segunda-feira, 17 de outubro de 2011

EMEF Profo. Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa – Artigo de Opinião – Análise Textual – 9º. Ano  4º Bimestre /2011

Fazer o que se gosta

A escolha de uma profissão é o primeiro calvário de todo adolescente. Muitos tios, pais e orientadores vocacionais acabam recomendando “fazer o que se gosta”, um conselho confuso e equivocado.
Empresas pagam a profissionais para fazer o que a comunidade acha importante ser feito, não aquilo que os funcionários gostariam de fazer, que normalmente é jogar futebol, ler um livro ou tomar chope na praia.
Seria um mundo perfeito se as coisas que queremos fazer coincidissem exatamente com o que a sociedade acha importante ser feito. Mas, aí, quem tiraria o lixo, algo necessário, mas que ninguém quer fazer?
Muitos jovens sonham trabalhar no terceiro setor porque é o que gostariam de fazer. Toda semana recebo jovens que querem trabalhar em uma consultoria, num projeto social. “Quero ajudar os outros, não quero participar desse capitalismo selvagem”. Nesses casos, peço que deixem comigo os sapatos e as meia e voltem para conversar em uma semana.
É uma arrogância intelectual que se ensina nas universidades brasileiras e um insulto aos sapateiros e aos trabalhadores dizer que eles não ajudam os outros. A maioria das pessoas que ajudam os  outros o faz de graça.
As coisas que realmente gosto de fazer, como jogar tênis, velejar e organizar o Prêmio Bem Eficiente, eu faço de graça. O “ócio criativo”, o sonho brasileiro de receber um salário para “fazer o que se gosta”, somente é alcançado por alguns professores felizardos de filosofia que podem ler o que gostam em tempo integral.
O que seria de nós se ninguém produzisse sapatos e meias, só porque alguns membros da sociedade só querem “fazer o que gostam”? Pediatras e obstetras atendem às 2 da manhã. Médicos e enfermeiras atendem aos sábados e domingos não porque gostam, mas porque isso tem de ser feito.
(...) Eu respeito muito mais os altruístas que fazem aquilo que tem de ser feito do que os egoístas que só querem “fazer o que gostam”.
Então teremos de trabalhar em algo que odiamos condenados a uma vida profissional chata e opressiva? Existe um final feliz. A saída para esse dilema é aprender a gostar do que você faz. E isso é mais fácil do que se pensa. Basta fazer seu trabalho com esmero, bem feito. Curta o prazer da excelência. O prazer estético da qualidade e da perfeição.
(...)
Se quiser procurar algo, descubra suas habilidades naturais, que permitirão que realize seu trabalho com distinção e o colocarão à frente dos demais. Muitos profissionais odeiam o que fazem porque não se prepararam adequadamente, não estudaram o suficiente, não sabem fazer aquilo  que gostam, e aí odeiam o que fazem mal feito.
(...)
Se você não gosta de seu trabalho, tente fazê-lo bem feito. Seja o melhor em sua área, destaque-se pela precisão. Você será aplaudido, valorizado, procurado, e outras portas se abrirão. Começará a ser até criativo, inventando coisa nova, e isso é um raro prazer.
Faça seu trabalho mal feito e você odiará o que faz, odiando a sua empresa, seu patrão, seus colegas, seu país e a si mesmo.
STEPHEN KANITS é administrador por Harvard. In Veja. São Paulo, 24nov.2004,p.22.

Analisando o texto

1. Quem é o autor do texto?
2. Este é um texto em que predomina a informação ou a opinião?
3. O seu texto merece credibilidade? Explique.
4. Que ideia do senso comum é combatida no texto?
5. Stephen Kanitz defende uma ideia nesse texto. Qual é ela?
6. Por que é dito que a escolha da profissão “É o primeiro calvário de todo  adolescente”?
7. Você concorda com essa opinião do autor? Justifique.
8. Releia:  A escolha de uma profissão é o primeiro calvário de todo adolescente. Muitos tios, pais e orientadores vocacionais acabem recomendando “fazer o que se gosta”, um conselho confuso e equivocado.
O conselho de que se deve “fazer o que se gosta” é classificado como confuso e equivocado.
a. Por que é confuso ?
b. Por que é equivocado?
9. O texto não se refere a uma profissão em particular.
a. De acordo com o texto há profissões mais importantes que as outras?
b. Você concorda com essa opinião? Justifique a sua resposta.
10. Qual a solução que o autor apresenta para o fato de que na profissão, em geral, não fazemos o que gostamos?
11. Releia os dois últimos parágrafos. Você concorda com a opinião ali expressa?
12. Essa opinião é coerente com a ideia presente no início do texto? Explique.

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