sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Narrativa de Aventura


EMEF Profº Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa – Narrativa de Aventura – Análise Textual – 7º Ano 4º Bimestre /1012

Narrativas de Aventura – Leitura , Análise Textual  

Robinson Crusoé é um livro que trata das aventuras de um rapaz que, aos dezoito anos, decide abandonar o lar para ser marinheiro. Veja o capítulo inicial de uma versão de “Robinson Crusoé” – momento em que o protagonista deve tomar uma decisão que determinará o seu destino.

ROBINSON CRUSOÉ
Daniel Defoe

1ª Parte – Aventura no sangue




Apelo irresistível

                Nasci na cidade de Iorque, Inglaterra, no ano de 1632. Meus pais eram típicos representantes da classe média. Aliás, orgulhavam-se disso. Estrangeiro de Bremen, Alemanha, meu pai instalou-se inicialmente em Hull, uma pequena cidade a leste da Inglaterra. Tornou-se um próspero comerciante para depois abandonar seu negócio e ir viver descansando em Iorque. Foi aí que conheceu e casou com minha mãe, de sobrenome Robinson, nascida  numa das famílias mais conhecidas da região. Quando me dei por gente, já carregava o sobrenome de Robinson Kreutznaer, os dois nomes lembrando as origens familiares. Demorou pouco para ser chamado de Robison Crusoé: talvez pela natural tendência dos povos para nacionalizarem nomes, ou então pela característica da minha região natal de abreviar e simplificar as palavras.
Tive dois irmãos mais velhos. Um deles era tenente-coronel da infantaria inglesa e foi morto numa batalha contra os espanhóis, perto de Dunquerque, no norte da França. Nunca soubemos, meus pais e eu, o que aconteceu com meu outro irmão. Simplesmente “evaporou-se”, sem deixar rastro, sem enviar notícias.
Filho caçula, haviam-me reservado um futuro exemplar: a carreira de advogado, o casamento com uma moça de família tradicional, filhos, prosperidade a ponto de levar uma vida sem sobressaltos ou apertos financeiros, velhice pacata... Enfim, uma vida sem grandes glórias, mas igualmente a salvo de sofrimentos e desgraças... Meus sonhos, porém, eram outros: queria viajar, conhecer o mundo, viver emoções e aventuras...
Minha mãe tentou dissuadir-me usando seus melhores argumentos: alternava momentos de carinho com outros de saudade antecipada, os olhos ameaçando avermelhar-se de choro contido. Ingredientes que, ao lado da preocupação maternal, sempre fizeram parte do seu jogo emocional.
A atitude de meu pai foi a esperada: assim que pressentiu o perigo de ter um aventureiro na família, chamou-me para uma conversa reservada:
– Que razões tem você para buscar a aventura, um futuro incerto? Esta sua atitude é característica de quem está
em sérias dificuldades ou então de quem quer enriquecer rapidamente... É melhor contentar-se com um  padrão devida de classe média, com garantia de paz e satisfação... Sei que pode não ser muito romântico, mas saiba que as desgraças sempre acabam por atingir os mais ricos e os mais pobres. Nunca a classe média!...
Como nada respondi, meu pai continuou:
– Isso para não falar dos aventureiros irresponsáveis. Olhe o exemplo do seu irmão: morreu numa guerra estúpida, em troca de uns poucos momentos de glória...
Ao lembrar o filho morto, meu pai permitiu que a emoção abrisse uma brecha na defesa montada em torno dos seus argumentos sempre lógicos e racionais: foi a primeira e única vez que o vi chorar. Depois concluiu:
– Não, meu filho, não vou  impedi-lo de sair de casa, de buscar seu próprio caminho. Se quiser ficar, terá todo o meu apoio. Mas, se resolver correr o mundo, não espere pela minha compreensão... É melhor que fique preparado para enfrentar problemas de toda espécie...
Sensibilizado por suas palavras, procurei, sinceramente, seguir sua orientação. Mas durou muito pouco tempo.
Menos de uma semana depois, já me empolgava com novos sonhos de viagens e aventuras. Passei a evitar conversas com meu pai: não desejava ouvir outras reprimendas.
Tentei ainda uma vez valer-me de mamãe para ganhar o consentimento paterno. Disse-lhe que a vontade de ver o mundo era tão grande que se tornava impossível contentar-me com o pequeno universo de Iorque. E mais: que já tinha dezoito anos, não aprendera ofício algum, era muito tarde para iniciar-me numa banca de advogado e que era melhor papai dar seu consentimento, assim eu sairia de casa sem ressentimentos e com sua bênção.
De nada adiantou esta conversa: além de deixar mamãe aflita, sua intercessão junto a meu pai resultou nula.Não, era inútil esperar pelo seu consentimento... A escolha teria de ser minha: podia viver feliz em casa, ou ser infeliz, perambulando sem destino pelo mundo...

DEFOE, Daniel. Robinson Crusoé: a conquista do mundo numa ilha.  Adaptação em português de Werner Zotz. São Paulo: Scipione, 2001. 49

A partir da leitura deste trecho inicial da narrativa “Robinson Crusoé”, responda às questões propostas.

1. Quais eram as expectativas dos pais de Robinson com relação ao seu futuro?

2. Estas expectativas coincidiam com os sonhos de Robinson?

3. Como a mãe tentou fazer Robinson desistir de viver emoções e aventuras pelo mundo?

4. Como o pai reagiu assim que pressentiu o perigo de ter um aventureiro na família?

5. Qual foi a primeira vez que Robinson viu seu pai chorar?

6. Que argumentos foram utilizados pelo pai de Robinson para convencer o filho a não buscar a aventura?

7. Retire, do texto, o trecho em que Robinson apresenta argumentos a sua mãe com o objetivo de obter o consentimento do pai para uma vida de aventura.

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