sexta-feira, 13 de julho de 2012


 EMEF Profº Fernando Pantaleão

Gênero Conto de Fadas/Conto Maravilhoso - 6º Ano - Leitura e Análise Textual


                                   Era dia de caçada

 O príncipe acordou contente. Era dia de caçada. Os cachorros latiam no pátio do castelo. Vestiu  o  colete  de  couro,  calçou  as  botas.  Os cavalos  batiam  os  cascos  debaixo  da  janela. Apanhou as luvas e desceu.
  Lá embaixo parecia uma festa. Os arreios e  os  pelos  dos  animais  brilhavam  ao  sol. Brilhavam  os  dentes  abertos  em  risadas,  as armas, as trompas que deram o sinal de partida.
  Na floresta também ouviram a trompa e o alarido. Todos souberam que eles vinham. E cada um se escondeu como pôde.
  Só a moça não se escondeu. Acordou com o som da tropa, e estava debruçada no regato quando os caçadores chegaram.
  Foi assim que o príncipe a viu. Metade mulher, metade corça, bebendo no regato. A mulher tão bonita. A corça tão ágil. A mulher ele queria amar, a corça ele queria matar. Se chegasse perto será que ela fugia? Mexeu num galho, ela levantou a cabeça ouvindo. Então o príncipe botou a flecha no arco, retesou  a  corda,  atirou  bem  na  pata  direita.  E  quando  a  corça-mulher  dobrou  os  joelhos  tentando arrancar a flecha, ele correu e a segurou, chamando homens e cães.
  Levaram a corça para o castelo. Veio o médico, trataram do ferimento. Puseram a corça num quarto de porta trancada.
  Todos os dias o príncipe ia visitá-la. Só ele tinha a chave. E cada vez se apaixonava mais. Mas a corça-mulher só falava a língua da floresta e o príncipe só sabia ouvir a língua do palácio.
  Então ficaram horas se olhando calados, com tanta coisa para dizer.
  Ele queria dizer que a amava tanto, que queria casar com ela e tê-la para sempre no castelo, que a cobriria de roupas e jóias, que chamaria o melhor feiticeiro do reino para fazê-la virar toda mulher.
  Ela queria dizer que o amava tanto, que queria casar com ele e levá-lo para a floresta, que lhe ensinaria a gostar dos pássaros e das flores e que pediria à Rainha das Corças para dar-lhe quatro patas ágeis e um belo pelo castanho.
  Mas o príncipe tinha a chave da porta. E ela não tinha o segredo da palavra.
  Todos os dias se encontravam. Agora se seguravam as mãos. E no dia em que a primeira lágrima rolou dos olhos dela, o príncipe pensou ter entendido e mandou chamar o feiticeiro.
  Quando a corça acordou, já não era mais corça. Duas pernas só e compridas, um corpo branco. Tentou levantar, não conseguiu. O príncipe lhe deu a mão. Vieram as costureiras e a cobriram de roupas. Vieram os joalheiros e a cobriram de jóias. Vieram os mestres de dança para ensinar-lhe a andar. Só não tinha a palavra. E o desejo de ser mulher.
Sete dias ela levou para aprender sete passos. E na manhã do oitavo, quando acordou e viu a porta aberta, juntou sete passos e mais sete, atravessou o corredor, desceu a escada, cruzou o pátio e correu para a floresta à procura de sua Rainha.
  O  sol  ainda  brilhava  quando  a  corça  saiu  da floresta, só corça, não mais mulher. E se pôs a pastar sob as janelas do palácio.
(COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul. São Paulo: Global, 1999. p. 35-40. )

trompa: instrumento de sopro, de metal, usado nas calçadas.
alarido: gritaria, algazarra.
regato: riacho, pequeno e estreito curso de água.
retesar: tornar tenso, esticar.
corça: é um mamífero cetartiodáctilo da família dos cervídeos

1. O texto Era dia de caçada é um conto maravilhoso.
a) O que você entende por conto maravilhoso?
b) Que personagens do conto lido representam o elemento mágico?

2. Os protagonistas da história são a corça-mulher e o príncipe. Apaixonado por ela desde que a viu, ele levou-a para o palácio. O que você pensa sobre a forma como o príncipe a capturou e a manteve no castelo?

3. Releia os parágrafos 9 e 10 e comente a forma como os dois são construídos. O que é interessante neles?  
4. A atitude da moça, ao fugir do palácio, revela-nos o quê?

5. Um conto de fadas tradicional terminaria com o casamento das duas personagens. Na sua opinião, esse seria o melhor desfecho para a história? Explique.
6. Observe a imagem e responda às questões seguintes.
 
a) Na situação retrata na imagem, que tipo de linguagem as personagens estão utilizando: verbal ou não verbal? Explique.
b) Podemos dizer que a corça-mulher e o príncipe na imagem acima são ao mesmo tempo locutores e locutórios? Por quê?
c) Através de que código (gesto) o príncipe achou que deveria chamar o feiticeiro?
7. Suponha que queria chamar uma pessoa até o local onde você está. Como faria para chamá-la, se ela fosse:
 a) um idoso, com mais de 70 anos?      
                                                            
b) um colega da sua classe, com quem você tem muita amizade? 
c) um rapaz jovem, que você não conhece? 


GABARITO

1. a) É uma narrativa falada ou escrita. Caracteriza-se por apresentar uma história com personagens que agem
num determinado lugar e espaço de tempo e um narrador que conta essa história.

2. Resposta pessoal

3. O interessante é que eles são muito parecidos: mostram os sentimentos do príncipe e da moça e nos levam a perceber que, apesar de se amarem, cada um tinha desejos diferentes.

4. Revela que a necessidade de viver em seu mundo é muito forte, mais forte do que o amor que sente pelo
príncipe.

5. Resposta pessoal

6. a) Não-verbal. As personagens estão se comunicando através de olhares.
b) Sim. Ambos se comunicam ao mesmo tempo.
c) A lágrima.

7) Resposta pessoal


quarta-feira, 11 de julho de 2012


          Gênero  Textual Contos de Fadas / Contos Maravilhosos





                Quem lê "Cinderela" não imagina que há registros de que essa história já era contada na China, durante o século IX d. C.. E, assim como tantas outras, tem-se perpetuado há milênios, atravessando toda a força e a perenidade do folclore dos povos, sobretudo, através da tradição oral.

         Pode-se dizer que os contos de fadas, na versão literária, atualizam ou reinterpretam, em suas variantes questões universais, como os conflitos do poder e a formação dos valores, misturando realidade e fantasia, no clima do "Era uma vez...".

         Por lidarem com conteúdos da sabedoria popular, com conteúdos essenciais da condição humana, é que esses contos de fadas são importantes, perpetuando-se até hoje. Neles encontramos o amor, os medos, as dificuldades de ser criança, as carências  (materiais e afetivas), as auto-descobertas, as perdas, as buscas, a solidão e o encontro.

         Os contos de fadas caracterizam-se pela presença do elemento "fada". Etimologicamente, a palavra fada vem do latim fatum (destino, fatalidade, oráculo).

         Tornaram-se conhecidas como seres fantásticos ou imaginários, de grande beleza, que se apresentavam sob forma de mulher. Dotadas de virtudes e poderes sobrenaturais, interferem na vida dos homens, para auxiliá-los em situações-limite, quando já nenhuma solução natural seria possível.

         Podem, ainda, encarnar o Mal e apresentarem-se como o avesso da imagem anterior, isto é, como bruxas. Vulgarmente, se diz que fada e bruxa são formas simbólicas da eterna dualidade da mulher, ou da condição feminina.

         O enredo básico dos contos de fadas expressa os obstáculos, ou provas, que precisam ser vencidas, como um verdadeiro ritual iniciático, para que o herói alcance sua auto-realização existencial, seja pelo encontro de seu verdadeiro "eu", seja pelo encontro da princesa, que encarna o ideal a ser alcançado.

Estrutura básica dos contos de fadas:

Início - nele aparece o herói (ou heroína) e sua dificuldade ou restrição. Problemas vinculados à realidade, como estados de carência, penúria, conflitos, etc., que desequilibram a tranqüilidade inicial;
Ruptura - é quando o herói se desliga de sua vida concreta, sai da proteção e mergulha no completo desconhecido;
Confronto e superação de obstáculos e perigos - busca de soluções no plano da fantasia com a introdução de elementos imaginários;
Restauração - início do processo de descobrir o novo, possibilidades, potencialidades e polaridades opostas;
Desfecho - volta à realidade. União dos opostos, germinação, florescimento, colheita e transcendência.

O Gato de Botas e a Moralidade

         Conto francês de Charles Perrault integrante da coletânea Contos da Mãe Gansa (1967). Esta obra tem como base o popular e envolvia, muitas vezes, uma moralidade. Não se deve esquecer que este é o momento da França Absolutista, onde a burguesia está ascendendo e há a necessidade de veicular os novos valores que essa transformação social impunha.

         Na verdade é um conto maravilhoso, uma vez que não há presença de fadas para incluí-lo como conto de fadas.

         As ditas moralidades eram frases escritas em verso no final de cada história que apontavam para normas de comportamento, baseadas no modelo social ideal. Objetivavam evitar problemas de convívio entre os cidadãos.

         A moralidade contida em O Gato de Botas trata do destino das pessoas que estavam à mercê do acaso, da esperteza ou da sorte. é a questão da partilha medieval,onde os três irmãos receberiam do pai diferentes heranças: mais velho - moinho, do meio - burro para levar a farinha e o mais moço - um gato que ainda tem de alimentar. Aqui vê-se que os dois mais velhos têm um meio de se sustentar, enquanto o menor ainda gasta para manter viva sua herança. Diante deste quadro adverso e injusto, aparece o elemento mágico/maravilhoso Gato de Botas. Ele é o responsável pelo restabelecimento da justiça, mesmo que para isso tenha de usar meios ilícitos: os fins justificam os meios. O Gato é mágico mas ele usa a burrice humana para conseguir o que quer. Trata-se da moral ingênua (não se sabe tudo ou conhece tudo).

A moral é textualmente a seguinte:

Tenham agudeza no espírito e agilidade nas mãos, / Sejam, em uma palavra, trabalhadores e industriosos e vereis retornar a vós a fortuna / que virará as costas àqueles que a tiveram de nascença / e que não sabendo fazer nada para a conservar quando a tem, saberão muito menos para a conquistar, uma vez perdida.
Fica clara a superioridade atribuída ao burguês trabalhador e dedicado em relação ao nobre que já nasce com a riqueza. Este último está vulnerável, podendo perder esta riqueza por não ser laborioso. O lema "o trabalho enobrece o homem" pode ser enriquecido com "e também enriquece-o". O elemento que aparece para mudar a pobreza do rapaz é o Gato de Botas. Para tanto vários ardis são utilizados para fazê-lo casar-se com a princesa. A genialidade com que é construída a personalidade falsa do Marquês de Carabás valoriza o grande plano. O fato de ser um gato o elemento mágico pode estar ligada a rapidez e agilidade felinas.

Este conto está relacionado aos ritos de iniciação, que preparava as pessoas para o ingresso na sociedade tratando algum princípio social. O Gato de Botas ensina ao futuro chefe (rei - nobre) as exigências de seu novo estado social. Claro que aqui apresenta-se a crítica social à nobreza.

Referências Bibliográficas:

BETELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. 13a edição. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
ROMÃO, Lucília Maria Sousa & PACÍFICO, Soraya Maria Romano. Era uma vez uma outra história: leitura e interpretação na sala de aula. São Paulo: Difusão Cultural do Livro, 2006.
SCHOEREDER, Gilberto. Fadas, Duendes e Gnomos: o Mundo Invisível. São Paulo: Editora Hemus, 1977.


segunda-feira, 9 de julho de 2012


QUEM SOU EU?


Nesta altura da vida já não sei mais quem sou... Vejam só que dilema!!!
Na ficha da loja sou CLIENTE, no restaurante FREGUÊS, quando alugo uma casa INQUILINO, na condução PASSAGEIRO, nos correios  REMETENTE, no supermercado CONSUMIDOR.
Para a Receita Federal CONTRIBUINTE, se vendo algo importado CONTRABANDISTA. Se revendo algo, sou MUAMBEIRO, se o carnê tá com o prazo vencido INADIMPLENTE, se não pago imposto SONEGADOR. Para votar ELEITOR, mas em comícios MASSA , em viagens TURISTA , na rua caminhando PEDESTRE, se sou atropelado ACIDENTADO, no hospital PACIENTE. Nos jornais viro VÍTIMA, se compro um livro  LEITOR, se ouço rádio OUVINTE. Para o Ibope ESPECTADOR, para apresentador de televisão TELESPECTADOR, no campo de futebol TORCEDOR.
Se sou tricolor, SOFREDOR, mas se sou rubro-negro,VENCEDOR. Agora, já virei GALERA. (se trabalho na ANATEL , sou COLABORADOR ) e, quando morrer.... uns dirão...FINADO, outros .... DEFUNTO, para outros ... EXTINTO,para o povão ... PRESUNTO.. Em certos círculos espiritualistas serei ...DESENCARNADO, evangélicos dirão que fui ...ARREBATADO...
E o pior de tudo é que para todo governante sou apenas um IMBECIL !!! E pensar que um dia já fui mais EU.

                                                                      Luiz Fernando Veríssimo.