terça-feira, 1 de novembro de 2011

Conto de realismo mágico

EMEF Profº. Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa -  Análise Textual - Gênero conto de realismo mágico -  8º Ano - 4º Bimestre 2011.

Há contos em que a ação transcorre em um mundo muito parecido com o nosso: sem fadas ou bruxas, deuses ou monstros. No entanto, acontecimentos estranhos aparentemente sobrenaturais e absurdos, sem explicação no mundo real, vão se sucedendo apesar da ausência desses personagens. Esse contos fazem parte do universo do realismo mágico.

         REALIDADE       +      FATO  (absurdo ou inexplicável)    =    REALISMO  MÁGICO

Muitos contos do realismo mágico usam universo do absurdo para representar os mistérios da vida e os conflitos humanos.

                                                                   Texto I


                                                                    O  rio

O homem viu o rio e se entusiasmou pela sua beleza. o rio corria pela planície, contornando árvores e  molhando grandes pedras. Refletia o sol e era margeado por grama verde e macia.
O homem pegou o rio e o levou para casa, esperando que, lá, ele lhe desse a mesma beleza. Mas o que aconteceu foi sua casa ser  inundada e suas coisas levadas pela água.
O homem devolveu o rio à planície. Agora quando lhe falam das belezas que antes admirava, ele diz que não se lembra . Não se lembra das planícies, das grandes pedras, dos reflexos do sol na grama verde e macia. Lembra-se apenas da sua casa alagada e de suas coisas perdidas pela corrente.

                      FRANÇA JÚNIOR, Oswaldo. As laranjas iguais. São Paulo. Nova Fronteira. 1985, p.13.

Questões textuais

1. Que partes do texto nos permitem afirmar que os acontecimentos transcorrem em um mundo real?

2. A partir de que momento da narrativa ocorrem fatos que não podem ser explicados segundo as leis do nosso mundo?

3. Que reflexões o conto proporciona?  Discuta com seus colegas e professor e registre suas conclusões.
      
                                                                    TEXTO  II

                                                              FURTO  DE  FLOR

Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava, e eu furtei a flor.
Trouxe-a  para a casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.
Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem.
Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la  ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara eu a via morrer.
Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:
— Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!

ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos Plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985, p.80.

Questões textuais

1. O narrador nutre pela flor um sentimento de respeito, ternura e consideração. Que atitudes dele comprovam isso?

2. "Eu a furtara, eu a via morrer". Que sentimentos negativos o narrador deixa transparecer com a repetição da palavra "eu" nessa frase?

3. Releia este trecho:

"Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara "
a.  Que palavras e expressões foram usadas para dizer que a flor já não tinha mais vida?

b. O que sugere o gesto do narrador ao recolocar a flor no jardim?

4. O narrador usou a expressão "depositar a flor". Que palavras o porteiro usou para referir-se a esse gesto? O que sugere cada uma das expressões?

5. A censura do porteiro proporciona uma continuidade ao tom melancólico da narrativa ou provoca um ruptura? Explique.

6. Em que se parecem o narrador de "Furto de flor!" e o homem do conto "O rio" ?


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