sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Narrativa de Aventura


EMEF Profº Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa – Narrativa de Aventura – Análise Textual – 7º Ano 4º Bimestre /1012

Narrativas de Aventura – Leitura , Análise Textual  

Robinson Crusoé é um livro que trata das aventuras de um rapaz que, aos dezoito anos, decide abandonar o lar para ser marinheiro. Veja o capítulo inicial de uma versão de “Robinson Crusoé” – momento em que o protagonista deve tomar uma decisão que determinará o seu destino.

ROBINSON CRUSOÉ
Daniel Defoe

1ª Parte – Aventura no sangue




Apelo irresistível

                Nasci na cidade de Iorque, Inglaterra, no ano de 1632. Meus pais eram típicos representantes da classe média. Aliás, orgulhavam-se disso. Estrangeiro de Bremen, Alemanha, meu pai instalou-se inicialmente em Hull, uma pequena cidade a leste da Inglaterra. Tornou-se um próspero comerciante para depois abandonar seu negócio e ir viver descansando em Iorque. Foi aí que conheceu e casou com minha mãe, de sobrenome Robinson, nascida  numa das famílias mais conhecidas da região. Quando me dei por gente, já carregava o sobrenome de Robinson Kreutznaer, os dois nomes lembrando as origens familiares. Demorou pouco para ser chamado de Robison Crusoé: talvez pela natural tendência dos povos para nacionalizarem nomes, ou então pela característica da minha região natal de abreviar e simplificar as palavras.
Tive dois irmãos mais velhos. Um deles era tenente-coronel da infantaria inglesa e foi morto numa batalha contra os espanhóis, perto de Dunquerque, no norte da França. Nunca soubemos, meus pais e eu, o que aconteceu com meu outro irmão. Simplesmente “evaporou-se”, sem deixar rastro, sem enviar notícias.
Filho caçula, haviam-me reservado um futuro exemplar: a carreira de advogado, o casamento com uma moça de família tradicional, filhos, prosperidade a ponto de levar uma vida sem sobressaltos ou apertos financeiros, velhice pacata... Enfim, uma vida sem grandes glórias, mas igualmente a salvo de sofrimentos e desgraças... Meus sonhos, porém, eram outros: queria viajar, conhecer o mundo, viver emoções e aventuras...
Minha mãe tentou dissuadir-me usando seus melhores argumentos: alternava momentos de carinho com outros de saudade antecipada, os olhos ameaçando avermelhar-se de choro contido. Ingredientes que, ao lado da preocupação maternal, sempre fizeram parte do seu jogo emocional.
A atitude de meu pai foi a esperada: assim que pressentiu o perigo de ter um aventureiro na família, chamou-me para uma conversa reservada:
– Que razões tem você para buscar a aventura, um futuro incerto? Esta sua atitude é característica de quem está
em sérias dificuldades ou então de quem quer enriquecer rapidamente... É melhor contentar-se com um  padrão devida de classe média, com garantia de paz e satisfação... Sei que pode não ser muito romântico, mas saiba que as desgraças sempre acabam por atingir os mais ricos e os mais pobres. Nunca a classe média!...
Como nada respondi, meu pai continuou:
– Isso para não falar dos aventureiros irresponsáveis. Olhe o exemplo do seu irmão: morreu numa guerra estúpida, em troca de uns poucos momentos de glória...
Ao lembrar o filho morto, meu pai permitiu que a emoção abrisse uma brecha na defesa montada em torno dos seus argumentos sempre lógicos e racionais: foi a primeira e única vez que o vi chorar. Depois concluiu:
– Não, meu filho, não vou  impedi-lo de sair de casa, de buscar seu próprio caminho. Se quiser ficar, terá todo o meu apoio. Mas, se resolver correr o mundo, não espere pela minha compreensão... É melhor que fique preparado para enfrentar problemas de toda espécie...
Sensibilizado por suas palavras, procurei, sinceramente, seguir sua orientação. Mas durou muito pouco tempo.
Menos de uma semana depois, já me empolgava com novos sonhos de viagens e aventuras. Passei a evitar conversas com meu pai: não desejava ouvir outras reprimendas.
Tentei ainda uma vez valer-me de mamãe para ganhar o consentimento paterno. Disse-lhe que a vontade de ver o mundo era tão grande que se tornava impossível contentar-me com o pequeno universo de Iorque. E mais: que já tinha dezoito anos, não aprendera ofício algum, era muito tarde para iniciar-me numa banca de advogado e que era melhor papai dar seu consentimento, assim eu sairia de casa sem ressentimentos e com sua bênção.
De nada adiantou esta conversa: além de deixar mamãe aflita, sua intercessão junto a meu pai resultou nula.Não, era inútil esperar pelo seu consentimento... A escolha teria de ser minha: podia viver feliz em casa, ou ser infeliz, perambulando sem destino pelo mundo...

DEFOE, Daniel. Robinson Crusoé: a conquista do mundo numa ilha.  Adaptação em português de Werner Zotz. São Paulo: Scipione, 2001. 49

A partir da leitura deste trecho inicial da narrativa “Robinson Crusoé”, responda às questões propostas.

1. Quais eram as expectativas dos pais de Robinson com relação ao seu futuro?

2. Estas expectativas coincidiam com os sonhos de Robinson?

3. Como a mãe tentou fazer Robinson desistir de viver emoções e aventuras pelo mundo?

4. Como o pai reagiu assim que pressentiu o perigo de ter um aventureiro na família?

5. Qual foi a primeira vez que Robinson viu seu pai chorar?

6. Que argumentos foram utilizados pelo pai de Robinson para convencer o filho a não buscar a aventura?

7. Retire, do texto, o trecho em que Robinson apresenta argumentos a sua mãe com o objetivo de obter o consentimento do pai para uma vida de aventura.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Estrutura do Artigo de Opinião


EMEF Profº Fernando Pantaleão
Gênero Artigo de Opinião - 9º Ano - 4º Bimestre 2012



Explorando a estrutura de um artigo de opinião

Conteúdo :

Neste conteúdo, você estudará sobre a estrutura composicional do artigo de opinião. Para aprofundar seus estudos consulte a bibliografia indicada:
BARBOSA, Jacqueline P. Ensino Médio em Rede – Sequencia didática – Artigo de opinião. Apostila impressa. s/d
São várias as formas de estruturar um artigo de opinião. Mas, em geral, os artigos de opinião contêm os seguintes elementos, de acordo com Barbosa (s/d):da questão em discussão.
1)   Contextualização e/ou apresentação
2)   Explicitação da posição assumida.
3)   Utilização de argumentos que sustentam a posição assumida.
4)   Consideração de posição contrária e antecipação de possíveis argumentos contrários à posição assumida.
5)   Utilização de argumentos que refutam a posição contrária.
6)   Retomada da posição assumida e/ou retomada do argumento mais enfático.
7)   Proposta ou possibilidades de negociação.
8)   Conclusão (que pode ser a retomada da tese ou posição defendida).
Observe que esses elementos podem vir em qualquer ordem e nem todos precisam aparecer num artigo de opinião.Veja como essa estruturação é feita, analisando junto comigo o artigo de opinião abaixo:
Pela descriminalização do aborto
11/05/2007
(1) "Ninguém é a favor do aborto. A pergunta  é: a mulher deve ser presa? Deve morrer?" A declaração é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Defensiva, retrata como é difícil debater a descriminalização  do aborto até 12 semanas de gestação (há um projeto em tramitação no Congresso). Pertinente, traz indagações que merecem discussão
(2) Lula tem razão  quando diz que ninguém  é a favor do aborto. Colocar a discussão nesses termos é transformar num Fla-Flu um grave problema de saúde pública que atinge sobretudo os mais pobres. É simplificar nuances legais, morais, éticas, religiosas.
(3) Segundo  dados do Ministério  da Saúde, 220 mil mulheres procuram hospitais públicos por ano para tratar de sequelas de abortos clandestinos. Há estimativas extraoficiais de que sejam realizados mais de um 1 milhão de abortos por ano no Brasil.
(4) De 1941, a lei brasileira só permite a interrupção da gravidez em dois casos: se resultado de estupro e na hipótese de risco à vida da mãe. Fora disso, é crime. A pena pode chegar a três anos de prisão.
(5) Os ministros  José Gomes Temporão (Saúde) e Nilcéa Freire (Políticas para as Mulheres) defendem  a discussão  e a eventual aprovação  no Congresso  da legalização do aborto até 12 semanas  de  gestação  --período  até  o  qual,  segundo  cientistas,  não  há  relação  entre os neurônios.
(6)  Juridicamente,  a  morte  cerebral  é  entendida  como  o  fim  da  vida.  Os  defensores  da legalização do aborto até 12 semanas, por analogia, argumentam que a vida começaria com a atividade cerebral. Daí a proposta desse prazo-limite, já adotado em países que legalizaram a interrupção da gravidez.
(7) Para o Vaticano e outro grupo de cientistas, a vida começa na concepção (fecundação do óvulo pelo espermatozoide).  E essa vida dura até seu declínio  natural. O papa, portanto, não admite aborto, inclusive nos casos previstos na lei brasileira. E também é contra a eutanásia.
(8) A Igreja Católica, o papa Bento 16 e qualquer cidadão contrário ao aborto têm o direito de defender seus pontos de vista e de lutar para que a legislação os contemple. As pessoas que desejam a legalização do aborto até 12 semanas de gestação também.
(9) Nenhuma das partes possui o direito de impor à outra o seu desejo. Numa democracia laica, essa  decisão  cabe  ao conjunto  da sociedade  e aos  legisladores  - respeitando-se, sempre, o direito das minorias.
(10) Mais: não será a legalização (ou descriminalização) do aborto até 12 semanas que obrigará as seguidoras de Bento 16 a interromper a gravidez. Não parece razoável supor que o número de abortos vá aumentar ou diminuir em função dessa eventual alteração da lei.
(11) Pesquisa Datafolha realizada em março mostrou que 65% dos entrevistados não desejam mudar a atual legislação do aborto. Ou seja, é mínima a chance de modificação via plebiscito. Ao longo do debate, talvez possa haver alteração desse quadro, mas não é o provável.
(12) Seria possível, entretanto, mostrar que a ciência avançou a ponto de poder, por exemplo, detectar uma má-formação  do feto que inviabilize  a sua vida fora do útero. Nessa hipótese, é justo impor a gestação à mulher? Enfim, um plebiscito daria pelo menos a chance de a população ficar mais esclarecida.
(13) Mas Bento 16 e a Igreja Católica não aceitam plebiscito. Acusam os defensores da descriminalização  do aborto de serem defensores  da morte. Dizem que são a favor da vida e ponto, despejando dogmas com cartesianismo fundamentalista.
(14)  Ora,  interdição  de  debate  não  dá.  Tampouco  pressão  política  sobre  o  governo  e o Congresso na base de ameaça de excomunhão.
                                                                      Kennedy Alencar. Folha Online, Pensata.

Obs: os parágrafos foram numerados a fim de facilitar a explicitação do processo de leitura.Podemos realizar uma leitura possível de um artigo de opinião utilizando a própria estrutura do texto, enunciada acima.
Vejamos como a estrutura proposta se revela no artigo em questão:
1) Nos parágrafos de 1 a 4 o autor apresenta a questão a ser discutida e contextualiza o tema em discussão, no cenário brasileiro;
2) Nos parágrafos 5 e 6, o autor explicita sua posição e argumenta a favor dela, utilizando o argumento de autoridade científica e jurídica;
3) No parágrafo 7, o autor considera a posição contrária à sua;
4) Nos parágrafos 8 a 10, o autor antecipa possíveis argumentos contrários à sua posição;
5) No parágrafo 12, o autor retoma sua posição;
6) No parágrafo 13, o autor propõe uma negociação e,
7) No parágrafo 14, ele retoma a tese (a dificuldade do debate sobre a descriminalização do aborto) e conclui.
BARBOSA, Jacqueline P. Ensino Médio em Rede – Sequencia didática – Artigo de opinião. Apostila impressa. s/d

domingo, 21 de outubro de 2012


EMEF Profº Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa  - Leitura e análise textual - 6º Ano - 4º Bimestre 2012


Gênero Carta do leitor

As cartas de leitores são textos de opinião publicados em jornais e revistas.
Seu objetivo é abrir espaço para que os leitores comentem, critiquem, opinem sobre o conteúdo anteriormente publicado.
Dessa forma, o leitor tem a oportunidade de também participar da formação da opinião pública, sempre que discordar de alguma informação, ou quiser, por exemplo, dar uma sugestão.
Antigamente, as cartas dos leitores somente eram enviadas pelo correio para as redações, endereçadas, em geral, ao editor. Atualmente, há também a possibilidade de enviá-las por email. E ainda, se o jornal ou revista for digital, podem ser feitos comentários sobre as reportagens.
Há bastante espaço para a interação



Prezado Editor,

Li a matéria publicada na edição de 6 de julho, sobre os acidentes envolvendo motociclistas, e queria dizer que discordo de uma parte do que foi escrito, ou seja, sobre os causadores dos acidentes envolvendo carros e motos, um contra o outro.
Na minha opinião, ao contrário do que foi escrito, creio firmemente que, em tais situações, quem mais causa acidentes são os condutores de veículos de QUATRO rodas, até mesmo por uma questão de lógica; sendo a moto um transporte tão vulnerável, chega a ser inconcebível e ao mesmo tempo cômico que alguém, conduzindo-a, contribua para a causa de acidentes em que se envolva, eis que muito provavelmente só danos irá colher; é o único resultado alcançado nessas situações, ou sempre quando um veículo de menor porte bate em outro de porte maior. O dito transporte (moto) é o meu preferido, para driblar o lento trânsito mossoroense, e digo que, conforme define o jornal no mesmo artigo, sou motociclista, respeito as leis do trânsito, mas vejo muitos carros cujos condutores não têm o devido respeito com a vida humana, salvo se não for imperícia propriamente dita. Os maiores sustos que tomei foram proporcionados justamente por motoristas desatentos, ou, no mínimo, descuidados: curvas malfeitas, celulares colados na orelha com só uma das mãos ao volante - e às vezes as duas coisas de uma vez só -, disputa pra pegar sinal verde – e cortá-lo se não vier outro carro em direção perpendicular -, inesperadas subidas de BR, vindos de estrada carroçável, freios bruscos e sem motivação, manobra sem sinalização prévia (dobrar sem dar sinal e vice-versa), arrancar como um jato DC-10, obrigar motociclistas a usarem de toda a habilidade - e sorte - possíveis ...
São muitas as razões que se encontram para mostrar o menosprezo de motoristas por motociclistas. Acho que isso podia ser corrigido de uma forma simples, a meu ver: bastaria que o Detran só liberasse a carteira a quem soubesse conduzir os dois veículos, para ter a medida exata do que é estar dos dois lados da situação, vendo-a por dois ângulos e entendendo a melhor, à exatidão. Representaria crescimento para o condutor, que saberia avaliar melhor a situação do outro, ensinar-lhes-ia a respeitar o trânsito e principalmente a vida. Uma vez que lida com o mais precioso dos dons, o órgão deveria ser o mais criterioso possível, fiscalizando mesmo a quem já tivesse a primeira habilitação (que deveria ser temporária ou condicional), com blitzes contínuas e sobretudo severas e minuciosas. Minha opinião, não é voz isolada; em encontros de motociclistas, esporádicos ou planejados, esse assunto sempre vem à tona. Mesmo quando se para em qualquer lugar buscando proteção da chuva, não raro sempre se relata acontecidos envolvendo os dois tipos de veículos e a conclusão a que se chega é que a culpa é do motorista do CARRO. Alguns com detalhes bizarros: um caso relatado foi o de que um carro derrubou uma moto - e o ocupante - e a condutora do veículo que bateu saiu do carro ainda falando ao celular, achando que tinha toda a razão!

                                                                                                  JB – Motociclista  de Mossoró  - RN


         No texto você pode observar a intenção do leitor “JB” de se dirigir ao editor demonstrando
respeito por mais que ele discordasse da reportagem publicada no jornal. Sempre que vamos escrever, precisamos escolher que nível de formalidade vamos dar ao nosso texto. Isso depende
da situação de comunicação e do nosso interlocutor.
            Se escrevemos para colegas numa situação de proximidade, camaradagem, utilizamos o registro informal. Esse registro permite gírias, abreviações…
            Agora, se escrevemos para alguém com quem não temos intimidade, numa situação que exija demonstrar respeito e formalidade, devemos escolher o registro formal. Esse registro exige o uso da norma padrão, ou seja, da norma culta.

Sobre o texto

1) A quem se destina a carta do leitor de Mossoró/RN?

2) Qual é o tema que, abordado no jornal Correio da Tarde, provocou, no leitor, a reação de escrever uma carta defendendo seu ponto de vista?

3) Qual a tese defendida pelo autor da carta?

4) O leitor argumenta que os motoristas de transportes de “4 rodas” não têm respeito com a vida humana.
Retire do texto os exemplos nos quais ele apoia seus argumentos.

5) O leitor apresenta uma solução para o conflito entre motoristas e motociclistas. Qual?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

                                          
                                                                    Imagem : Jean Honore Fragonard


                                 Morre lentamente quem não viaja,
                                 Quem não lê,
                                 Quem não ouve música,
                                 Quem destrói o seu amor-próprio,
                                 Quem não se deixa ajudar.

                                 Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
                                 Repetindo todos os dias o mesmo trajeto,
                                 Quem não muda as marcas no supermercado,
                                 Não arrisca vestir uma cor nova,
                                 Não conversa com quem não conhece.
                              

                                (...)
                                                    
                                                               PABLO NERUDA


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Homenagem ao Professor

                                             
                                                    O SEMEADOR E O PROFESSOR
                                             
                                              Eis que saiu o semeador a semear
                                              Sementes boas, selecionadas…
                                              E caíram as sementes em lugares diferentes
                                              No meio das pedras, por entre os espinhos,
                                              À beira do caminho…

                                              E veio o sol quente e fez secar as sementes
                                              E as que nasceram, também morreram,
                                              Abafadas pelos espinhos.

                                              Mas as que caíram em terra boa…
                                              Que maravilha!
                                              Que colheita farta, abençoada, multiplicada!

                                             Eis que saiu o professor a ensinar
                                             Com boas palavras e boa vontade
                                             Espalhou ensinamentos, ideias de liberdade.
                                             Como sementes do semeador.

                                             E a obra do professor
                                             Também não encontrou só terra boa
                                             Houve resistência das pessoas.
                                             Uns ouviram, mas não aprenderam.
                                             Outros aprenderam, mas não praticaram.
                                             Alguns nem sequer o escutaram.

                                             Mas, muitos ouviram o professor.
                                             E se tornaram cidadãos honrados
                                             Multiplicadores do saber
                                             E sempre vale a pena ser um professor!
                                             E ver o seu trabalho dar bons frutos.
                                             Como as sementes do semeador.

                                             Não importa onde, nem a quem.
                                             Ensine a gente a aprender
                                             A importância enorme do estudo.
                                             E enquanto houver um só aluno interessado
                                             Haverá sempre um professor do lado.
                                             Estendendo as mãos.

                                            O semeador continuará a semear
                                            O professor continuará a ensinar.
                                            Sementes, mentes, gente…
                                            Ainda há muito que aprender
                                            E haverá sempre frutos para colher.

                                                   Jandyra Izabel Zavatini  
                       (Professora da Escola Municipal Dr Ary da Cunha Pereira - Mandaguari -PR)


                                                            EME   Prof.  Fernando Pantaleão

        Narrativas de Aventura – Leitura , Análise Textual   e Produção Escrita   - 7º Ano – 4º Bimestre/2012

AS AVENTURAS DE TOM SAWYER

           Esta é uma narrativa divertida, que conta as aventuras de um garoto traquina que sabe ser solidário.
As   aventuras   não   são   poucas:   caças   a tesouros, visitas noturnas a cemitérios, perseguições de bandidos, e até uma enrascada em uma caverna. A grande marca desse personagem é a astúcia e esperteza empregadas para se livrar das situações perigosas em que se envolve. Mesmo  considerado rebelde por infringir algumas regras, ele sempre procura uma saída que não prejudique  ninguém. Por esta e outras características, que cabe a você descobrir, Tom Sawyer é considerado um herói entre os leitores.
         Mark  Twain,  autor de “As aventuras de Tom Sawyer”, nasceu em 1835 e morreu em 1910. Coincidentemente,o planeta Halley, que passa  pela  Terra  a cada  76  anos,  estava no interior de nosso sistema solar nessas duas datas. O escritor, segundo alguns, chegou a dizer que gostaria  de, assim como foi “trazido”, ser levado pelo cometa. Foi o que aconteceu!

Vamos à leitura de um trecho retirado da obra – o momento em que o tesouro é descoberto.

AS AVENTURAS DE TOM SAWYER

[...]
                No dia seguinte, Tom e Huck marcaram um encontro, pois tinham muito para conversar. Através do sr. Jones e da viúva Douglas, Huck inteirouse de todas as aventuras vividas por Tom e Becky.
                – Tom, não encontrei o tesouro no quarto número dois... Só garrafas de uísque.– E nem poderia encontrar, Huck, pois este tesouro nunca esteve no quarto... Está na caverna!
                – Como? – Hucky levou um susto.
                – Você me ajuda a tirá-lo de lá?
                – É claro que ajudo! Mas não quero me perder na caverna... Ainda estou bem fraco, como pode ver...
                                                                                            ( Tom)

             – Sei de outra entrada, Hucky... Foi por lá que eu e Becky saímos. Ninguém a conhece, posso garantir. Vamos precisar de pão, duas sacolas, velas, fósforos, linha de pipa.
Tão logo arrumaram as provisões, os meninos saíram em busca de um bote. Tom e Hucky colocaram tudo dentro  e desceram o rio. Nas proximidades da caverna, Tom apontou o local onde deviam atracar. Por sorte, havia feito uma marca junto a um deslizamento de terra.
                – Atrás da moita! – ele entrou no buraco e Hucky seguiu atrás. O primeiro teve o cuidado de amarrar a ponta da linha numa pedra, à entrada do buraco, para garantir retorno. Passaram silenciosamente por galerias, pela nascente onde ele e Becky ficaram até alcançarem o corredor que levava ao declive.
                – Foi lá que avistei Índio Joe! – Tom ergueu a vela para iluminar melhor o local. – Consegue ver a cruz com cera de vela na parede da caverna?
                – Sim, consigo!
                – Veja agora onde está o número dois... Embaixo da cruz, Hucky. Exatamente onde vi Índio Joe com a vela!
                – Vamos embora daqui! – Huckleberry exclamou, com medo de que o fantasma do índio viesse assombrá-los.
                – E deixar o tesouro? Nunca! A cruz tem o poder de espantar fantasmas... Índio Joe não voltaria aqui – Tom convenceu o amigo que deviam ficar para procurar o dinheiro.
                Depois de descer e examinar mais de perto, viram pegadas no barro e alguns tocos de vela. Decidiram então cavar bem ali, embaixo da fenda da rocha. Após alguns minutos, encontraram uma tábua. Ao removê-la, descobriram uma pequena entrada, que os conduziu a um esconderijo...
                – A caixa do tesouro! – os dois exclamaram ao mesmo tempo.
                – Estamos ricos!

                            (Huck)
                – Nós conseguimos!
                Tom e Huck descobriram também duas pistolas, três sapatos e um cinto de couro. Mas nada disso os interessou.
Tiraram as moedas da pesada caixa, distribuindo-as nas duas sacolas. Deixaram a caverna e olharam em volta para ver se alguém os tinha visto. Só então entraram no barco e remaram de volta ao vilarejo, ao anoitecer. Lá chegando, Tom pegou emprestada uma carriola para transportar as sacolas. Para que ninguém percebesse, cobriram-nas com sacos velhos.
                – O melhor lugar para esconder o dinheiro é o depósito de madeira da viúva Douglas! – Tom decidiu, com apoio de Hucky. Mas, ao passarem nas proximidades da casa do Sr. Jones, a caminho da casa da viúva, ele os avistou.
                – Meninos! Está cheio de gente querendo ver vocês lá na casa da viúva Douglas! Puxa, estão carregando algo bem pesado! Tijolos? – ele aproximou-se, curioso.
[...]

TWAIN, Mark. As aventuras de Tom Sawyer = The adventures of Tom Sawyer.   Adaptação e tradução Telma Guimarães. São Paulo, Editora do Brasil, 2009.


1. Identifique, neste pequeno trecho da narrativa, os elementos de uma narração

Personagem;        Tempo;              Espaço;                   Enredo;              Foco narrativo.

2. Retire do texto o trecho em que Tom revela onde está o tesouro.

3. O que Tom declara que vão precisar para a investida rumo ao tesouro?

4. Qual foi a estratégia utilizada por um dos meninos para não se perder na caverna?

5. No trecho do 9º parágrafo “Ele entrou no buraco e Hucky seguiu atrás. O primeiro teve o cuidado de amarrar a pontada linha numa pedra, à entrada do buraco, para garantir retorno.”, identifique quais são os personagens que os termos destacados  substituem.

6. Por que Huckleberry decide ir embora antes de encontrar o tesouro?

7. Como Tom consegue convencê-lo a continuar a caça ao tesouro? Retire do texto o trecho que comprova a sua resposta.

8. Explique o efeito de sentido do uso do ponto de exclamação nos trechos abaixo apresentados.

“– A caixa do tesouro! – os dois exclamaram ao mesmo tempo.”
“– Estamos ricos!”
“– Nós conseguimos!”

9. O que Tom e Hucky descobriram junto com o tesouro?

10. Qual foi o lugar escolhido para esconder o tesouro?

Produção  Escrita

O que você acha que aconteceu quando o Sr. Jones se aproximou dos meninos? Dê um fim para esta parte da história. Torne o seu texto o mais criativo possível!
E não se esqueça de buscar o livro na Sala de Leitura da sua escola, para comparar o seu texto ao que o autor escreveu.

sábado, 6 de outubro de 2012

Gênero Narrativa de Aventuras


EMEF Profº  Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa  - 7º Ano  -   4º Bimestre / 2012
LEITURA E ANÁLISE DE  TEXTOS – NARRATIVA DE AVENTURAS


TEXTO 1

Leia este fragmento do romance de aventura Peter Pan, do escritor escocês James Matthew Barrie (1860-1937), em que o narrador descreve o Capitão Gancho, vilão da história e
responda aos itens de 01 a 09.

A ilha de verdade

            Sentindo que Peter estava chegando, a Terra do Nunca acordara de novo. Na sua ausência, as coisas em geral ficam muito tranquilas na ilha. As fadas dormem mais uma hora de manhã, as feras tomam conta dos filhotes, os índios passam seis dias e seis noites comendo sem parar e, quando os meninos perdidos e os piratas se enfrentam, só botam a língua de fora uns para os outros. Mas com a chegada de Peter, que detesta moleza, todos já estão se agitando de novo. Se você encostasse o ouvido no chão agora, ia ouvir a ilha inteira
fervilhando de vida.

            Nesta noite, as principais forças da ilha estavam dispostas da seguinte maneira. Os meninos perdidos saíram à procura de Peter, os piratas saíram à procura dos meninos perdidos, os índios saíram à procura dos piratas, as feras saíram à procura dos índios. Todos davam voltas e mais voltas em torno da ilha, mas nunca se encontravam porque iam todos na mesma velocidade.
            Todos queriam sangue, menos os meninos perdidos — que, em geral, também queriam, mas esta noite só saíram para cumprimentar seu chefe. (...) Vamos fingir que estamos deitados aqui, escondidos no meio deste canavial, e podemos observar todo mundo, enquanto eles passam enfileirados, cada um com a mão na adaga.
            Peter proíbe que pareçam com ele, mesmo que seja só um pouquinho. Então eles se vestem com as peles dos animais que caçaram, ficando tão redondos e peludos que, se caírem, acabam rolando. Por isso,pisam com muita segurança, sem tropeçar nem escorregar. (...)
            Os meninos desaparecem na escuridão e, depois de uma pausa —, aparecem os piratas no seu rastro.Antes de serem vistos, são ouvidos. E o que ouvimos é sempre a mesma canção assustadora:
— Ho-ho, ho-ho, por terra e mar
Lá vamos nós piratear...
E se uma bala nos separar
Lá embaixo vamos nos encontrar...

            Nunca se viu uma fileira de caras mais malvadas, nem mesmo na fila da forca. (...)
            No meio deles, a pérola maior e mais negra dessas joias tenebrosas, lá vem recostado o Capitão
Gancho, Jaime Gancho, ou James Hook.
            Todo mundo costuma dizer que ele é o único sujeito no mundo de quem até o diabo tem medo. Ele vem meio deitado numa espécie de carroça, puxado por seus homens, e no lugar da mão direita tem um gancho de ferro horrível, com o qual, de vez em quando, anima os puxadores a andarem mais depressa. São tratados como cães, obedecem como cães. O capitão tem a cara morena e um ar cadavérico, com cabelo comprido penteado em cachos longos, que de longe parecem umas velas pretas – coisa que acaba dando uma expressão especialmente ameaçadora a um rosto que até poderia ser bonito. Tem os olhos azuis da cor de miosótis e um olhar triste e melancólico – a não ser quando está enfiando o gancho em alguém, porque nesse caso os olhos ficam vermelhos e se acendem horrivelmente. Ainda se comporta como se fosse um grande fidalgo, capaz de estraçalhar alguém, com bons modos, e ouvi dizer que é um ótimo papo, capaz de contar casos engraçadíssimos. Nunca é tão sinistro como quando é muito delicado, o que provavelmente é a verdadeira prova de seu nascimento nobre. E a elegância de sua linguagem, sem erros de gramática, mesmo quando está xingando, assim como o seu porte distinto, mostram logo que ele é de uma classe social bem superior à de sua tripulação. É um homem de coragem indomável, e dizem que só tem medo de uma coisa no mundo - seu próprio sangue, que é grosso e de uma cor fora do comum. Gosta de se vestir macaqueando a moda do tempo do rei Carlos II, porque em algum momento anterior de sua carreira, ouviu alguém dizer que tinha uma estranha semelhança com os infelizes membros da casa de Stuart. E, para completar, tem sempre na boca uma espécie de piteira dupla, que ele mesmo inventou, e que serve para fumar dois charutos ao
mesmo tempo. Mas, sem dúvida, o seu detalhe mais assustador é a tal garra de ferro.
            Vamos agora matar um pirata, para fazer uma demonstração do método de Gancho. Morteiro, por exemplo, pode servir. Enquanto passam, Morteiro esbarra nele sem querer, amassando um pouco a gola de renda do capitão. O gancho avança, há o barulho de uma coisa se rasgando, um grito, e em seguida o corpo é chutado para o lado, enquanto os piratas seguem adiante. O capitão nem mesmo tirou o charuto da boca.
É esse o homem terrível que Peter Pan vai ter que enfrentar. Quem vencerá?

 (BARRIE, James Matthew. A ilha de verdade. In: Peter Pan. Tradução integral de Ana Maria Machado. São Paulo: Salamandra, 2006. p. 75-81 (fragmentos))

Glossário:

Tenebroso: Terrível, assustador.
Miosótis: Erva com flores pequenas e vistosas, que mudam de róseas para azuis.
Sinistro: Assustador.
Porte: Postura, aspecto.
Distinto: Elegante, ilustre.
Indomável: Que não pode ser vencido.
Rei Carlos II: Nascido em 1630, foi rei da Inglaterra, Escócia e Irlanda entre 1660 e sua morte foi em 1685.
Casa de Stuart: Expressão relacionada  à família de procedência bretã, com origem no século XI, que conquistou o trono da Escócia e da Inglaterra.


DÊ O QUE SE PEDE

1. “Sentindo que Peter estava chegando, a Terra do Nunca acordara de novo.” (Linha 1) Como fica a ilha na volta de Peter Pan?

2. Como é descrito o grupo de piratas? Transcreva um trecho do texto lido que comprove sua resposta.

3. O texto fala das muitas características do Capitão Gancho. Cite duas delas.

4 . Segundo o texto, o capitão era “a pérola maior e mais negra dessas joias tenebrosas” (linha

O que essa frase sugere sobre o capitão? (1 escore)

5. Copie do texto lido um trecho em que o narrador mostra que o capitão era um homem bastante temido.

6. Explique o sentido da palavra “macaqueando” no seguinte trecho do texto lido:
 “Gosta de se vestir macaqueando a moda do tempo do rei Carlos II, porque em algum momento anterior de sua carreira, ouviu alguém dizer que tinha uma estranha semelhança com os infelizes membros da casa de Stuart.”

7. Leia este trecho retirado do texto e responda a pergunta a seguir:

“O capitão tem a cara morena e um ar cadavérico, com cabelo comprido penteado em cachos longos, que de longe parecem umas velas pretas — coisa que acaba dando uma expressão especialmente ameaçadora a um rosto que até poderia ser bonito”. Tem os olhos azuis da cor de miosótis e um olhar triste e melancólico (...)”

Quais são as características físicas citadas acima que acabam dando ao capitão uma expressão ameaçadora?

8.  Copie do texto as expressões a que se referem às características citadas a seguir:

a) distinto         b) indomável:     c) infelizes:   d) assustador    e) grosso    f) estranha:

9. Cite 2 (duas) características do capitão Gancho que revelam que sua origem é nobre?

TEXTO 2

Leia agora este poema que faz uma descrição de um personagem muito famoso entre as crianças eresponda aos itens de 10 ao 13.

Iou hou e uma garrafa de rum

(Vaphla Iahwollfridyz)

Lá vem o velho pirata com sua perna de pau
Papagaio no ombro e a cara de mal
Com seus navios procuram tesouro
Aonde o X marca o local

Se eles encontram navios inimigos
Lutam com ganchos
Que rasgam buchos e peles
E andam pela ilha tenebrosa

Com suas pernas de pau
Com suas pernas de pau
 Sujas até a metade com caca de vaca
Pirataria é maligna
Pirataria é legal

Os piratas carregam espadas na cintura
e andam com pernas de pau

Aquele tapa olho PRETO
Que penetra a ALMA
Esconde por trás de si
Um… Olho de vidro…

Pirataria é maligna
 Pirataria é legal
Os piratas carregam espadas na cintura
E andam com pernas de pau

Iou hou ho e uma garrafa de rum, la la la la

                                               (in http://rumcomcoca.com/rcc/?p=6328 28/04/2011. Adaptado.)



1. O poema traz o perfil de um personagem bem conhecido na literatura.

a) Quem é esse personagem?

b) Cite 5 (cinco) características desse personagem que se destacam no poema?

2. Observe o 4° verso do poema lido:

“Aonde o X marca o local”

Qual é o significado da letra X no poema? Ao que ela nos remete?

3. Observe os seguintes versos retirados do poema:

“Pirataria é maligna
Pirataria é legal”
A palavra em destaque pode ser entendida em dois sentidos. Que sentidos são esses?

2. Há características do perfil dos protagonistas dos textos 1 e 2 que são comuns, iguais. Enumere pelo menos três


2. Depois da leitura dos textos 1 e 2 dessa prova, você deve ter percebido que eles têm características em comum e em alguns aspectos são bem diferentes. Escreva agora um pequeno texto, de 8 a 12 linhas, fazendo uma comparação entre “A ilha de verdade” e “Iou hou e uma garrafa de rum” comentando:

· O gênero textual a que pertencem;

· O tema abordado pelos dois textos;

· Apresente duas semelhanças entre eles;

· Aponte duas diferenças entre os dois textos.