto

O texto “Encontro de extremos” é um conto, com narrador e personagens. Há informações que correspondem à realidade e outras que foram recriadas pelo autor.

1.  Esse “encontro” poderia dar-se na realidade? Por quê?
2.  Como é o narrador dessa história?

a) Assinale a afirmativa correta.

(   ) O narrador observa o que acontece com o planeta Mercúrio sem participar da história.

(   ) O narrador é um dos personagens da história.

b) Portanto, qual o tipo de narrador dessa história?

3.  “Você já deve ter percebido que esta é uma história de planetas. Para eles, as coisas se passam de maneira um pouco diferente do que para nós.”

a) A quem o narrador se dirige neste trecho?


4.  “Foi uma viagem e tanto. Mercúrio percorreu rapidamente os quase cinco bilhões de quilômetros que o separam de Plutão. Isso sem olhar para trás, a uma velocidade de cento e oitenta mil quilômetros por hora.”

O motivo da viagem foi:

(   ) levar documentos secretos relatando coisas estranhas sobre a Terra.
(   ) encontrar Plutão, planeta distante do Sol e trocar informações sobre as temperaturas que vivenciavam..
(   ) fugir dos raios flamejantes do Sol, estava buscando temperaturas mais calmas para viver.
(   ) dar uma olhada

5.  Na sua opinião, quais seriam as coisas estranhas e misteriosas que se passam na Terra? Argumente.


6.  Qual a possível consequência de passar por temperaturas frias, segundo o texto?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

EMEF Profo. Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa – Artigo de Opinião – Análise Textual – 9º. Ano  4º Bimestre /2011

Fazer o que se gosta

A escolha de uma profissão é o primeiro calvário de todo adolescente. Muitos tios, pais e orientadores vocacionais acabam recomendando “fazer o que se gosta”, um conselho confuso e equivocado.
Empresas pagam a profissionais para fazer o que a comunidade acha importante ser feito, não aquilo que os funcionários gostariam de fazer, que normalmente é jogar futebol, ler um livro ou tomar chope na praia.
Seria um mundo perfeito se as coisas que queremos fazer coincidissem exatamente com o que a sociedade acha importante ser feito. Mas, aí, quem tiraria o lixo, algo necessário, mas que ninguém quer fazer?
Muitos jovens sonham trabalhar no terceiro setor porque é o que gostariam de fazer. Toda semana recebo jovens que querem trabalhar em uma consultoria, num projeto social. “Quero ajudar os outros, não quero participar desse capitalismo selvagem”. Nesses casos, peço que deixem comigo os sapatos e as meia e voltem para conversar em uma semana.
É uma arrogância intelectual que se ensina nas universidades brasileiras e um insulto aos sapateiros e aos trabalhadores dizer que eles não ajudam os outros. A maioria das pessoas que ajudam os  outros o faz de graça.
As coisas que realmente gosto de fazer, como jogar tênis, velejar e organizar o Prêmio Bem Eficiente, eu faço de graça. O “ócio criativo”, o sonho brasileiro de receber um salário para “fazer o que se gosta”, somente é alcançado por alguns professores felizardos de filosofia que podem ler o que gostam em tempo integral.
O que seria de nós se ninguém produzisse sapatos e meias, só porque alguns membros da sociedade só querem “fazer o que gostam”? Pediatras e obstetras atendem às 2 da manhã. Médicos e enfermeiras atendem aos sábados e domingos não porque gostam, mas porque isso tem de ser feito.
(...) Eu respeito muito mais os altruístas que fazem aquilo que tem de ser feito do que os egoístas que só querem “fazer o que gostam”.
Então teremos de trabalhar em algo que odiamos condenados a uma vida profissional chata e opressiva? Existe um final feliz. A saída para esse dilema é aprender a gostar do que você faz. E isso é mais fácil do que se pensa. Basta fazer seu trabalho com esmero, bem feito. Curta o prazer da excelência. O prazer estético da qualidade e da perfeição.
(...)
Se quiser procurar algo, descubra suas habilidades naturais, que permitirão que realize seu trabalho com distinção e o colocarão à frente dos demais. Muitos profissionais odeiam o que fazem porque não se prepararam adequadamente, não estudaram o suficiente, não sabem fazer aquilo  que gostam, e aí odeiam o que fazem mal feito.
(...)
Se você não gosta de seu trabalho, tente fazê-lo bem feito. Seja o melhor em sua área, destaque-se pela precisão. Você será aplaudido, valorizado, procurado, e outras portas se abrirão. Começará a ser até criativo, inventando coisa nova, e isso é um raro prazer.
Faça seu trabalho mal feito e você odiará o que faz, odiando a sua empresa, seu patrão, seus colegas, seu país e a si mesmo.
STEPHEN KANITS é administrador por Harvard. In Veja. São Paulo, 24nov.2004,p.22.

Analisando o texto

1. Quem é o autor do texto?
2. Este é um texto em que predomina a informação ou a opinião?
3. O seu texto merece credibilidade? Explique.
4. Que ideia do senso comum é combatida no texto?
5. Stephen Kanitz defende uma ideia nesse texto. Qual é ela?
6. Por que é dito que a escolha da profissão “É o primeiro calvário de todo  adolescente”?
7. Você concorda com essa opinião do autor? Justifique.
8. Releia:  A escolha de uma profissão é o primeiro calvário de todo adolescente. Muitos tios, pais e orientadores vocacionais acabem recomendando “fazer o que se gosta”, um conselho confuso e equivocado.
O conselho de que se deve “fazer o que se gosta” é classificado como confuso e equivocado.
a. Por que é confuso ?
b. Por que é equivocado?
9. O texto não se refere a uma profissão em particular.
a. De acordo com o texto há profissões mais importantes que as outras?
b. Você concorda com essa opinião? Justifique a sua resposta.
10. Qual a solução que o autor apresenta para o fato de que na profissão, em geral, não fazemos o que gostamos?
11. Releia os dois últimos parágrafos. Você concorda com a opinião ali expressa?
12. Essa opinião é coerente com a ideia presente no início do texto? Explique.

sábado, 15 de outubro de 2011



      Dos professores, de todos os dias

“As verdadeiras questões da educação resultam de que nas escolas há pessoas jovens, que devem ser ajudadas, tanto quanto possível, a serem felizes. E em que a felicidade dessas pessoas, como a de todas as outras, consiste em satisfazerem a ânsia profunda que têm de verdade, de bem e de beleza. Não em terem coisas e conforto.” (Paulo Geraldo)

Nós, professores e professoras de todos os dias, mergulhamos no complexo desafio de humanizar crianças, adolescentes, jovens e adultos a partir da construção do conhecimento. Os tempos mudam, mas não mudou o papel da escola. A escola é o grande laboratório onde se geram a socialização e a convivência interpessoal, bem como a construção do conhecimento, a partir das ideias e iniciativas inerentes à criatividade humana.

Abençoada seja a nossa missão de educar. Abençoados sejam nossos propósitos, mesmo nem sempre compreendidos pelos alunos, pais e comunidade. Abençoadas sejam nossas famílias que se geram neste contexto que exige ousadia, paciência, preparo e persistência, em resumo, em doação à vida dos outros. Abençoada seja a nossa saúde física e mental, pois não podemos adoecer e nem fraquejar.

Abençoados sejam todos aqueles e aquelas que, por nossas mãos, mente e coração aceitaram e aceitam o desafio de fazer-se gente, a partir dos seus potenciais e da superação de seus limites. Abençoados todos aqueles que acreditam no trabalho do professor.

Nada mais gratificante, em nossa profissão, do que o reconhecimento de alunos e alunas que, mesmo tardiamente, fazem questão de afirmar que a gente fez diferença em suas vidas. Não há como medir, no cotidiano da vida escolar, quando e como realizamos ações ou atitudes que marcaram positivamente a vida de um de nossos alunos. Afinal, a gente nunca foi e nunca será gênio para adivinhar; sempre seremos visionários para arriscar, mudar e ousar. Nisto, sempre fomos mestres.

O que entristece a nossa vida é que tanto cuidamos da vida, dos sonhos e dos problemas dos outros, mas nem sempre somos bem cuidados. Queríamos, sim, reconhecimento por nosso maior feito: preservar a importância da educação e da escola para o nosso país, para o mundo.

Muitos falam de educação, mas não são professores. Arriscam palpites sobre melhorias na educação, mas não perguntam sobre o que a gente tem a dizer. Não se importam com nossos baixos salários, muito menos com nossas dificuldades de lidar com as múltiplas dimensões e necessidades presentes nos nossos alunos. Nestes últimos quesitos, lutamos solitários.

Embora não tenha mudado o papel da escola e da educação, mudaram as exigências para que possamos construir uma boa aprendizagem. Temos observado que nem todo aluno e nem todos os pais veem a escola como uma forma de inserção na vida social e científica. Que as necessidades dos nossos alunos estão muito além para aquilo que a escola consegue oferecer. Que escolas e professores nem sempre estão em condições de dar conta de tudo o que está “depositado” neles.

O fato é que a complexidade de nosso mundo é a complexidade da nossa escola; esta complexidade está nos distintos recantos de nosso país. O que muda de uma escola para outra é o modo de conduzir os processos de aprendizagem e de interação social, mediados pelo conhecimento. A especificidade de cada escola e de cada contexto é que precisam ser sempre avaliados, reconhecidos e apoiados.

O professor, neste contexto, está fragilizado, exposto e pressionado por resultados e expectativas que não dependem somente de sua atuação. Mas professores e professoras resistem bravamente. Sabem que a dureza dos desafios cotidianos supera-se na disposição de lutar por melhores dias na educação, mas também na sua disposição de amar e sentir compaixão.

Como escreveu Paulo Freire, “não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.

Nossos dias se chamam “muito trabalho”. Nosso alento, “esperança de dias melhores”.
                  Nei Alberto Pies -  Professor e ativista de direitos humanos
                                                                     
                                                                                                   http://www.entrelacos.blogger.com.br/

sexta-feira, 14 de outubro de 2011


EMEF Profº Fernando Pantaleão

Língua Porutuguesa - Artigo de Opinião  - Argumentação - 9ºs. 4º Bimestre 2011


Felicidade

            A felicidade é aquilo que todos buscam, adotando, porém, caminhos diversos para alcançá-la. Uns imaginam   encontrá-la através das riquezas, porque supõem que com dinheiro tudo se compra e que a felicidade é uma mercadoria como outra qualquer. A verdade, porém, é que há muitos ricos que morrem de tédio, e que as mais altas taxas de suicídio se registram nos países e nas camadas mais ricas. Outros, imaginam encontrar a felicidade na afluência de prazeres; desde os mais altos prazeres do espírito, o prazer da descoberta e da criação intelectual, o prazer estético, até os prazeres que mais de perto confiam com a animalidade: a sexualidade e a glutoneria. Outros, enfim, esperam alcançá-la na fruição da honra, do prestígio que acompanha, em geral, o exercício do poder. No entanto, é certo que o dado mais confirmado na experiência e da sabedoria humana é este: a felicidade, no seu sentido pleno, é inatingível na Terra. Na melhor das hipóteses, quando o homem, mediante os mais penosos esforços, conquistou o poder, os prazeres ou a riqueza, nos quais cria encontrar a chave da felicidade, atingiu já o início de um período de senescência que lhe limita as possibilidades subjetivas de fruição daquilo que ambicionara. Aí reside o que poderíamos chamar o paradoxo ou o equívoco fundamental da felicidade: sempre desejada e nunca realizável.

(Fernando Bastos de Ávila)


1)  Segundo o autor, quais são os três supostos caminhos que levariam o homem à felicidade?

2)  Qual a conclusão do autor a respeito da “felicidade”?

3)  Delimite o texto em introdução, desenvolvimento e conclusão; resumindo-o:

4)  Comente e opine sobre o trecho: “...com dinheiro tudo se compra e que felicidade é uma mercadoria como outra qualquer”:

5)  Você concorda com tudo o que o autor afirma no texto? Se não, esclareça os pontos em que você discorda, justificando suas opiniões, claro!

6)  Pra você, o que é felicidade? Escreva um pequeno poema, em verso, respondendo a esta pergunta, com várias respostas;

7)  Você é feliz? Por quê? 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Análise Textual

                   Língua Portuguesa - Atividade Leitura - 8o. Anos - 4º Bimestre / 2011

TORPEDOS

              Moacyr Scliar


            Apesar do fracasso dos quatro vestibulandos que haviam tentado fraudar a prova mediante mensagens pelo celular, ela decidiu fazer a mesma coisa. Em primeiro lugar, porque morava numa cidade muito menor que o Rio, na qual as medidas de segurança não eram tão rigorosas. Depois, não recorreria a quadrilha nenhuma, coisa que, segundo imaginava, tornava a operação vulnerável. Em terceiro lugar, não tinha outra opção: não sabia quase nada, e era certo que seria reprovada. Por último, havia uma coincidência favorável: estava com o antebraço esquerdo engessado. Nada preocupante, e na verdade ela até poderia ter tirado o gesso, mas não o fizera e agora contava com um ótimo esconderijo para o celular. Quem mandaria o gabarito? O namorado, claro. Rapaz inteligente (já estava cursando a faculdade), ele só teria de perguntar as questões para alguém que tivesse terminado a prova e enviar o gabarito por torpedo. Quando ela fez a proposta ao rapaz, ele pareceu-lhe um tanto relutante, incomodado mesmo. E no dia do vestibular ela descobriu por quê. Quarenta minutos depois de iniciada a prova, ela recebeu o tão esperado torpedo. Para sua surpresa, não continha o gabarito, e sim uma mensagem: "Sinto muito, mas não posso continuar namorando uma pessoa tão desonesta. Considere terminada a nossa relação. PS: boa sorte no vestibular". Com o que ela foi obrigada a concluir: tão importante quanto o torpedo é aquele que dispara o torpedo.

VOCABULÁRIO

Encontre, no texto, palavras sinônimas de:

a .frágil         b. rígidas, severas         c .respostas          d. fato simultâneo       e. contrário


INTERPRETAÇÃO

1) Sobre o que trata a crônica de Moacyr Scliar?

2) Quem são as personagens da crônica e que tipo de relacionamento elas têm?

3) Qual foi o conteúdo do “torpedo” que surpreendeu a personagem? Quando foi enviado e quem o enviou?

4) O autor faz uma brincadeira com a palavra “torpedo”. Quais os dois sentidos utilizados para torpedo?