domingo, 9 de fevereiro de 2014

Elementos da Narrativa


EE Profª  Margarida Maia de Almeida Vieira

Atividade de Leitura  - Elementos da Narrativa – 6º Ano / 2013

                                                        Os homens do ar


Em sua prisão, Dédalo continuava a trabalhar. Porém, cansado dessa estadia forçada em Creta e querendo voltar para Atenas, pôs o filho a par de suas intenções:
“Minos pode nos fechar os caminhos da terra e das águas, mas o dos céus permanece aberto. É por ele que iremos. Minos pode ser senhor de tudo, menos do ar!”
Tratou então de inventar uma nova arte que iria proporcionar ao homem meios antes nunca experimentados. Arrumou numa linha, regularmente, penas de pássaros, alternando as curtas e as compridas. Grudou todas elas com cera e depois as curvou de leve para imitar as asas dos pássaros. O jovem Ícaro ajudava desajeitadamente seu pai nessa delicada montagem. Dois pares de asas saíram das mãos do artesão. Pai e filho as prenderam aos ombros. Milagre! Bastava agitá-las para sair do solo.
Essa sensação nova encantou o jovem Ícaro. Antes de levantar voo, Dédalo beijou o filho e lhe fez as últimas recomendações:
“Mantenha distância do oceano para que o ar úmido não torne suas asas pesadas demais. Mas também não vá muito alto, senão o calor do sol irá queimá-lo. Voe entre os dois e procure me seguir.”
Creta já ficara para trás, quando o rapaz quis ganhar um pouco de liberdade. Afastando-se do guia, voou mais alto, cada vez mais alto, na direção do sol ardente. O calor não demorou a amolecer a cera que unia as penas, e elas se soltaram e dispersaram ao sabor das correntes de ar quente. O garoto agitou os braços nus… Mas já não tinha apoio no ar. Seu corpo caiu pesadamente e desapareceu nas profundezas do oceano. Ele mal teve tempo de gritar o nome do pai. Dédalo se virou tarde demais. Lá embaixo, viu a água escura marcada por um ponto de espuma. Amaldiçoou seu invento e deu cabo dele assim que chegou a Atenas.

POUZADOUX, Claude. Contos e lendas da mitologia grega.

Leia o texto e analise os elementos da narrativa: 

• Tipos de narrador

• Enredo

• Lugar

• Tempo


• Personagem

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Contos de fada

       

                                   CONTOS DE FADA TWITTERIANOS


      Antigamente, os escritores dos contos de fada tinham muito, muito tempo para redigi-los. E seus leitores, mais tempo ainda para lê-los. Mas como seriam esses mesmos contos se tivessem sido criados nos apressados dias de hoje, por um usuário do Twitter?

Cinderela – Moçoila chega ao baile na beca. Só que à meia-noite rola uma parada estranha: seus cavalos viram ratos e a carruagem, uma abóbora. Sinistro.

Os três porquinhos – Lobo descontrolado derruba no sopro as casas de dois porquinhos. Mas falha na terceira. Especialistas atribuem fracasso à gripe suína.

Branca de neve – Madrasta que fala com espelho envenena enteada que morava com anões. Homem vestido de príncipe a salva. Suspeita-se de consumo geral de LSD.

João e Maria – Pobres, pais abandonam crianças no bosque. Bruxa as adota e as entope de doces. Elas fogem. Pais se dizem felizes. Dentista mais ainda.

Chapeuzinho Vermelho – Menina de chapéu vermelho vai visitar avó, mas um lobo disfarçado a recebe. Polícia acredita ser o mesmo que atormentara os porquinhos.

A roupa nova do imperador – Tirando onda de alfaiate, pilantra promete roupa nova ao rei. Este desfila peladão e perde trono, mas recebe proposta de revista masculina.

João e o pé de feijão – Ao chegar ao céu subindo em pé de feijão, João rapela os bens de um gigante. Apesar de assumir o roubo, nega o uso de adubos transgênicos.

Pedro e o lobo – Marginal reincidente, lobo escapa da prisão e tenta rangar criança, mas só fatura um pato. Meliante é enfim encaminhado ao zoológico.

                                                      DANIEL CARIELLO



Daniel Cariello mora em Paris. De lá, escreve o blog de crônicas www.cheriaparis.blogspot.com e edita a revista www.brazucaonline.org. Ele ainda indica  o www.twitteratura.blogspot.com, que o inspirou neste 
texto.