segunda-feira, 14 de novembro de 2011


                            Atividade Textual -  gênero narrativa de aventura - 7o. ano - 4º Bimestre 2011

No interior da Terra, os três viajantes vivem várias aventuras. Axel se perde e termina por se ferir. Porém por meio de estranho fenômeno de efeito acústico, ele é encontrado por seu tio e Hans. Os três continuam o percurso, seguindo as orientações deixadas pelo alquimista. Chegam a um grande mar e constroem uma jangada a fim de cruzá-lo.

                                                                    Capítulo XXXIII

                Sábado, 15 de agosto — O mar ainda continua sua tediosa uniformidade. Nenhuma terra à vista. O horizonte parece afastado demais.
                Minha cabeça ainda está atordoada pela intensidade do meu sonho.
                Quanto ao meu tio, ele não sonhou, mas está de mau humor. Com sua luneta, investiga todos os pontos do espaço e cruza os braços com um ar de indignação.
                Constato que o prof. Lidenbrock vai voltando a ser o homem impaciente que era, e registro o fato em meu diário. Foi preciso que eu passasse por muitos perigos e sofrimentos para arrancar dele algum sinal de humanidade. Mas, depois de minha cura, a natureza retomou o seu lugar.E, apesar de tudo, por que exaltar? A viagem não está transcorrendo nas circunstâncias mais favoráveis? A jangada não está indo a excelente velocidade?
                — O senhor parece inquieto , tio. O que foi? — digo, ao ver que ele não parava de levar a luneta aos olhos.
                — Inquieto ? Não.
                — Impaciente, então?
                —Para dizer o mínimo!
                — Mas estamos indo a uma velocidade...
                — O que importa? Não é a velocidade que é muito pequena. É o mar que é muito grande!
                Eu me lembro então de que o professor, antes de nossa partia calculava em cerca de  cento e quarenta quilômetros o comprimento deste oceano subterrâneo. Na verdade, percorremos um caminho três vezes maior, e as margens do sul ainda não apareceram.
                — Não vamos descer mais! — continua o professor. — É perda de tempo e, afinal, não vim tão longe para uma regata num charco!
                Ele chama esta travessia de regata e este mar de charco!
                — Mas — digo então —  já que estamos seguindo a rota indicada por Saknusseimm...
                — Este é o problema. Será que seguimos mesmo a rota? Será que Saknusseimm encontrou esta extensão de água? Será que ele fez esta travessia? O córrego que pegamos como guia não terá nos enganado totalmente?
                — De qualquer forma , não podemos lamentar ter  chegado até aqui. Este espetáculo é fantástico e...
                — Não se trata de turismo.u me propus uma meta e quero alcançá-la! Por isso, não venha me falar em admirar a paisagem!
                Eu me dou por vencido e deixo p professor morder os lábios de impaciência. Às seis da tarde, Hans reclama seu pagamento e recebe três risdales.

                Domingo, 16 de agosto — Nada de novo. O tempo é o mesmo. O vento apresenta ligeira tendência a ficar mais fresco. Ao acordar, minha primeira preocupação é constatar a intensidade da luz. Sempre receio que o fenômeno elétrico venha a se reduzir e, depois a se extinguir. Mas não é nada disso: A sombra da jangada desenha-se  com clareza na superfície das ondas.
                Este mar, de fato, é infinito! Deve ter a largura do Mediterrâneo, ou mesmo a do Atlântico. Por que não?
                Meu tio faz diversas sondagens na água. Amarra um dos picões mais pesados na extremidade de uma corda, que ele deixa descer duzentas braças. Não chega ao fundo. Temos muita dificuldade de trazer a sonda de volta.
                Quando o picão é trazido a bordo, Hans chama minha atenção para as marcas bem visíveis em sua superfície. Parece que o pedaço de ferro foi fortemente prensado entre dois corpos rígidos.
                Olho para o caçador.
                — Tänder ! — diz ele.
                Não compreendo e me volto para o meu tio, que está inteiramente distraído em suas reflexões. Não me atrevo a perturbá-lo. Viro-me então para o islandês que, abrindo e fechando várias vezes a boca, faz com que eu compreenda seu pensamento.
                — Dentes!— digo, espantado, olhando mais atentamente a barra de ferro.
          — Claro! A marca no metal foi feita por dentes! As mandíbulas a que eles pertencem devem possuir uma força prodigiosa! Será um monstro das espécies perdidas que se agita nas profundezas, mais voraz que o tubarão, mais temível que a baleia? Não consigo tirar os olhos da barra meio roída! Será que o meu sonho da última noite vai se tornar realidade?
                Durante todo o dia, estes pensamentos me perseguem, e é com dificuldade que a minha imaginação se acalma quando durmo algumas horas. [...]
               
                Terça-feira, 18 de agosto — Vem a noite, ou melhor, o momento em que o sono pesa em nossas pálpebras, já que não existe noite neste oceano e a luz implacável teima em cansar nossos olhos, como se estivéssemos navegando com o sol dos mares árticos. Hans está ao leme, e, durante seu turno, adormeço.
                  Duas horas depois, acordo com um solavanco assustador. A jangada é levada acima das ondas e atirada com uma força indescritível a dez metros de distância.
                — O que foi isso? — grita meu tio. — Fomos atacados?
                Hans aponta para uma massa escura a um distância de uns cem metros, que se eleva e mergulha várias vezes. Observe esse grito:
                — É um golfinho gigante!
                — É — replica meu tio — , e, olhe agora, um lagarto marinho de um tamanho incomum!
                — E, lá adiante, um crocodilo monstruoso! Olhe só o tamanho de sua mandíbula e as fileiras de dentes que ele tem. Ah, ele sumiu!
                — Uma baleia! Uma baleia! — grita, então o professor. —Estou vendo suas nadadeiras enorme!. Veja o ar e a água que ela solta pelas narinas!
                De fato, duas colunas líquidas elevam-se a considerável altura acima do mar. Ficamos surpresos, boquiabertos. apavorados diante desse rebanho de monstros marinhos. São de dimensões sobrenaturais, e o menor deles conseguiria partir a jangada com uma simples dentada. Hans tenta conduzir a jangada para o vento, a fim de fugir dessa vizinhança perigosa, mas percebe que no outro lado existem inimigos não menos ameaçadores: uma tartaruga de uns treze metros de largura e uma serpente de dez metros de comprimento que lança sua descomunal cabeça acima das ondas.
                É impossível fugir. Os répteis aproximam-se e rodeiam a jangada com uma velocidade que nem as mais rápidas locomotivas conseguiriam igualar. Fazem círculos concêntricos a nosso redor. Pego minha carabina. Mas o que pode uma bala fazer na carapaça que recobre o corpo desses animais?
                Estamos mudos de pavor. Estão se aproximando, de um lado o crocodilo de outro a serpente. O resto do rebanho marinho desapareceu. Estou pronto para atirar, mas Hans me faz sinal que não atire. Os dois monstros passa a vinte e cinco metros da jangada e atiram-se um sobre o outro, numa fúria que os impede de nos ver.
                O combate acontece a cinquenta metros da jangada. Podemos ver claramente os dois monstros em luta.
                Mas me parece que agora os outros animais estão vindo participar da briga, o golfinho, a baleia, o lagarto e a tartaruga. A cada instante é um que vejo, e vou mostrando  ao islandês, mas este balança a cabeça e me contesta:
                —Tva.
                —O quê? Dois? Ele acha que apenas são dois animais...
                — Ele tem razão — exclama meu tio, que olha sempre com a luneta.
                — Não é possível!
                — É sim! O primeiro monstro tem o focinho de um golfinho, a cabeça de um lagarto , os dentes de um crocodilo, e é por isso que nos enganou. É o mais terrível dos répteis antediluvianos, o ictiossauro!
                — E o outro?
                — O outro é uma serpente dentro da carapaça de uma tartaruga, o inimigo mortal do primeiro, o plesiossauro!
                Hans está certo. São apenas dois monstros que agitam a superfície do mar, dois répteis dos oceanos primitivos. Consigo ver o  olho do ictiossauro sangrar, grande como a cabeça de um homem. Ele recebeu da natureza um aparelho visual muito potente capaz de resistir à pressão  das camadas de água das profundezas em que ele habita. Considerado com razão, a baleia dos sáurios, pois tem sua rapidez e seu porte. Deve medir mais de trinta metros, e isso eu calculo quando ele levanta acima das ondas as nadadeiras verticais de sua cauda. A mandíbula é enorme e, de acordo com os naturalistas, tem cento e oitenta e dois dentes.
                O plesiossauro, uma serpente de tronco cilíndrico e cauda curta, tem as patas dispostas em forma de galho. Seu corpo é revestido por uma carapaça, e seu pescoço, flexível como o do cisne, eleva-se a dez metros acima da superfície da água.
                Tais animais lutam com uma fúria indescritível. Agitando tanto a água  que as ondas chegam à jangada. Estivemos a ponto de naufragar umas vinte vezes. Podemos ouvir assovios muito intensos dos dois animais, que estão engalfinhados. Não consigo distinguir um do outro . Em todo caso temos de nos preocupar com a raiva  do vencedor.
                Uma, duas horas se passam. A luta continua encarniçada. Os combatentes ora se aproximam da jangada, ora se afastam. Ficamos imóveis prontos para abrir fogo.
                De repente, o ictiossauro e o plesiossauro desaparecem, escavando um verdadeiro redemoinho no meio das ondas. Vários minutos se passam. Será que a luta vai terminar no fundo do mar?
                Logo em seguida, sai uma cabeça para fora da água, a cabeça do plesiossauro. O monstro está mortalmente ferido e não vejo mais sua imensa carapaça. Apenas seu longo pescoço se ergue, cai, levanta-se de novo, curva-se, açoita as ondas como um gigantesco chicote  e se contorce como uma minhoca partida. A água é espirrada a grande distância e ofusca nossa visão. Mas logo a agonia do réptil chega ao fim, seus movimentos diminuem , suas contorções se acalmam, e esse comprido pedaço de cobra estende-se como uma massa inerte sobre as ondas tranquilas do mar.
                Quanto ao ictiossauro, será que voltou a sua caverna submarina ou vai surgir de novo na superfície do mar.?

Júlio Verne. Viagem ao centro da Terra, 2.ed. Tradução : Cid Knipel Moreira. São Paulo: Áticas, 1997. p. 166-172.
               
                       

Estudo do Texto

1. Em que lugar ocorre a ação narrada no trecho do capítulo XXXIII ?

2. Qual é a causa da impaciência do  prof. Lidenbrock no começo do trecho lido?

3. No início do capítulo XXXIII, Axel embora atordoado por um pesadelo, mostra-se satisfeito. Retire do texto duas expressões que comprovam esta afirmação.

4. Numa narrativa, durante o desenvolvimento do conflito, existe sempre um instante de maior tensão chamado clímax.

a. Quais são os dois sinais apontados pelo narrador?
b. Qual é o clímax do capítulo XXXIII que você leu?

5. Quais era os medos da tripulação da pequena jangada enquanto assistiam à luta dos  monstros?

6. No capítulo XXXIII da aventura, você encontra três datas que organizam a narrativa: Sábado, 15 de agosto; Domingo, 16 de agosto; Terça-feira , 18 de agosto. A que se referem essas datas? Por que o narrador as usa?

7. Em que tempo verbal se encontra a maioria dos verbos  empregados pelo autor nesse capítulo? Explique.

8. Ordene os fatos principais do fragmento do capítulo XXXIII, de Viagem ao centro da Terra, tal como é narrado no texto.

a. Em uma das sondagens feitas na água com um picão, são percebidas marcas de dente no pedaço de ferro.

b. O ictiossauro vence o plesiossauro, cujo corpo se estende inerte sobre a superfície marinha.

c. Impaciente com o fato de não avistar a margem sul do mar que percorrem, o prof. Lidenbrock reclama.

d. A jangada é levantada acima das ondas e atirada com força indescritível a dez metros de distância.

e. Um combate entre diversos monstros acontece a 50 metros da jangada em que se encontram os protagonistas.

               

Referência

RODELLA, Gabriela. NIGRO, Flávio. CAMPOS, João. Português: A arte da palavra. 7º ano. São Paulo: AJS, 2009.

Um comentário:

  1. queria as respostas das perguntas do livro de junior verne viagem ao centro da terra

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