sábado, 20 de abril de 2013

Pontuação






Texto: Sinais de Pontuação.
             

Os sinais de pontuação estavam quietos dentro do livro de Português quando estourou a discussão.
— Esta história já começou com um erro — disse a Vírgula.
— Ora, por quê? — perguntou o Ponto de Interrogação.
— Deveriam me colocar antes da palavra "quando" — respondeu a Vírgula.
— Concordo! — disse o Ponto de Exclamação. — O certo seria:
"Os sinais de pontuação estavam quietos dentro do livro de Português, quando estourou a discussão".
— Viram como eu sou importante? — disse a Vírgula.
— E eu também — comentou o Travessão. — Eu logo apareci para o leitor saber que você estava falando.
— E nós? — protestaram as Aspas. — Somos tão importantes quanto vocês. Tanto que, para chamar a atenção, já nos puseram duas vezes neste diálogo.
— O mesmo digo eu — comentou o Dois-Pontos. — Apareço sempre antes das Aspas e do Travessão.
— Estamos todos a serviço da boa escrita! — disse o Ponto de Exclamação. — Nossa missão é dar clareza aos textos. Se não nos colocarem corretamente, vira uma confusão como agora!
— Às vezes podemos alterar todo o sentido de uma frase — disseram as Reticências. — Ou dar margem para outras interpretações...
— É verdade — disse o Ponto. — Uma pontuação errada muda tudo.
— Se eu aparecer depois da frase "a guerra começou" — disse o Ponto de Interrogação — é apenas uma pergunta, certo?
— Mas se eu aparecer no seu lugar — disse o Ponto de Exclamação — é uma certeza: "A guerra começou!"
— Olha nós aí de novo — disseram as Aspas.
— Pois eu estou presente desde o comecinho — disse o Travessão.
— Tem hora em que, para evitar conflitos, não basta um Ponto, nem uma Vírgula, é preciso os dois — disse o Ponto e Vírgula. — E aí entro eu.
— O melhor mesmo é nos chamarem para trazer paz — disse a Vírgula.
— Então, que nos usem direito! — disse o Ponto Final. E pôs fim à discussão.

Conto de João Anzanello Carrascoza, ilustrado por Will.
Revista Nova Escola - Edição Nº 165 - Setembro de 2003

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Mensagem


                                                                                 Imagem da Web


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Mito - Interpretação Textual


EMEF  Profº Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa  - Gênero Textual  -  MITO -  1º Bimestre /2013     -   7º Anos A/B


INTERPRETAÇÃO TEXTUAL:

Leia com atenção o texto abaixo e depois responda às questões:

                                                                                     Imagem Web


                                                                     ECO e NARCISO

                Eco era o nome de uma ninfa muito tagarela, que conversava muito e sem pensar. Não conseguia ouvir em silêncio quando alguém estava falando. Sempre se intrometia e interrompia, nem que fosse para concordar e repetir o que o outro dizia. Um dia, fez isso com a ciumenta deusa Juno, quando ela andava pelos bosques furiosa, procurando o marido Júpiter, que brincava com as ninfas. A tagarelice de Eco atrasou a poderosa Juno, que resolveu:
                - De agora em diante, sua língua só vai servir para o mínimo possível.
                E a partir desse dia, a coitada da Eco só podia mesmo repetir as últimas palavras do que alguém dissesse. [...]
                Por isso, algum tempo depois, quando ela viu um rapaz belíssimo e se apaixonou por ele, tratou de ir atrás sem dizer nada, em silêncio. Esse rapaz se chamava Narciso e dizem que foi o homem mais bonito e deslumbrante que já existiu. Todo mundo se enamorava dele, que nem ligava.
                Eco ficou louca por Narciso e o seguia por toda parte. Bem que tinha vontade de se aproximar e confessar seu amor, mas não tinha mais sua própria fala... [...] Só lhe restava ficar escondida, por perto, esperando que ele dissesse alguma coisa que ela pudesse repetir.
                Um dia, o belo Narciso estava passeando no bosque com uns amigos, mas se perdeu do grupo e não conseguiu encontrá-los. Começou a chamar:
                - Tem alguém aqui?
                Era a chance da ninfa! E ela logo respondeu, ainda escondida:
                - Aqui! Aqui!
                Espantado, Narciso olhou em volta e não viu ninguém. Chamou:
                - Vem cá!
                Ela repetiu:
                - Vem cá! Vem cá!
                [...]
                O rapaz não desistiu:
                - Vamos nos encontrar...
                Toda feliz, Eco saiu do meio das árvores e correu para abraçá-lo repetindo:
                - Vamos nos encontrar...
                Mas ele fugiu dela, gritando:
                - Pare com isso! Prefiro morrer a deixar que você me toque!
                A pobre Eco só podia repetir:
                - Que você me toque... que você me toque...
                E saiu correndo, triste e envergonhada, para se esconder no fundo de uma caverna. Sofreu tanto com essa dor de amor, que foi emagrecendo, definhando, até perder o corpo, desaparecer por completo e ficar reduzida apenas a uma voz, repetindo as palavras dos outros – isso que nós chamamos de eco.
                Narciso continuou sua vida, sempre da mesma maneira. Sem ligar para ninguém, nunca se importando com os outros, brincando com o sentimento alheio. Até que alguém, que ele fez sofrer muito, rezou para Nêmesis, a deusa do Destino, e pediu:
                - Que ele possa amar alguém tanto como nós o amamos! E que também seja impossível que ele conquiste seu amor!
                Nêmesis ouviu essa oração. Achou que era justa e resolveu atender ao pedido.
                Havia no fundo do bosque um laguinho de águas cristalinas e tranquilas, onde nunca vinha um animal beber água e não caíam folhas ou galhos secos – um verdadeiro espelho. Era cercado por uma grama verdinha e macia, e muito fresco. Um lugar gostosíssimo. Um dia, no meio de uma caçada, Narciso passou por ali. Com sede resolveu tomar um pouco d´água. Deitando na margem, com a cabeça debruçada sobre o lago, ficou encantado pelo belíssimo reflexo que via. Nunca tinha se visto num espelho e não sabia que era a sua própria imagem. Mas imediatamente se apaixonou, maravilhado por tanta beleza. Ficou ali parado, contemplando aquele rosto mais bonito do que jamais vira. [...]
                Os amigos apareceram para procurá-lo, mas ele não deu atenção. Chamaram-no para ir embora, mas ele ficou. Olhando o reflexo no lago. [...]
                Muito tempo Narciso ficou ali, sem comer nem dormir, admirando aquele ser por quem estava tão apaixonado. Chorou – e suas lágrimas caíram sobre a imagem, que chorava com ele, e ficou turva.
                - Ai de mim! – gemia ele.
                A única resposta que tinha era de Eco, sempre escondida:
                - Ai de mim!
                Desinteressado de tudo, cada vez mais fascinado por si mesmo, foi definhando. Ao perceber que ia morrer, suspirou:
                - Adeus!
                Fechou os olhos, deixou cair a cabeça sobre a grama. Na água, o rosto sumiu. Só Eco respondeu:
                - Adeus!
Mais tarde, os amigos voltaram. Mas já o encontraram morto. Prepararam tudo para o funeral, mas, quando vieram pegar o corpo, não estava mais lá. Em seu lugar nascera uma flor perfumada e linda, com uma estrela de pétalas brancas em volta de um miolo amarelo. Para sempre chamada de narciso.

                                                         Ana Maria Machado – Histórias greco-romanas – Editora  FTD


1) Quem são os protagonistas da história?
2) Quem são os antagonistas das personagens principais?
3) Qual é a característica mais marcante de cada protagonista?
4)  Como essa característica interfere no destino de cada um?
5) O mito de Narciso tornou-se tão conhecido que até hoje se usa o adjetivo narcisista. Lembrando-se da história, explique o que esse adjetivo quer dizer.
6) Os mitos são histórias antigas, de uma época em que os homens acreditavam que seres sobrenaturais ou deuses ainda se ocupavam da criação do mundo ou de parte dele. Por isso o tempo não está claramente definido. Que expressões do texto comprovam um tempo não definido?
7) Alguns mitos tinham como objetivo explicar algum fenômeno natural. No caso da história de Eco e Narciso isso ocorre? Explique.

sábado, 6 de abril de 2013

Leitura

                                                       
                                                               Poema "Aula de leitura"
                                                                                         

                                                

                                                 A leitura é muito mais
                                                 do que decifrar palavras.
                                                 Quem quiser parar pra ver
                                                 pode até se surpreender:
                                                 vai ler nas folhas do chão,
                                                 se é outono ou se é verão;
                                                 nas ondas soltas do mar,
                                                 se é hora de navegar;
                                                 e no jeito da pessoa,
                                                 se trabalha ou se é à-toa;
                                                 na cara do lutador,
                                                quando está sentindo dor;
                                                vai ler na casa de alguém
                                                o gosto que o dono tem;
                                                e no pelo do cachorro,
                                                se é melhor gritar socorro;
                                                e na cinza da fumaça,
                                                o tamanho da desgraça;
                                                e no tom que sopra o vento,
                                                se corre o barco ou vai lento;
                                                também na cor da fruta,
                                                e no cheiro da comida,
                                                e no ronco do motor,
                                                e nos dentes do cavalo,
                                                e na pele da pessoa,
                                                e no brilho do sorriso,
                                                vai ler nas nuvens do céu,
                                                vai ler na palma da mão,
                                                vai ler até nas estrelas
                                                e no som do coração.
                                                Uma arte que dá medo
                                                é a de ler um olhar,
                                                pois os olhos têm segredos
                                                difíceis de decifrar.

                                                                                     Ricardo Azevedo

Escritor e ilustrador paulista nascido em 1949, é autor de mais cem livros para crianças e jovens
Poema extraído do livro: AZEVEDO, Ricardo. Dezenove poemas desengonçados. São Paulo: Ática,1999.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Poema - Leitura


                                                            O Astronauta
                                                                      
                                                                            Odylo Costa Filho

                                                                                                  Imagem web
                                       
                                       
                                        Ia  um astronauta
                                        pelo céu sozinho
                                        deixou seu foguete,
                                        perdeu seu caminho.

                                        Era tudo branco
                                        –  por dentro ou por fora –
                                        porém não chorava,
                                        porque homem não chora.

                                        Pediu: — “Meu Senhor,
                                        acabai com a Guerra,
                                        mesmo que eu não possa
                                        voltar para a Terra!”

                                        Foi  Deus, que mandou
                                        um anjo levar
                                        o moço, na Páscoa,
                                        de volta pro lar.

                                        E exércitos de asas
                                        vieram pelo ar
                                        com palmas e rosas
                                        a  Guerra acabar.

Odylo Costa Filho  (São Luís, 14 de dezembro de 1914 — Rio de Janeiro, 19 de agosto de 1979) foi um jornalista, cronista, novelista e poeta brasileiro, e membro da Academia Brasileira de Letras.