quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Leitura de Férias I

                                                                Ivan Cabral / http://www.ivancabral.com/


                                            O homem que espalhou o deserto


            Quando menino,  costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras , abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara e onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava  , assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava o seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome, filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco, apesar do dia-a-dia, constante, de manhã à noite.
            Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ir à escola, não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando-as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas tesouras polidas.
            A mãe, muito contente, apesar de o filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como os outros meninos do quarteirão, não frequentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas exageradamente se postavam às janelas, chamando os incautos. Seu único prazer eram as tesouras e o corte das folhas.
            Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior.Quarenta dias para o abacateiro que era imenso, tinha mais de cinquenta anos. E seis meses depois,quando concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar.
            Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores tinha afugentado pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que de nada adiantaria podar as folhas. Elas se recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto, ele demorou meses para encontrar a solução: um machado.
            Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro.Levou dez dias, porque não estava habituado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram.Adquirida a prática, limpou o quintal e descansou aliviado.
            Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava árvore, capões, matos atacava, limpava,deixava os montes de lenhas arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos nãose importavam, estavam em vias de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo mesmo.
            E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com o seu instrumento. Onde quer que precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar uma agenda. Depois, auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados, abrigar seus operários devastadores. Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro. Mandou assistente fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar.
E  enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do deserto. E os homens mandaram plantar árvores.E enquanto as árvores eram plantadas, o homem do machado ensinava ao filho a sua profissão.

   LOYOLA BRANDÃO, Ignácio de. O homem que espalhou o deserto. In: Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1983, v. 8, p. 42-4.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mensagem



A todos que fazem partem da blogosfera  VISITANTES ,  AMIGOS QUERIDOS,  FREQUENTES E CORDIAIS, desejo-lhes um NATAL  de luminosidades e  esperanças.






Que a estrela do MENINO DEUS  paire em seus corações trazendo-lhes sonhos, encantos,amores, solidariedade e muita ternura.
Comemoremos com alegria O ANIVERSÁRIO DE JESUS, dado que não devemos esquecer NA NOITE FELIZ.
Um abraço de amplidão a todos vocês  e  muitas bençãos do CÉU  em suas vidas.

                                                            Aureliano

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Humor

                                                                                                                       www.mentirinhas.com.br


Testando a leitura


De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo. Mituo lagel !

Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito.

35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!

Um livro


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Leitura sempre



1. A leitura estimula a memória expandindo a capacidade de nossa mente.

2. A leitura é combustível inesgotável para a imaginação.

3. A leitura dá  às palavras instrumentos para expressar nossos sentimentos.

4. A leitura nos aproxima da compreensão do mundo e do autoconhecimento.

5. Ao ler, deparamo-nos com aquilo que pensamos com nossas crenças.

6.  É possível “experimentar” com a leitura sem de fato experimentar fisicamente.

7. O ato de ler naturalmente leva a escrever e amplia nossa capacidade para escutar.

8. A leitura  constrói sonhos e nos impulsiona a  realizá-los.

9. A leitura desconhece a solidão e nos permite estar sempre acompanhados.

10. Ler eleva a autoestima.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Proclamação da República


Por que dia 15 de novembro é feriado?

Feriado é muito bom, não é ?  Mas que feriado é esse de   15/11?  Pois é ,  demos graças ao Marechal Deodoro da Fonseca, militar e político brasileiro, que, no dia 15 de novembro de 1889, proclamou a República Brasileira, derrubando a monarquia constitucional parlamentarista do Império do Brasil e pondo fim à soberania de Dom Pedro II.




Crise da Monarquia

A crise do sistema monárquico brasileiro pode ser explicada através de algumas questões:
- Interferência de D.Pedro II nos assuntos religiosos, provocando um descontentamento na Igreja Católica;
- Críticas feitas por integrantes do Exército Brasileiro, que não aprovavam a corrupção existente na corte. Além disso, os militares estavam descontentes com a proibição, imposta pela Monarquia, pela qual os oficiais do Exército não podiam se manifestar na imprensa sem uma prévia autorização do Ministro da Guerra;
- A classe média (funcionário públicos, profissionais liberais, jornalistas, estudantes, artistas, comerciantes) estava crescendo nos grandes centros urbanos e desejava mais liberdade e maior participação nos assuntos políticos do país. Identificada com os ideais republicanos, esta classe social passou a apoiar o fim do império;
- Falta de apoio dos proprietários rurais, principalmente dos cafeicultores do Oeste Paulista, que desejavam obter maior poder político, já que tinham grande poder econômico;
Diante das pressões citadas, da falta de apoio popular e das constantes críticas que partiam de vários setores sociais, o imperador e seu governo, encontravam-se enfraquecidos e frágeis. Doente, D.Pedro II estava cada vez mais afastado das decisões políticas do país. Enquanto isso, o movimento republicano ganhava força no Brasil.
A Proclamação da República
No dia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, com o apoio dos republicanos, demitiu o Conselho de Ministros e seu presidente. Na noite deste mesmo dia, o marechal assinou o manifesto proclamando a República no Brasil e instalando um governo provisório.
Após 67 anos, a monarquia chegava ao fim. No dia 18 de novembro, D.Pedro II e a família imperial partiam rumo à Europa. Tinha início a República Brasileira com o Marechal Deodoro da Fonseca assumindo provisoriamente o posto de presidente do Brasil. A partir de então, o pais seria governado por um presidente escolhido pelo povo através das eleições. Foi um grande avanço rumo a consolidação da democracia no Brasil.

Fonte:  Universia  Brasil

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Leitura e análise texto de opinião


EMEF Profº Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa - Artigo de Opinião  - Argumentação - 9ºs. 4º Bimestre 2012





Felicidade

                A felicidade é aquilo que todos buscam, adotando, porém, caminhos diversos para alcançá-la. Uns imaginam   encontrá-la através das riquezas, porque supõem que com dinheiro tudo se compra e que a felicidade é uma mercadoria como outra qualquer. A verdade, porém, é que há muitos ricos que morrem de tédio, e que as mais altas taxas de suicídio se registram nos países e nas camadas mais ricas. Outros, imaginam encontrar a felicidade na afluência de prazeres; desde os mais altos prazeres do espírito, o prazer da descoberta e da criação intelectual, o prazer estético, até os prazeres que mais de perto confiam com a animalidade: a sexualidade e a glutoneria. Outros, enfim, esperam alcançá-la na fruição da honra, do prestígio que acompanha, em geral, o exercício do poder. No entanto, é certo que o dado mais confirmado na experiência e da sabedoria humana é este: a felicidade, no seu sentido pleno, é inatingível na Terra. Na melhor das hipóteses, quando o homem, mediante os mais penosos esforços, conquistou o poder, os prazeres ou a riqueza, nos quais cria encontrar a chave da felicidade, atingiu já o início de um período de senescência que lhe limita as possibilidades subjetivas de fruição daquilo que ambicionara. Aí reside o que poderíamos chamar o paradoxo ou o equívoco fundamental da felicidade: sempre desejada e nunca realizável.
                                                                                                                                                                                                                               (Fernando Bastos de Ávila)

1)  Segundo o autor, quais são os três supostos caminhos que levariam o homem à felicidade?
2)  Qual a conclusão do autor a respeito da “felicidade”?
3)  Delimite o texto em introdução, desenvolvimento e conclusão; resumindo-o:
4)  Comente e opine sobre o trecho: “...com dinheiro tudo se compra e que felicidade é uma mercadoria como outra qualquer”:
5)  Você concorda com tudo o que o autor afirma no texto? Se não, esclareça os pontos em que você discorda, justificando suas opiniões, claro!
6)  Pra você, o que é felicidade? Escreva um pequeno poema, em verso, respondendo a esta pergunta, com várias respostas;
7)  Você é feliz? Por quê? 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Gênero - Artigo de Opinião

EMEF Profº Fernando Pantaleão
 Língua Portuguesa - Leitura e Análise Textual- Artigo de opinião - 9º Ano

                                                                      Stress

          Todo mundo já percebeu que stress é uma das palavras mais utilizadas nos dias de hoje. Mas será que as pessoas sabem de fato o que significa isso? Não. Na verdade, são poucas as pessoas que sabem qual o significado exato dessa palavra ou de seus mecanismos no corpo.
           A princípio, não se pode considerar o stress coisa inerentemente destrutiva. Na realidade, ele reflete nosso desejo natural e positivo de viver a vida intensamente e assim, podermos ser felizes. Então, já podemos prever que stress envolve nossos desejos. É o motor de nosso estímulo e, assim, é que nos leva a obter aquilo que desejamos.     Portanto, é natural que, em um mundo como o nosso, a felicidade implique determinados desafios e vencê-los implique o surgimento de algum tipo de stress.

     
       A cada desafio, sofremos desgastes de ordem mental e física para solucioná-los. O stress é um mecanismo que envolve uma infinidade de processos químicos no interior do nosso corpo e faz com que as suas características fiquem alteradas num dado momento. A isso se chama Mecanismo de Adaptação. Na medida em que estamos vivos, vamos estar sempre perseguindo um ou outro objetivo e isso, por si só, implica ficar estressado.
           Normalmente ouvimos as pessoas se referindo aos efeitos nocivos do stress. Mas deveríamos pensar que há um continuum entre o bom e o mau stress. Se não tivermos nenhum stress, não ficaremos motivados sequer a sair da cama porque não haverá nada que nos faça levantar e sair para a vida. Faltariam estímulos. Entretanto, um stress além da conta faz com que você fique ansioso, esgotado, pressionado. Dá aquele vazio no estômago e o pensamento perde a precisão. Há desânimo, dores de cabeça e até mesmo hipertensão.
          Um stress muito forte pode significar que você está passando por crises em sua vida. Essas crises podem ocorrer em função de mudanças em sua vida. E essas mudanças podem ser em grande número ou poucas, mas de grande significação.

  Mário Quilici    - 1999 - www.psipoint.com.br/arquivo_psicossoma_stress.htm 

Questões Textuais

 1) Qual é a intenção do texto? 

 2) A qual leitor se destina o texto Stress? 

 3) O leitor que se julgar vítima de stress poderá se identificar com os argumentos utilizados pelo autor? Por quê? 

 4) Qual é o tipo de argumento predominante no texto Stress?

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Narrativa de Aventura


EMEF Profº Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa – Narrativa de Aventura – Análise Textual – 7º Ano 4º Bimestre /1012

Narrativas de Aventura – Leitura , Análise Textual  

Robinson Crusoé é um livro que trata das aventuras de um rapaz que, aos dezoito anos, decide abandonar o lar para ser marinheiro. Veja o capítulo inicial de uma versão de “Robinson Crusoé” – momento em que o protagonista deve tomar uma decisão que determinará o seu destino.

ROBINSON CRUSOÉ
Daniel Defoe

1ª Parte – Aventura no sangue




Apelo irresistível

                Nasci na cidade de Iorque, Inglaterra, no ano de 1632. Meus pais eram típicos representantes da classe média. Aliás, orgulhavam-se disso. Estrangeiro de Bremen, Alemanha, meu pai instalou-se inicialmente em Hull, uma pequena cidade a leste da Inglaterra. Tornou-se um próspero comerciante para depois abandonar seu negócio e ir viver descansando em Iorque. Foi aí que conheceu e casou com minha mãe, de sobrenome Robinson, nascida  numa das famílias mais conhecidas da região. Quando me dei por gente, já carregava o sobrenome de Robinson Kreutznaer, os dois nomes lembrando as origens familiares. Demorou pouco para ser chamado de Robison Crusoé: talvez pela natural tendência dos povos para nacionalizarem nomes, ou então pela característica da minha região natal de abreviar e simplificar as palavras.
Tive dois irmãos mais velhos. Um deles era tenente-coronel da infantaria inglesa e foi morto numa batalha contra os espanhóis, perto de Dunquerque, no norte da França. Nunca soubemos, meus pais e eu, o que aconteceu com meu outro irmão. Simplesmente “evaporou-se”, sem deixar rastro, sem enviar notícias.
Filho caçula, haviam-me reservado um futuro exemplar: a carreira de advogado, o casamento com uma moça de família tradicional, filhos, prosperidade a ponto de levar uma vida sem sobressaltos ou apertos financeiros, velhice pacata... Enfim, uma vida sem grandes glórias, mas igualmente a salvo de sofrimentos e desgraças... Meus sonhos, porém, eram outros: queria viajar, conhecer o mundo, viver emoções e aventuras...
Minha mãe tentou dissuadir-me usando seus melhores argumentos: alternava momentos de carinho com outros de saudade antecipada, os olhos ameaçando avermelhar-se de choro contido. Ingredientes que, ao lado da preocupação maternal, sempre fizeram parte do seu jogo emocional.
A atitude de meu pai foi a esperada: assim que pressentiu o perigo de ter um aventureiro na família, chamou-me para uma conversa reservada:
– Que razões tem você para buscar a aventura, um futuro incerto? Esta sua atitude é característica de quem está
em sérias dificuldades ou então de quem quer enriquecer rapidamente... É melhor contentar-se com um  padrão devida de classe média, com garantia de paz e satisfação... Sei que pode não ser muito romântico, mas saiba que as desgraças sempre acabam por atingir os mais ricos e os mais pobres. Nunca a classe média!...
Como nada respondi, meu pai continuou:
– Isso para não falar dos aventureiros irresponsáveis. Olhe o exemplo do seu irmão: morreu numa guerra estúpida, em troca de uns poucos momentos de glória...
Ao lembrar o filho morto, meu pai permitiu que a emoção abrisse uma brecha na defesa montada em torno dos seus argumentos sempre lógicos e racionais: foi a primeira e única vez que o vi chorar. Depois concluiu:
– Não, meu filho, não vou  impedi-lo de sair de casa, de buscar seu próprio caminho. Se quiser ficar, terá todo o meu apoio. Mas, se resolver correr o mundo, não espere pela minha compreensão... É melhor que fique preparado para enfrentar problemas de toda espécie...
Sensibilizado por suas palavras, procurei, sinceramente, seguir sua orientação. Mas durou muito pouco tempo.
Menos de uma semana depois, já me empolgava com novos sonhos de viagens e aventuras. Passei a evitar conversas com meu pai: não desejava ouvir outras reprimendas.
Tentei ainda uma vez valer-me de mamãe para ganhar o consentimento paterno. Disse-lhe que a vontade de ver o mundo era tão grande que se tornava impossível contentar-me com o pequeno universo de Iorque. E mais: que já tinha dezoito anos, não aprendera ofício algum, era muito tarde para iniciar-me numa banca de advogado e que era melhor papai dar seu consentimento, assim eu sairia de casa sem ressentimentos e com sua bênção.
De nada adiantou esta conversa: além de deixar mamãe aflita, sua intercessão junto a meu pai resultou nula.Não, era inútil esperar pelo seu consentimento... A escolha teria de ser minha: podia viver feliz em casa, ou ser infeliz, perambulando sem destino pelo mundo...

DEFOE, Daniel. Robinson Crusoé: a conquista do mundo numa ilha.  Adaptação em português de Werner Zotz. São Paulo: Scipione, 2001. 49

A partir da leitura deste trecho inicial da narrativa “Robinson Crusoé”, responda às questões propostas.

1. Quais eram as expectativas dos pais de Robinson com relação ao seu futuro?

2. Estas expectativas coincidiam com os sonhos de Robinson?

3. Como a mãe tentou fazer Robinson desistir de viver emoções e aventuras pelo mundo?

4. Como o pai reagiu assim que pressentiu o perigo de ter um aventureiro na família?

5. Qual foi a primeira vez que Robinson viu seu pai chorar?

6. Que argumentos foram utilizados pelo pai de Robinson para convencer o filho a não buscar a aventura?

7. Retire, do texto, o trecho em que Robinson apresenta argumentos a sua mãe com o objetivo de obter o consentimento do pai para uma vida de aventura.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Estrutura do Artigo de Opinião


EMEF Profº Fernando Pantaleão
Gênero Artigo de Opinião - 9º Ano - 4º Bimestre 2012



Explorando a estrutura de um artigo de opinião

Conteúdo :

Neste conteúdo, você estudará sobre a estrutura composicional do artigo de opinião. Para aprofundar seus estudos consulte a bibliografia indicada:
BARBOSA, Jacqueline P. Ensino Médio em Rede – Sequencia didática – Artigo de opinião. Apostila impressa. s/d
São várias as formas de estruturar um artigo de opinião. Mas, em geral, os artigos de opinião contêm os seguintes elementos, de acordo com Barbosa (s/d):da questão em discussão.
1)   Contextualização e/ou apresentação
2)   Explicitação da posição assumida.
3)   Utilização de argumentos que sustentam a posição assumida.
4)   Consideração de posição contrária e antecipação de possíveis argumentos contrários à posição assumida.
5)   Utilização de argumentos que refutam a posição contrária.
6)   Retomada da posição assumida e/ou retomada do argumento mais enfático.
7)   Proposta ou possibilidades de negociação.
8)   Conclusão (que pode ser a retomada da tese ou posição defendida).
Observe que esses elementos podem vir em qualquer ordem e nem todos precisam aparecer num artigo de opinião.Veja como essa estruturação é feita, analisando junto comigo o artigo de opinião abaixo:
Pela descriminalização do aborto
11/05/2007
(1) "Ninguém é a favor do aborto. A pergunta  é: a mulher deve ser presa? Deve morrer?" A declaração é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Defensiva, retrata como é difícil debater a descriminalização  do aborto até 12 semanas de gestação (há um projeto em tramitação no Congresso). Pertinente, traz indagações que merecem discussão
(2) Lula tem razão  quando diz que ninguém  é a favor do aborto. Colocar a discussão nesses termos é transformar num Fla-Flu um grave problema de saúde pública que atinge sobretudo os mais pobres. É simplificar nuances legais, morais, éticas, religiosas.
(3) Segundo  dados do Ministério  da Saúde, 220 mil mulheres procuram hospitais públicos por ano para tratar de sequelas de abortos clandestinos. Há estimativas extraoficiais de que sejam realizados mais de um 1 milhão de abortos por ano no Brasil.
(4) De 1941, a lei brasileira só permite a interrupção da gravidez em dois casos: se resultado de estupro e na hipótese de risco à vida da mãe. Fora disso, é crime. A pena pode chegar a três anos de prisão.
(5) Os ministros  José Gomes Temporão (Saúde) e Nilcéa Freire (Políticas para as Mulheres) defendem  a discussão  e a eventual aprovação  no Congresso  da legalização do aborto até 12 semanas  de  gestação  --período  até  o  qual,  segundo  cientistas,  não  há  relação  entre os neurônios.
(6)  Juridicamente,  a  morte  cerebral  é  entendida  como  o  fim  da  vida.  Os  defensores  da legalização do aborto até 12 semanas, por analogia, argumentam que a vida começaria com a atividade cerebral. Daí a proposta desse prazo-limite, já adotado em países que legalizaram a interrupção da gravidez.
(7) Para o Vaticano e outro grupo de cientistas, a vida começa na concepção (fecundação do óvulo pelo espermatozoide).  E essa vida dura até seu declínio  natural. O papa, portanto, não admite aborto, inclusive nos casos previstos na lei brasileira. E também é contra a eutanásia.
(8) A Igreja Católica, o papa Bento 16 e qualquer cidadão contrário ao aborto têm o direito de defender seus pontos de vista e de lutar para que a legislação os contemple. As pessoas que desejam a legalização do aborto até 12 semanas de gestação também.
(9) Nenhuma das partes possui o direito de impor à outra o seu desejo. Numa democracia laica, essa  decisão  cabe  ao conjunto  da sociedade  e aos  legisladores  - respeitando-se, sempre, o direito das minorias.
(10) Mais: não será a legalização (ou descriminalização) do aborto até 12 semanas que obrigará as seguidoras de Bento 16 a interromper a gravidez. Não parece razoável supor que o número de abortos vá aumentar ou diminuir em função dessa eventual alteração da lei.
(11) Pesquisa Datafolha realizada em março mostrou que 65% dos entrevistados não desejam mudar a atual legislação do aborto. Ou seja, é mínima a chance de modificação via plebiscito. Ao longo do debate, talvez possa haver alteração desse quadro, mas não é o provável.
(12) Seria possível, entretanto, mostrar que a ciência avançou a ponto de poder, por exemplo, detectar uma má-formação  do feto que inviabilize  a sua vida fora do útero. Nessa hipótese, é justo impor a gestação à mulher? Enfim, um plebiscito daria pelo menos a chance de a população ficar mais esclarecida.
(13) Mas Bento 16 e a Igreja Católica não aceitam plebiscito. Acusam os defensores da descriminalização  do aborto de serem defensores  da morte. Dizem que são a favor da vida e ponto, despejando dogmas com cartesianismo fundamentalista.
(14)  Ora,  interdição  de  debate  não  dá.  Tampouco  pressão  política  sobre  o  governo  e o Congresso na base de ameaça de excomunhão.
                                                                      Kennedy Alencar. Folha Online, Pensata.

Obs: os parágrafos foram numerados a fim de facilitar a explicitação do processo de leitura.Podemos realizar uma leitura possível de um artigo de opinião utilizando a própria estrutura do texto, enunciada acima.
Vejamos como a estrutura proposta se revela no artigo em questão:
1) Nos parágrafos de 1 a 4 o autor apresenta a questão a ser discutida e contextualiza o tema em discussão, no cenário brasileiro;
2) Nos parágrafos 5 e 6, o autor explicita sua posição e argumenta a favor dela, utilizando o argumento de autoridade científica e jurídica;
3) No parágrafo 7, o autor considera a posição contrária à sua;
4) Nos parágrafos 8 a 10, o autor antecipa possíveis argumentos contrários à sua posição;
5) No parágrafo 12, o autor retoma sua posição;
6) No parágrafo 13, o autor propõe uma negociação e,
7) No parágrafo 14, ele retoma a tese (a dificuldade do debate sobre a descriminalização do aborto) e conclui.
BARBOSA, Jacqueline P. Ensino Médio em Rede – Sequencia didática – Artigo de opinião. Apostila impressa. s/d

domingo, 21 de outubro de 2012


EMEF Profº Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa  - Leitura e análise textual - 6º Ano - 4º Bimestre 2012


Gênero Carta do leitor

As cartas de leitores são textos de opinião publicados em jornais e revistas.
Seu objetivo é abrir espaço para que os leitores comentem, critiquem, opinem sobre o conteúdo anteriormente publicado.
Dessa forma, o leitor tem a oportunidade de também participar da formação da opinião pública, sempre que discordar de alguma informação, ou quiser, por exemplo, dar uma sugestão.
Antigamente, as cartas dos leitores somente eram enviadas pelo correio para as redações, endereçadas, em geral, ao editor. Atualmente, há também a possibilidade de enviá-las por email. E ainda, se o jornal ou revista for digital, podem ser feitos comentários sobre as reportagens.
Há bastante espaço para a interação



Prezado Editor,

Li a matéria publicada na edição de 6 de julho, sobre os acidentes envolvendo motociclistas, e queria dizer que discordo de uma parte do que foi escrito, ou seja, sobre os causadores dos acidentes envolvendo carros e motos, um contra o outro.
Na minha opinião, ao contrário do que foi escrito, creio firmemente que, em tais situações, quem mais causa acidentes são os condutores de veículos de QUATRO rodas, até mesmo por uma questão de lógica; sendo a moto um transporte tão vulnerável, chega a ser inconcebível e ao mesmo tempo cômico que alguém, conduzindo-a, contribua para a causa de acidentes em que se envolva, eis que muito provavelmente só danos irá colher; é o único resultado alcançado nessas situações, ou sempre quando um veículo de menor porte bate em outro de porte maior. O dito transporte (moto) é o meu preferido, para driblar o lento trânsito mossoroense, e digo que, conforme define o jornal no mesmo artigo, sou motociclista, respeito as leis do trânsito, mas vejo muitos carros cujos condutores não têm o devido respeito com a vida humana, salvo se não for imperícia propriamente dita. Os maiores sustos que tomei foram proporcionados justamente por motoristas desatentos, ou, no mínimo, descuidados: curvas malfeitas, celulares colados na orelha com só uma das mãos ao volante - e às vezes as duas coisas de uma vez só -, disputa pra pegar sinal verde – e cortá-lo se não vier outro carro em direção perpendicular -, inesperadas subidas de BR, vindos de estrada carroçável, freios bruscos e sem motivação, manobra sem sinalização prévia (dobrar sem dar sinal e vice-versa), arrancar como um jato DC-10, obrigar motociclistas a usarem de toda a habilidade - e sorte - possíveis ...
São muitas as razões que se encontram para mostrar o menosprezo de motoristas por motociclistas. Acho que isso podia ser corrigido de uma forma simples, a meu ver: bastaria que o Detran só liberasse a carteira a quem soubesse conduzir os dois veículos, para ter a medida exata do que é estar dos dois lados da situação, vendo-a por dois ângulos e entendendo a melhor, à exatidão. Representaria crescimento para o condutor, que saberia avaliar melhor a situação do outro, ensinar-lhes-ia a respeitar o trânsito e principalmente a vida. Uma vez que lida com o mais precioso dos dons, o órgão deveria ser o mais criterioso possível, fiscalizando mesmo a quem já tivesse a primeira habilitação (que deveria ser temporária ou condicional), com blitzes contínuas e sobretudo severas e minuciosas. Minha opinião, não é voz isolada; em encontros de motociclistas, esporádicos ou planejados, esse assunto sempre vem à tona. Mesmo quando se para em qualquer lugar buscando proteção da chuva, não raro sempre se relata acontecidos envolvendo os dois tipos de veículos e a conclusão a que se chega é que a culpa é do motorista do CARRO. Alguns com detalhes bizarros: um caso relatado foi o de que um carro derrubou uma moto - e o ocupante - e a condutora do veículo que bateu saiu do carro ainda falando ao celular, achando que tinha toda a razão!

                                                                                                  JB – Motociclista  de Mossoró  - RN


         No texto você pode observar a intenção do leitor “JB” de se dirigir ao editor demonstrando
respeito por mais que ele discordasse da reportagem publicada no jornal. Sempre que vamos escrever, precisamos escolher que nível de formalidade vamos dar ao nosso texto. Isso depende
da situação de comunicação e do nosso interlocutor.
            Se escrevemos para colegas numa situação de proximidade, camaradagem, utilizamos o registro informal. Esse registro permite gírias, abreviações…
            Agora, se escrevemos para alguém com quem não temos intimidade, numa situação que exija demonstrar respeito e formalidade, devemos escolher o registro formal. Esse registro exige o uso da norma padrão, ou seja, da norma culta.

Sobre o texto

1) A quem se destina a carta do leitor de Mossoró/RN?

2) Qual é o tema que, abordado no jornal Correio da Tarde, provocou, no leitor, a reação de escrever uma carta defendendo seu ponto de vista?

3) Qual a tese defendida pelo autor da carta?

4) O leitor argumenta que os motoristas de transportes de “4 rodas” não têm respeito com a vida humana.
Retire do texto os exemplos nos quais ele apoia seus argumentos.

5) O leitor apresenta uma solução para o conflito entre motoristas e motociclistas. Qual?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

                                          
                                                                    Imagem : Jean Honore Fragonard


                                 Morre lentamente quem não viaja,
                                 Quem não lê,
                                 Quem não ouve música,
                                 Quem destrói o seu amor-próprio,
                                 Quem não se deixa ajudar.

                                 Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
                                 Repetindo todos os dias o mesmo trajeto,
                                 Quem não muda as marcas no supermercado,
                                 Não arrisca vestir uma cor nova,
                                 Não conversa com quem não conhece.
                              

                                (...)
                                                    
                                                               PABLO NERUDA


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Homenagem ao Professor

                                             
                                                    O SEMEADOR E O PROFESSOR
                                             
                                              Eis que saiu o semeador a semear
                                              Sementes boas, selecionadas…
                                              E caíram as sementes em lugares diferentes
                                              No meio das pedras, por entre os espinhos,
                                              À beira do caminho…

                                              E veio o sol quente e fez secar as sementes
                                              E as que nasceram, também morreram,
                                              Abafadas pelos espinhos.

                                              Mas as que caíram em terra boa…
                                              Que maravilha!
                                              Que colheita farta, abençoada, multiplicada!

                                             Eis que saiu o professor a ensinar
                                             Com boas palavras e boa vontade
                                             Espalhou ensinamentos, ideias de liberdade.
                                             Como sementes do semeador.

                                             E a obra do professor
                                             Também não encontrou só terra boa
                                             Houve resistência das pessoas.
                                             Uns ouviram, mas não aprenderam.
                                             Outros aprenderam, mas não praticaram.
                                             Alguns nem sequer o escutaram.

                                             Mas, muitos ouviram o professor.
                                             E se tornaram cidadãos honrados
                                             Multiplicadores do saber
                                             E sempre vale a pena ser um professor!
                                             E ver o seu trabalho dar bons frutos.
                                             Como as sementes do semeador.

                                             Não importa onde, nem a quem.
                                             Ensine a gente a aprender
                                             A importância enorme do estudo.
                                             E enquanto houver um só aluno interessado
                                             Haverá sempre um professor do lado.
                                             Estendendo as mãos.

                                            O semeador continuará a semear
                                            O professor continuará a ensinar.
                                            Sementes, mentes, gente…
                                            Ainda há muito que aprender
                                            E haverá sempre frutos para colher.

                                                   Jandyra Izabel Zavatini  
                       (Professora da Escola Municipal Dr Ary da Cunha Pereira - Mandaguari -PR)


                                                            EME   Prof.  Fernando Pantaleão

        Narrativas de Aventura – Leitura , Análise Textual   e Produção Escrita   - 7º Ano – 4º Bimestre/2012

AS AVENTURAS DE TOM SAWYER

           Esta é uma narrativa divertida, que conta as aventuras de um garoto traquina que sabe ser solidário.
As   aventuras   não   são   poucas:   caças   a tesouros, visitas noturnas a cemitérios, perseguições de bandidos, e até uma enrascada em uma caverna. A grande marca desse personagem é a astúcia e esperteza empregadas para se livrar das situações perigosas em que se envolve. Mesmo  considerado rebelde por infringir algumas regras, ele sempre procura uma saída que não prejudique  ninguém. Por esta e outras características, que cabe a você descobrir, Tom Sawyer é considerado um herói entre os leitores.
         Mark  Twain,  autor de “As aventuras de Tom Sawyer”, nasceu em 1835 e morreu em 1910. Coincidentemente,o planeta Halley, que passa  pela  Terra  a cada  76  anos,  estava no interior de nosso sistema solar nessas duas datas. O escritor, segundo alguns, chegou a dizer que gostaria  de, assim como foi “trazido”, ser levado pelo cometa. Foi o que aconteceu!

Vamos à leitura de um trecho retirado da obra – o momento em que o tesouro é descoberto.

AS AVENTURAS DE TOM SAWYER

[...]
                No dia seguinte, Tom e Huck marcaram um encontro, pois tinham muito para conversar. Através do sr. Jones e da viúva Douglas, Huck inteirouse de todas as aventuras vividas por Tom e Becky.
                – Tom, não encontrei o tesouro no quarto número dois... Só garrafas de uísque.– E nem poderia encontrar, Huck, pois este tesouro nunca esteve no quarto... Está na caverna!
                – Como? – Hucky levou um susto.
                – Você me ajuda a tirá-lo de lá?
                – É claro que ajudo! Mas não quero me perder na caverna... Ainda estou bem fraco, como pode ver...
                                                                                            ( Tom)

             – Sei de outra entrada, Hucky... Foi por lá que eu e Becky saímos. Ninguém a conhece, posso garantir. Vamos precisar de pão, duas sacolas, velas, fósforos, linha de pipa.
Tão logo arrumaram as provisões, os meninos saíram em busca de um bote. Tom e Hucky colocaram tudo dentro  e desceram o rio. Nas proximidades da caverna, Tom apontou o local onde deviam atracar. Por sorte, havia feito uma marca junto a um deslizamento de terra.
                – Atrás da moita! – ele entrou no buraco e Hucky seguiu atrás. O primeiro teve o cuidado de amarrar a ponta da linha numa pedra, à entrada do buraco, para garantir retorno. Passaram silenciosamente por galerias, pela nascente onde ele e Becky ficaram até alcançarem o corredor que levava ao declive.
                – Foi lá que avistei Índio Joe! – Tom ergueu a vela para iluminar melhor o local. – Consegue ver a cruz com cera de vela na parede da caverna?
                – Sim, consigo!
                – Veja agora onde está o número dois... Embaixo da cruz, Hucky. Exatamente onde vi Índio Joe com a vela!
                – Vamos embora daqui! – Huckleberry exclamou, com medo de que o fantasma do índio viesse assombrá-los.
                – E deixar o tesouro? Nunca! A cruz tem o poder de espantar fantasmas... Índio Joe não voltaria aqui – Tom convenceu o amigo que deviam ficar para procurar o dinheiro.
                Depois de descer e examinar mais de perto, viram pegadas no barro e alguns tocos de vela. Decidiram então cavar bem ali, embaixo da fenda da rocha. Após alguns minutos, encontraram uma tábua. Ao removê-la, descobriram uma pequena entrada, que os conduziu a um esconderijo...
                – A caixa do tesouro! – os dois exclamaram ao mesmo tempo.
                – Estamos ricos!

                            (Huck)
                – Nós conseguimos!
                Tom e Huck descobriram também duas pistolas, três sapatos e um cinto de couro. Mas nada disso os interessou.
Tiraram as moedas da pesada caixa, distribuindo-as nas duas sacolas. Deixaram a caverna e olharam em volta para ver se alguém os tinha visto. Só então entraram no barco e remaram de volta ao vilarejo, ao anoitecer. Lá chegando, Tom pegou emprestada uma carriola para transportar as sacolas. Para que ninguém percebesse, cobriram-nas com sacos velhos.
                – O melhor lugar para esconder o dinheiro é o depósito de madeira da viúva Douglas! – Tom decidiu, com apoio de Hucky. Mas, ao passarem nas proximidades da casa do Sr. Jones, a caminho da casa da viúva, ele os avistou.
                – Meninos! Está cheio de gente querendo ver vocês lá na casa da viúva Douglas! Puxa, estão carregando algo bem pesado! Tijolos? – ele aproximou-se, curioso.
[...]

TWAIN, Mark. As aventuras de Tom Sawyer = The adventures of Tom Sawyer.   Adaptação e tradução Telma Guimarães. São Paulo, Editora do Brasil, 2009.


1. Identifique, neste pequeno trecho da narrativa, os elementos de uma narração

Personagem;        Tempo;              Espaço;                   Enredo;              Foco narrativo.

2. Retire do texto o trecho em que Tom revela onde está o tesouro.

3. O que Tom declara que vão precisar para a investida rumo ao tesouro?

4. Qual foi a estratégia utilizada por um dos meninos para não se perder na caverna?

5. No trecho do 9º parágrafo “Ele entrou no buraco e Hucky seguiu atrás. O primeiro teve o cuidado de amarrar a pontada linha numa pedra, à entrada do buraco, para garantir retorno.”, identifique quais são os personagens que os termos destacados  substituem.

6. Por que Huckleberry decide ir embora antes de encontrar o tesouro?

7. Como Tom consegue convencê-lo a continuar a caça ao tesouro? Retire do texto o trecho que comprova a sua resposta.

8. Explique o efeito de sentido do uso do ponto de exclamação nos trechos abaixo apresentados.

“– A caixa do tesouro! – os dois exclamaram ao mesmo tempo.”
“– Estamos ricos!”
“– Nós conseguimos!”

9. O que Tom e Hucky descobriram junto com o tesouro?

10. Qual foi o lugar escolhido para esconder o tesouro?

Produção  Escrita

O que você acha que aconteceu quando o Sr. Jones se aproximou dos meninos? Dê um fim para esta parte da história. Torne o seu texto o mais criativo possível!
E não se esqueça de buscar o livro na Sala de Leitura da sua escola, para comparar o seu texto ao que o autor escreveu.