quinta-feira, 30 de maio de 2013

FICAR

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                                 FICAR, O VERBO MAIS GOSTOSO DO MUNDO


                      Você gosta de análise sintática? Conjugação verbal?

                     Descubra os mil usos que um verbo pode ter na sua vida.

                Se você falar para a sua avó que ficou com um menino superlegal, ela pode não achar nada de mais. Ou pensar que essa juventude tem preguiça até de terminar a frase e perguntar. “Mas vocês ficaram fazendo o quê?” Você vai ter de explicar que ficar, do seu jeito (aliás, o jeito mais gostoso de conjugar esse verbo supertransitivo), ainda não está no dicionário, embora faça parte da vida de todo mundo. Para o Aurélio, ficar é “estacionar, estar situado” ou, quando muito, é coisa para se manter em segredo, do tipo “isso fica entre nós”. Para um professor de gramática, quem fica, fica em algum lugar ou de algum jeito, jamais fica com alguém. Se ele pensa que nisso se resume esse verbo, chegou a hora de mostrar que ficar ficou muito mais interessante.

                Conjugando o verbo ficar

                Gerúndio

                Eu estou ficando

                É a modalidade mais comum, pois tem a vantagem de não determinar nem o início nem o fim da ficada. Estou ficando indica que você já ficou e pode ficar outras vezes, mas, se isso não acontecer, não tem nenhum problema.

                Presente do Indicativo

                Eu fico

                A moda começou com D. Pedro I, que além de gritar Diga ao povo que fico! também ficava com a Marquesa de Santos. Esse tempo verbal indica o presente imediato: você está na festa, um menino maravilhoso chega e você diz: Tudo bem, eu fico.

                Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

                Se eu ficasse

                Baixou o desânimo. Se você ficasse com o Aurélio seria ótimo, mas ele resolveu namorar firme ou não dá a menor chance. O nome complicado do tempo verbal indica uma situação ainda mais complexa. É para ser conjugado com o olhar perdido e um certo tom desanimado.

                Pretérito Mais-Que-Perfeito

                Eu ficara

                Já caiu em desuso e só é usado no sentido tradicional do verbo ficar.

                Futuro do Subjuntivo

                Se eu ficar

                Significa que você tem planos para quando esse momento chegar e não deixará escapar a chance. Para atrair bons fluidos, você pode conjugar de um jeito ainda mais decidido: Quando eu ficar com Lucas... é frase de quem espera o melhor desfecho possível.

                Futuro do Pretérito

                Eu ficaria

                Chegou a chance de você finalmente entender como um tempo verbal pode ser futuro de alguma coisa no passado. É pura condição, hipótese, revela um desejo difícil de ser realizado. Por isso, já pertence ao passado mesmo não tendo acontecido. Difícil de entender? É só conjugar com algum deus do Olimpo: Eu ficaria com o Leonardo DiCaprio se ele soubesse que eu existo. Uma pena.

                Imperativo

                Não existe na primeira pessoa

                Como ficar depende da sua vontade e não tem o menor sentido você se obrigar a ficar com alguém, não se conjuga esse verbo na primeira pessoa do imperativo.

                Presente do Subjuntivo

                Que eu fique

                Aqui caímos no terreno da reza brava e das simpatias. Quando você diz Que eu fique, significa que você tem muita vontade de que isso aconteça e acha até possível, mas gostaria que os anjos e as estrelas dessem uma força.

                Particípio

                Ficado

                Deve ser o estado que alguém fica depois de tantos beijos.

                Pretérito Perfeito

                Eu fiquei

                Conjuga-se de preferência no dia seguinte: Ah! eu fiquei com o Bruno e foi ótimo... Dá para entender facilmente por que os gramáticos resolveram chamá-lo de perfeito.

                Pretérito Imperfeito

                Eu ficava

                O nome também diz tudo, imperfeito. A coisa ia bem, você ficava com ele, mas surgiu algum imprevisto: você teve de ir embora, chegou a sua turma, pintou sujeira ou você descobriu que o menino era ansioso demais e preferia conjugar o modo imperativo, que não combina com a delicadeza do momento.

(PRADO, R. Ficar, o verbo mais gostoso do mundo. Capricho, 27 set. 1998. p. 86-87.)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Eduque o coração


Gêneros Instrucionais


            Denominam-se por gêneros instrucionais os tipos de enunciado organizados sob uma relação discursiva de comando-execução, orientando ou proibindo ações e comportamentos. Dolz e Scheuwly (2010) caracterizam os gêneros instrucionais sob capacidade de linguagem de regulação mútua de comportamentos. O arranjo discursivo do gênero instrucional, necessariamente, inscreve no texto as figuras de um enunciador (aquele que prescreve ou interdita os comandos) e de um enunciatário (a quem se dirigem as instruções ou interdições a serem observadas).
            Embora seja evidente que os gêneros apresentem uma heterogeneidade tipológica, percebe-se que há sequências que se revelam como discursivamente dominantes em determinados gêneros. A diretriz comando-execução acaba por atribuir aos gêneros instrucionais características (recorrentes, porém não obrigatórias) na materialidade linguístico textual. A sequência textual predominante nesses enunciados tipicamente instrucionais é a injuntiva (MARCUSCHI, 2002), cujo objetivo é levar ao enunciador executar algo. A sequência injuntiva está, assim, para os gêneros instrucionais, como um traço relacionado ao estilo, que, ao  lado do conteúdo temático e da construção composicional,  é um elemento caracterizador dos gêneros textuais.
         A injunção pode explicitar uma força ilocucionária de ordem, pedido, sugestão, restrição ou interdição. Travaglia (2007, p. 43) afirma que, no tipo textual injuntivo, o conteúdo “é sempre algo a ser feito e/ou como ser feito, uma ou várias ações ou fatos e fenônemos cuja realização é pretendida por alguém”.
            Intrínseca à sequência injuntiva encontra-se a implicatura de um desnível temporal do discurso – a injunção indica um comando a ser praticado em um momento futuro, posterior à própria enunciação. desse modo, a sequência injuntiva traz, em si, um núcleo de um processo de transformação: há um “antes” (o estado anterior da execução das orientações/ prescrições) e um “depois” (implicados na execução do comando por parte do interlocutor), demarcados pela ação transformadora incitada pela injunção. Assim, a sequência injuntiva extrapola o plano textual-discursivo, ao propor uma junção dialogal entre o dito e o por fazer, inscritos no plano de ação estruturador do sentido textual.
            Travaglia (2007) afirma que a superestrutura de textos do tipo injuntivo3 costuma ser formada por três partes ou categorias esquemáticas. A primeira é o elenco ou descrição dos elementos a serem manipulados a partir do comando-execução; o elenco pode apresentar-se sob a forma de lista (ingredientes de receita), lista e descrição/ ilustração (fotos ou desenhos em manuais de instrução). A segunda categoria esquemática é a determinação ou incitação, em que se apresenta o comando-execução a ser cumprido – “a injunção em si” (Id., p. 50). A terceira parte é a justificativa, ou incentivo em que se apresenta a justificativa para o comando-execução. Travaglia (2007) ressalta que textos que são necessária e dominantemente injuntivos apresentam essa superestrutura em seu todo ou em parte de sua própria superestrutura. O autor menciona, ainda, que as categorias esquemáticas não estão sob ordem fixa e podem ser intercambiáveis. “A única parte obrigatória é a determinação, mas às vezes o produtor do texto apenas dá a justificativa ou explicação e a determinação fica implícita, sendo deduzível através de inferências” (Id., p. 51).
            Em relação às características do verbo, Travaglia mostra que, nos textos do tipo injuntivo, é comum o uso de auxiliares modais de modalidades imperativas (principalmente ordem, obrigação e prescrição) e verbos sob nuance semântica de dinamismo (ações), normalmente indicando a condição do produtor do texto (incitador) e do interlocutor (potencial executor do comando). Segundo o autor, os verbos, em textos injuntivos, não apresentam a atualização do aspecto e o valor temporal característico é de futuro, independentemente da forma verbal.Rosa (2003, p. 32) agrupa os gêneros de predominância do tipo injuntivo de acordo com a função sociocomunicativa. Há três categorias de textos instrucionais: o texto instrucional-programador (instrui um modo de fazer; (exemplo: receita), o texto de conselho (sugere um fazer; exemplo: horóscopo) e o texto regulador-prescritivo (obriga um fazer; exemplo: leis).
           A relação entre gêneros instrucionais e injunção como sequência textual predominante parece, muitas vezes, ser apreendida como intrínseca – a noção norteadora de comando daqueles gêneros liga-se estritamente à força ilocucionária inscrita em uma sequência injuntiva. segundo Travaglia (2007, p. 51), o tipo textual injuntivo, como estrutura textual dominante, vincula-se a gêneros como mensagem religioso-doutrinária, instruções, manuais de uso e/ou montagem de aparelhos, receitas de cozinha e receitas médicas, textos de orientação comportamental (por exemplo, como dirigir sob neblina etc.).
           Apesar de ser evidente a inter-relação entre sequência injuntiva e gêneros instrucionais, tal vinculação não pode ser entendida como uma relação biunívoca, em que a existência de um desses elementos pressupõe necessariamente a presença do outro. Tal proposição se verifica na possibilidade de sequências injuntivas comporem – ainda que não predominantemente – gêneros textuais que não sejam instrucionais (como, segundo Travaglia (id., ibid.), no gênero editorial), ou, ainda, alguns gêneros instrucionais não explicitarem um comando-execução por elementos característicos de uma sequência injuntiva, embora o tragam inscrito no nível discursivo (como, por exemplo, o gênero textual crendice popular, em que o comando-execução não se manifesta na materialidade do texto, mas é resgatada por meio da exploração dos elementos implícitos).
           Pela objetividade do gênero instrucional (o comando procura ser mais o claro possível, para que a execução seja cumprida conforme o esperado), os textos sob essa organização genérica costumam apresentar linguagem precisa, frases curtas e uma ordenação relativamente fixa das informações (a alteração dos comandos pode refletir no processo de sua execução). Gêneros instrucionais com maior corporeidade textual (receitas, manuais) costumam apresentar articuladores textuais que explicitam a hierarquia de execução de cada microcomando a ser cumprido, para que o macrocomando seja realizado, promovendo, assim, a progressão textual: “primeiramente”, “antes”, “depois”, “em seguida”, “por último” etc.
            O enquadramento argumentativo nesses gêneros, por sua vez, não favorece a polêmica: o texto instrucional assume-se como verdade a ser seguida, não abrindo espaço a outra possibilidade de construção do discurso por parte do interlocutor. dessa maneira, desde os manuais de instruções, passando pelas receitas e bulas de medicamentos, até chegar aos textos legais (placas de trânsito, regulamentos, estatutos, leis etc.), os gêneros instrucionais são construídos sob uma assimetria discursiva entre enunciador. (aquele que dita o modus operandi de um saber) e enunciatário (o que deve cumprir os procedimentos determinados).
          Assim, podemos afirmar que, nos gêneros instrucionais, pressupõem-se a autoridade e legitimidade do enunciador para a construção do discurso – o comando apenas se justifica caso o interlocutor a aceito como verdade, justificado e reconhecido socialmente, a ser executada. Os tipos de enunciados instrucionais tendem a ser fechados em si mesmos, a partir de uma visão autoritária da construção dos sentidos.
(...)

Gêneros instrucionais nos livros  didáticos: análise e perspectivas
Leonor Werneck dos Santos
Sylvia J. S. do Nascimento Fabiani



sexta-feira, 3 de maio de 2013

EMEF Profº Fernando Pantaleão
Língua Portuguesa – 8º Ano – 2º Bimestre 2013

                                                                
                                                                 Texto Expositivo


O texto expositivo apresenta informações sobre um objeto ou fato específico, sua descrição, a enumeração de suas características. Esse deve permitir que o leitor identifique, claramente, o tema central do texto.
Um fato importante é a apresentação de bastante informação, caso se trate de algo novo esse se faz imprescindível.
Quando se trata de temas polêmicos a apresentação de argumentos se faz necessário para que o autor informe aos leitores sobre as possibilidades de análise do assunto.
O texto expositivo deve ser abrangente, deve permitir que seja compreendido por diferentes tipos de pessoas.
O texto expositivo pode apresentar recursos como a:
- instrução, quando apresenta instruções a serem seguidas;
- informação, quando apresenta informações sobre o que é apresentado e/ou discutido;
- descrição, quando apresenta informações sobre as características do que está sendo apresentado;
- definição, quando queremos deixar claro para o nosso leitor do que, exatamente, estamos falando;
- enumeração, quando envolve a identificação e apresentação seqüencial de informações referentes àquilo que estamos escrevendo;
- comparação, quando o autor quer garantir que seu leitor irá compreender bem o que ele quer dizer;
- o contraste, quando, ao analisar determinada questão, o autor do texto deseja mostrar que ela pode ser observada por mais de um ângulo, ou que há posições contrárias.

Veja um exemplo de texto expositivo:

O telefone celular

A história do celular é recente, mas remonta ao passado –– e às telas de cinema. A mãe do telefone  móvel é a austríaca Hedwig  Kiesler (mais conhecida pelo nome artístico Hedy Lamaar), uma atriz de Hollywood que estrelou o clássico Sansão e Dalila (1949).
Hedy tinha tudo para virar celebridade, mas pela inteligência. Ela foi casada com um austríaco nazista fabricante de armas. O que sobrou de uma relação desgastante foi o interesse pela tecnologia.
Já nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial, ela soube que alguns torpedos teleguiados da Marinha haviam sido interceptados por inimigos. Ela ficou intrigada com isso, e teve a idéia: um sistema no qual duas pessoas podiam se comunicar mudando o canal, para que a conversa não fosse interrompida. Era a base dos celulares, patenteada em 1940.

Disponível em:
http://www.canalkids.com.br/tecnologia/invencoes/ curiosidades.htm

Humor