quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Estrutura do Artigo de Opinião


EMEF Profº Fernando Pantaleão
Gênero Artigo de Opinião - 9º Ano - 4º Bimestre 2012



Explorando a estrutura de um artigo de opinião

Conteúdo :

Neste conteúdo, você estudará sobre a estrutura composicional do artigo de opinião. Para aprofundar seus estudos consulte a bibliografia indicada:
BARBOSA, Jacqueline P. Ensino Médio em Rede – Sequencia didática – Artigo de opinião. Apostila impressa. s/d
São várias as formas de estruturar um artigo de opinião. Mas, em geral, os artigos de opinião contêm os seguintes elementos, de acordo com Barbosa (s/d):da questão em discussão.
1)   Contextualização e/ou apresentação
2)   Explicitação da posição assumida.
3)   Utilização de argumentos que sustentam a posição assumida.
4)   Consideração de posição contrária e antecipação de possíveis argumentos contrários à posição assumida.
5)   Utilização de argumentos que refutam a posição contrária.
6)   Retomada da posição assumida e/ou retomada do argumento mais enfático.
7)   Proposta ou possibilidades de negociação.
8)   Conclusão (que pode ser a retomada da tese ou posição defendida).
Observe que esses elementos podem vir em qualquer ordem e nem todos precisam aparecer num artigo de opinião.Veja como essa estruturação é feita, analisando junto comigo o artigo de opinião abaixo:
Pela descriminalização do aborto
11/05/2007
(1) "Ninguém é a favor do aborto. A pergunta  é: a mulher deve ser presa? Deve morrer?" A declaração é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Defensiva, retrata como é difícil debater a descriminalização  do aborto até 12 semanas de gestação (há um projeto em tramitação no Congresso). Pertinente, traz indagações que merecem discussão
(2) Lula tem razão  quando diz que ninguém  é a favor do aborto. Colocar a discussão nesses termos é transformar num Fla-Flu um grave problema de saúde pública que atinge sobretudo os mais pobres. É simplificar nuances legais, morais, éticas, religiosas.
(3) Segundo  dados do Ministério  da Saúde, 220 mil mulheres procuram hospitais públicos por ano para tratar de sequelas de abortos clandestinos. Há estimativas extraoficiais de que sejam realizados mais de um 1 milhão de abortos por ano no Brasil.
(4) De 1941, a lei brasileira só permite a interrupção da gravidez em dois casos: se resultado de estupro e na hipótese de risco à vida da mãe. Fora disso, é crime. A pena pode chegar a três anos de prisão.
(5) Os ministros  José Gomes Temporão (Saúde) e Nilcéa Freire (Políticas para as Mulheres) defendem  a discussão  e a eventual aprovação  no Congresso  da legalização do aborto até 12 semanas  de  gestação  --período  até  o  qual,  segundo  cientistas,  não  há  relação  entre os neurônios.
(6)  Juridicamente,  a  morte  cerebral  é  entendida  como  o  fim  da  vida.  Os  defensores  da legalização do aborto até 12 semanas, por analogia, argumentam que a vida começaria com a atividade cerebral. Daí a proposta desse prazo-limite, já adotado em países que legalizaram a interrupção da gravidez.
(7) Para o Vaticano e outro grupo de cientistas, a vida começa na concepção (fecundação do óvulo pelo espermatozoide).  E essa vida dura até seu declínio  natural. O papa, portanto, não admite aborto, inclusive nos casos previstos na lei brasileira. E também é contra a eutanásia.
(8) A Igreja Católica, o papa Bento 16 e qualquer cidadão contrário ao aborto têm o direito de defender seus pontos de vista e de lutar para que a legislação os contemple. As pessoas que desejam a legalização do aborto até 12 semanas de gestação também.
(9) Nenhuma das partes possui o direito de impor à outra o seu desejo. Numa democracia laica, essa  decisão  cabe  ao conjunto  da sociedade  e aos  legisladores  - respeitando-se, sempre, o direito das minorias.
(10) Mais: não será a legalização (ou descriminalização) do aborto até 12 semanas que obrigará as seguidoras de Bento 16 a interromper a gravidez. Não parece razoável supor que o número de abortos vá aumentar ou diminuir em função dessa eventual alteração da lei.
(11) Pesquisa Datafolha realizada em março mostrou que 65% dos entrevistados não desejam mudar a atual legislação do aborto. Ou seja, é mínima a chance de modificação via plebiscito. Ao longo do debate, talvez possa haver alteração desse quadro, mas não é o provável.
(12) Seria possível, entretanto, mostrar que a ciência avançou a ponto de poder, por exemplo, detectar uma má-formação  do feto que inviabilize  a sua vida fora do útero. Nessa hipótese, é justo impor a gestação à mulher? Enfim, um plebiscito daria pelo menos a chance de a população ficar mais esclarecida.
(13) Mas Bento 16 e a Igreja Católica não aceitam plebiscito. Acusam os defensores da descriminalização  do aborto de serem defensores  da morte. Dizem que são a favor da vida e ponto, despejando dogmas com cartesianismo fundamentalista.
(14)  Ora,  interdição  de  debate  não  dá.  Tampouco  pressão  política  sobre  o  governo  e o Congresso na base de ameaça de excomunhão.
                                                                      Kennedy Alencar. Folha Online, Pensata.

Obs: os parágrafos foram numerados a fim de facilitar a explicitação do processo de leitura.Podemos realizar uma leitura possível de um artigo de opinião utilizando a própria estrutura do texto, enunciada acima.
Vejamos como a estrutura proposta se revela no artigo em questão:
1) Nos parágrafos de 1 a 4 o autor apresenta a questão a ser discutida e contextualiza o tema em discussão, no cenário brasileiro;
2) Nos parágrafos 5 e 6, o autor explicita sua posição e argumenta a favor dela, utilizando o argumento de autoridade científica e jurídica;
3) No parágrafo 7, o autor considera a posição contrária à sua;
4) Nos parágrafos 8 a 10, o autor antecipa possíveis argumentos contrários à sua posição;
5) No parágrafo 12, o autor retoma sua posição;
6) No parágrafo 13, o autor propõe uma negociação e,
7) No parágrafo 14, ele retoma a tese (a dificuldade do debate sobre a descriminalização do aborto) e conclui.
BARBOSA, Jacqueline P. Ensino Médio em Rede – Sequencia didática – Artigo de opinião. Apostila impressa. s/d

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...