quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Ler e acostumar-se


        A Leitura é um hábito

"Muita gente não pega num livro o ano inteiro. Não lê nada. Só que a leitura é um hábito que qualquer um pode criar. Então, se você não esta acostumado a ler, é bem simples  resolver: acostume-se. No começo é um remédio amargo; depois que você se acostuma, passa a gostar  e ler se torna uma experiência. No mínimo prazerosa."

            


                        Giovanni Bassi

Em 2017 leia mais, acostume-se, seja  um leitor assíduo e persistente.

sábado, 24 de dezembro de 2016

NATAL

                              
                                                     
                                       MENINO JESUS

                                  Abençoe nossos sonhos.
                                  Ilumine os nossos caminhos
                                  com a tua luz infantil e divina,
                                  guiando nossa  vida,
                                  orientando nossas decisões,
                                  aparando-nos em nossas fraquezas.
                                  Afaste-nos de todo mal.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Leitura é vida

                                                 Imagem by Amo frases sobre livros

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Humor


                                           Imagem: https://br.pinterest.com/oscarlindasilva/frases/

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Revisão Foco Narrativo


EE Profª Margarida Maia de Almeida Vieira
Língua Portuguesa - Estudo de textos narrativos -6º Ano / 2016 Revisão



Texto Narrativo

 Interpretação e Produção de Texto

As aparências enganam

            Nem sempre a interpretação da realidade que fazemos é correta. Eu estava com o meu marido numa loja de departamentos quando ouvimos uma mulher no corredor vizinho dizer bem alto para uma outra:
            — Você não é normal! Nunca foi normal!
            Meu marido, uma pessoa sensível e bondosa, não gostou do que ouvira e decidiu tomar as dores daquela que tinha sido agredida.
—        Não interfira! — aconselhei-o. — Você só vai arrumar uma enorme confusão!
Ele não me deu ouvidos e dirigiu-se até elas.
Voltou em dois segundos.
— Está tudo bem, querida. Eram duas mulheres escolhendo xampu.— explicou        ele, todo envergonhado.


Interpretação do texto

1-) Qual é o tipo de narrador utilizado? Justifique com palavras do texto.
2-) Quais os personagens da narrativa?
3-) Houve um mal entendido. O que o homem pensou que estivesse acontecendo?
4-) Pela história, podemos perceber que o marido e a mulher são diferentes, ou seja, que eles têm reações diferentes. Como reagiu cada um deles diante do que pensavam que estivesse acontecendo no corredor ao lado?
5-) E você, como reagiria  diante daquela mesma situação?
6-) Explique  com suas palavras o título do texto.


Produção de texto

1- Reescreva a história “As aparências enganam”, continuando com o narrador em ser em 1ª pessoa (narrador-personagem), só que, agora, ele deverá ser o marido.

2- Reescreva a história “As aparências enganam”, só que, agora, o narrador deverá ser em 3ª pessoa (narrador-observador).


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Saber e Sabedoria


                         "O saber a gente aprende com os mestres e os livros.
                          A sabedoria, se aprende é com a vida e com os humildes"  
                             
                                                             Cora  Coralina
                                                        
                           

Imagem   Jornal Mulher           

sábado, 10 de setembro de 2016

Revisão

EMEF Prof Fernando Pantaleão

Língua Portuguesa  - Exercícios de Revisão - Substantivos ,  adjetivos e acentuação gráfica - 6º Ano - 3º Bimestre

1. Copie , passando as palavras grifadas para o plural e fazendo as demais alterações necessárias.
a. O campeão demonstrou que é um bom caráter.
b. O mártir cristão morreu diante do altar do deus pagão.
c. O veloz automóvel atravessou o túnel com o farol apagado.

2 .Acentue as palavras quando necessário e, em seguida , explique a regra de acentuação aplicada.
a. voo     b. album      c. saida    d. Nelson    e. bainha   f. constroi    g. juiz      
h. ficcticio    i. amável     j. eter     k.  juiza    l. torax    n. urubu   o . colmeia

3.  No texto abaixo, o escritor Rubem Braga está descrevendo um pequeno jardim da casa de um amigo. Leia-o observando a classe gramatical das palavras destacadas. A seguir classifique-as em substantivo  ou adjetivo.
É um pequeno espaço folhudo e florido de cores, que parece respirar; tem a vida misteriosa das moitas perdidas, um gosto de roça, uma alegria meio caipira de verdes, vermelhos e amarelos."

4. Considerando que certos adjetivos têm sentidos diferentes se colocados antes ou depois do substantivo, explique a diferença de sentido entre as frases:
a. Ele é um advogado falso. / Ele é um falso advogado.
b. Aquele goleiro é um grande jogador. / Aquele goleiro é um jogador grande.
c. Ele é um funcionário alto. / Ele é um alto funcionário.

5. Usando os sufixos -íssimo, -ílimo ou -érrimo, substitua o grau superlativo absoluto analítico  pelo sintético.
a. O acordo realizado era muito secreto.
O acordo realizado era.................................................. .
b. Naquela região morava um povo muito pobre.
Naquela região morava um povo...................................................... .
c. O novo animal do zoológico é muito feroz. 
O novo animal do zoológico é.......................................................... .
d. A fruta que ele me deu estava muito doce.
A fruta que ele me deu estava ....................................................... .

6. Classifique os adjetivos em uniforme ou biforme.
a. esperto    b. ágil   c. cru   d. inteligente   e. pobre     f. habilidoso

7. Complete com exemplos:
a. sufixos aumentativos:
-ação:....................................................-aço: ...........................................................
-alhão................................................... -aréu: .........................................................
-arra: ..................................................   -orra: ..........................................................
-zarrão:...................................................eirão: ........................................................
b. sufixos diminutivos :
-(c)ulo: ..............................................    - (c) ula: ....................................................
-ejo: ....................................................  -eta: .............................................................
-ela: ...................................................... - ete: ...........................................................
-ote:.......................................................  - ico:...........................................................

8.Forme frases com o adjetivo "fácil":
a. no comparativo de superioridade.        b. no comparativo de igualdade.    
c. no comparativo de inferioridade.

9. Qual é a frase correta:
a. (    ) O Sol é mais grande que a Terra.        b. (     ) A terra é mais pequena que o Sol.
c. (     ) Meu irmão é mais bom que bonito.   d. (     ) eu sou mais mau que meu irmão.

10.  Empregando o adjetivo habilidoso crie frases para exemplificar o superlativo relativo de superioridade e de inferioridade.


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Ler transforma





            Quando Lúcia Paláez era pequena, leu um romance escondida. Leu aos pedaços, noite após noite ocultando o livro debaixo do travesseiro. Lúcia tinha roubado o romance da biblioteca de cedro onde seu tio guardava os livros preferidos.
           Muito caminhou Lúcia, enquanto passavam-se os anos. Na busca de fantasmas caminhou pelas ruas das cidades violentas.
             Muito caminhou Lúcia, e ao longo de seu caminhar ia sempre acompanhada pelos ecos daquelas vozes distantes que  ela tinha escutado, com os olhos na infância.
            Lúcia não tornou a ler aquele livro. Não o reconheceria mais. O livro cresceu tanto dentro dela que agora é outro, agora é ela.


            Eduardo Galeano. O livro dos abraços. Porto Alegre: L&M, 2010. p.20


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sábado, 3 de setembro de 2016

Mensagem


Gênero Crônica

EE Profª Margarida Maia de Almeida Vieira

Língua Portuguesa - Gênero Textual Crônica - 3º Bimestre/ 2016 - 7º Ano

O PAVÃO
Rubem Braga

         Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
         Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.
         Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

Rio, novembro, 1958 BRAGA, Rubem. "Ai de ti, Copacabana", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960.

ESTUDO DO TEXTO

1- O que o cronista toma, como ponto de partida, para a sua crônica?

2- O cronista cria uma metáfora para pavão. Destaque do texto essa metáfora.

3- Qual é o grande mistério do grande artista?

4- O amor surge, no fim da crônica, como tema. A luz do olhar da pessoa amada lançada sobre o cronista tem uma consequência. Aponte essa consequência e comprove   sua resposta , citando trecho do texto.

Diferenças entre linguagem denotativa e linguagem conotativa

LINGUAGEM DENOTATIVA LINGUAGEM CONOTATIVA

Significado objetivo ou literal.    
                             
Ex.: “... descobri que aquelas cores todas não    existem na pena do pavão.”

. Significado subjetivo ou figurado.

Ex.: “... um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial.”

5- Diga se a expressão em destaque está no sentido denotativo ou conotativo. Justifique sua resposta.

a) “O pavão é um arco-íris de plumas”
b) “... e descobri que aquelas cores todas não existem...”


Vamos a mais uma crônica. Nela, a cronista Martha Medeiros anuncia como será o novo mundo para um bebê que acabou de nascer. O que você tem a acrescentar?

CARTA AO RAFAEL

Rafael, teu irmão nasceu cerca de quatro anos atrás, no finalzinho do mês de julho. Na época eu aproveitei que logo em seguida seria Dia dos Pais e escrevi uma carta pública ao João Pedro, aqui nesse
mesmo jornal, homenageando não só o teu, mas o meu irmão também – teu pai. Agora você, meu segundo sobrinho, nasce colado ao dia das mães, e imagina se vou te privar de recepção semelhante.
Bem-vindo, Rafa. O mundo é legal, desde que a gente saiba lidar com suas contradições. Tem muita beleza e miséria, dias de sol e temporal, pessoas que dizem sim e que dizem não, e muitos gremistas e colorados infiltrados dentro da tua família. Mesmo assim, não pense que você vai ter opção. Não se deixe enganar pelas roupinhas azuis, essa não será sua cor preferida.
Desde que você saiu da barriga, está escutando votos de saúde e felicidade (mesmo que, por enquanto, tudo não passe de um barulho incompreensível e que você já esteja com saudade do silêncio uterino). Pois saiba que são votos clichês, mas os clichês são sábios: saúde e felicidade é tudo o que você precisa nessa vida. Só que tem que dar uma mãozinha.
Então, pratique esportes, se alimente bem e não fume: a saúde já estará 50% garantida, o resto é sorte. Quanto à felicidade, o jeito é tentar fazer boas escolhas. Como fazê-las? Ninguém sabe ao certo, mas ser íntegro e não se deixar levar por vaidades e preconceitos promove uma certa paz de espírito. Ser feliz não é muito difícil, basta não ficar obcecado com esse assunto e tratar de viver. Quem pensa demais, não vive.
Não brigue muito com seu irmão, ele será seu melhor amigo, mesmo que você não acredite nisso quando ele não quiser emprestar alguns brinquedos – o carro dele, por exemplo.
Você vai ser louco, apaixonado, babão por sua mãe. É natural. Mas não deixe que suas namoradas percebam.[...]
Uma vida sem arte é uma vida árida, sem transcendência, um convite à mediocridade. Então desfrute de muita música e cinema, e quando suas garotas tentarem lhe arrastar para um teatro, vá sem reclamar, há 30% de chance de você gostar. Importante: se alguém disser que ler é chato, mande se entender comigo.

Tédio é para os sem inspiração. O mundo oferece estradas, [...], ondas, montanhas, campeonatos, vestibulares, desafios, churrascos, festivais, feriadões, roubadas, gargalhadas, madrugadas e declarações de amor.
É assim mesmo, tudo misturado e barulhento. A saudade do silêncio uterino vai lhe surpreender muitas outras vezes. Busque esse silêncio dentro de você.
Então é isso, Rafa, seja corajoso e grato: nascer é um privilégio concedido a poucos, ainda que sejamos bilhões. Não desperdice a chance e esteja consciente de duas coisas: que sem alegria nada vale a pena, e que Rafa é um apelido do qual você não escapa.
                                                                                                                                
                                                                                                            10 de maio de 2009

A crônica é quase sempre um texto de extensão curta, com poucos personagens. Está sempre ligada à vida cotidiana. Usa o fato como meio ou pretexto para o autor exercer seu estilo e criatividade. Diz coisas sérias por meio de uma aparente conversa fiada. Às vezes, apresenta brevidade nas ações e no tempo.

1- Clichês são expressões usadas de modo comum, repetidamente.

Destaque, do texto, a opinião da cronista sobre os clichês.

2- O que é preciso, de acordo com o texto, para se ter:

SAÚDE :

FELICIDADE:

3- O que se pode perceber quando a cronista diz “...se alguém disser que ler é chato, mande se entender comigo.”

4- No trecho “Então, pratique esportes, se alimente bem e não fume: a saúde já estará 50% garantida, o resto é sorte. Quanto à  felicidade, o jeito é tentar fazer boas escolhas. Como fazê-las? ...” A que termo se refere a palavra em destaque?

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Verbo impessoal - exercício

                         Exercícios - Verbos Impessoais
                             8º Ano - 3º Bimestre /2016
Faça a concordância correta rasurando o verbo incorreto:

01 – [Faz / Fazem] vinte minutos que estamos a sua espera.
02 – [Havia / Haviam] poucas vagas para o curso.
03 - Conhecido o resultado da votação, [choveu / choveram] vaias.
04 - Não [havia / haviam] vizinhos naquele deserto.
05 – [Havia / Haviam] já dois anos que não nos víamos.
06 - Conhecera-o assim, [fazia / faziam] quase vinte anos.
07 – [Deverá haver / Deverão haver] cinco anos que ocorreu o incêndio.
08 - Aqui [faz / fazem] verões terríveis.
09 – [Vai fazer/ Vão fazer] cem anos que nasceu o genial artista.
10 – [Começou a haver / Começaram a haver] abusos.
11 - Não [podem / pode] haver rasuras neste documento.
12 – [Haviam / Havia] muitos anos que não vinha ao Rio.
13 – [Choviam / Chovia] insultos entre os torcedores, após o jogo.
14 - Talvez ainda [haja / hajam] vagas naquela escola.
15 - Por cima do fogão [deviam / devia] haver fósforos.
16 – [Fazem / Faz] hoje precisamente sete anos.
17 - Não pode [haverem / haver] boas leis sem bons legisladores.
18 – [Vai / Vão] haver grandes festas.
19 - Nas fazendas [haveriam / haveria] alimentos frescos e baratos.
20 - Males inevitáveis [iam / ia] chover sobre mim.
21 – Naquela época [tinha / tinham] muitos feriados religiosos.
22 – [Faz / Fazem] mil anos que aquela estrela está ali.
23 – [Vai / Vão] haver desistências.
24 - Nessa época [haviam / havia] ali muitas rivalidades.
25 – [Faz / Fazem] alguns anos que nós viajamos.
26 – [Há / Hão] de haver razões para ele não vir.
27 - Após a reunião [haverá / haverão] debates.
28 - [Houve / Houveram] alterações na folha de pagamento.
29 - Nos rios e lagos não [havia / haviam] mais peixes.
30 – [Há / Hão] de existir ainda outro motivo.
31 - Na minha turma [havia / haviam] alunos brilhantes.
32 – No Rio de Janeiro [faz / fazem] dias muito bons.
33 – [Haveria / Haveriam] estrelas brilhando no céu?
34 – [Deve \ Devem] fazer uns cinco anos que não vou lá.
35 - Não parecia que dali [houvessem / houvesse] saído tantas riquezas.
36 – Na cidade [havia / haviam] poucos médicos.
37 - Cinco meses [vai / vão] fazer que não chove mais no sertão.
38 – [Deve / Devem] haver alternativas energéticas.
39 – [Deve / Devem] existir outras opções de investimentos.

40 – A noite está tão fria que [chove / chovem] tristezas em meu pensamento.

Leitura

ENTRE A ESPADA E A ROSA
Marina Colasanti

                Qual é a hora de casar, senão aquela em que o coração diz "quero"? A hora que o pai escolhe. Isso descobriu a Princesa na tarde em que o Rei mandou chamá-la e, sem rodeios, lhe disse que, tendo decidido fazer aliança com o povo das fronteiras do Norte, prometera dá-la em casamento ao seu chefe. Se era velho e feio, que importância tinha frente aos soldados que traria para o reino, às ovelhas que poria nos pastos e às moedas que despejaria nos cofres? Estivesse pronta, pois breve o noivo viria buscá-la.
                De volta ao quarto, a Princesa chorou mais lágrimas do que acreditava ter para chorar. Embotada na cama, aos soluços, implorou ao seu corpo, a sua mente, que lhe fizesse achar uma solução para escapar da decisão do pai. Afinal, esgotada, adormeceu.
                E na noite sua mente ordenou, e no escuro seu corpo ficou. E ao acordar de manhã, os olhos ainda ardendo de tanto chorar, a Princesa percebeu que algo estranho se passava. Com quanto medo correu ao espelho! Com quanto espanto viu cachos ruivos rodeando-lhe o queixo! Não podia acreditar, mas era verdade. Em seu rosto, uma barba havia crescido.
                Passou os dedos lentamente entre os fios sedosos. E já estendia a mão procurando a tesoura, quando afinal compreendeu. Aquela era a sua resposta. Podia vir o noivo buscá-la. Podia vir com seus soldados, suas ovelhas e suas moedas. Mas, quando a visse, não mais a quereria. Nem ele nem qualquer outro escolhido pelo Rei.
                Salva a filha, perdia-se porém a aliança do pai. Que tomado de horror e fúria diante da jovem barbada, e alegando a vergonha que cairia sobre seu reino diante de tal estranheza, ordenou-lhe abandonar o palácio imediatamente.
                A Princesa fez uma trouxa pequena com suas jóias, escolheu um vestido de veludo cor de sangue. E, sem despedidas, atravessou a ponte levadiça, passando para o outro lado do fosso. Atrás ficava tudo o que havia sido seu, adiante estava aquilo que não conhecia.
                Na primeira aldeia aonde chegou, depois de muito caminhar, ofereceu-se de casa em casa para fazer serviços de mulher. Porém ninguém quis aceitá-la porque, com aquela barba, parecia-lhes evidente que fosse homem.
                Na segunda aldeia, esperando ter mais sorte, ofereceu-se para fazer serviços de homem. E novamente ninguém quis aceitá-la porque, com aquele corpo, tinham certeza de que era mulher.
                Cansada mas ainda esperançosa, ao ver de longe as casas da terceira aldeia, a Princesa pediu uma faca emprestada a um pastor, e raspou a barba. Porém, antes mesmo de chegar, a barba havia crescido outra vez, mais cacheada, brilhante e rubra do que antes.
                Então, sem mais nada pedir, a Princesa vendeu suas jóias para um armeiro, em troca de uma couraça, uma espada e um elmo. E, tirando do dedo o anel que havia sido de sua mãe, vendeu-o para um mercador, em troca de um cavalo.
                Agora, debaixo da couraça, ninguém veria seu corpo, debaixo do elmo, ninguém veria sua barba. Montada a cavalo, espada em punho, não seria mais homem, nem mulher. Seria guerreiro.
                E guerreiro valente tornou-se, à medida que servia aos Senhores dos castelos e aprendia a manejar as armas. Em breve, não havia quem a superasse nos torneios, nem a vencesse nas batalhas. A fama da sua coragem espalhava-se por toda parte e a precedia. Já ninguém recusava seus serviços. A couraça falava mais que o nome.
                Pouco se demorava em cada lugar. Lutava cumprindo seu trato e seu dever, batia-se com lealdade pelo Senhor. Porém suas vitórias atraíam os olhares da corte, e cedo os murmúrios começavam a percorrer os corredores. Quem era aquele cavaleiro, ousado e gentil, que nunca tirava os trajes de batalha? Por que não participava das festas, nem cantava para as damas? Quando as perguntas se faziam em voz alta, ela sabia que era chegada a hora de partir. E ao amanhecer montava seu cavalo, deixava o castelo, sem romper o mistério com que havia chegado.
                Somente sozinha, cavalgando no campo, ousava levantar a viseira para que o vento lhe refrescasse o rosto acariciando os cachos rubros. Mas tornava a baixá-la, tão logo via tremular na distância as bandeiras de algum torreão.
                Assim, de castelo em castelo, havia chegado àquele governado por um jovem Rei. E fazia algum tempo que ali estava.
                Desde o dia em que a vira, parada diante do grande portão, cabeça erguida, oferecendo sua espada, ele havia demonstrado preferi-la aos outros guerreiros. Era a seu lado que a queria nas batalhas, era ela que chamava para os exercícios na sala de armas, era ela sua companhia preferida, seu melhor conselheiro. Com o tempo, mais de uma vez, um havia salvo a vida do outro. E parecia natural, como o fluir dos dias, que suas vidas transcorressem juntas.
                Companheiro nas lutas e nas caçadas, inquietava-se porém o Rei vendo que seu amigo mais fiel jamais tirava o elmo. E mais ainda inquietava-se, ao sentir crescer dentro de si um sentimento novo, diferente de todos, devoção mais funda por aquele amigo do que um homem sente por um homem. Pois não podia saber que à noite, trancado o quarto, a princesa encostava seu escudo na parede, vestia o vestido de veludo vermelho, soltava os cabelos, e diante do seu reflexo no metal polido, suspirava longamente pensando nele.
                Muitos dias se passaram em que, tentando fugir do que sentia, o Rei evitava vê-la. E outros tantos em que, percebendo que isso não a afastava da sua lembrança, mandava chamá-la, para arrepender-se em seguida e pedia-lhe que se fosse.
                Por fim, como nada disso acalmasse seu tormento, ordenou que viesse ter com ele. E, em voz áspera, lhe disse que há muito tempo tolerava ter a seu lado um cavaleiro de rosto sempre encoberto. Mas que não podia mais confiar em alguém que se escondia atrás do ferro. Tirasse o elmo, mostrasse o rosto. Ou teria cinco dias para deixar o castelo.
                Sem resposta, ou gesto, a Princesa deixou o salão, refugiando-se no seu quarto. Nunca o Rei poderia amá-la, com sua barba ruiva. Nem mais a quereria como guerreiro, com seu corpo de mulher. Chorou todas as lágrimas que ainda tinha para chorar. Dobrada sobre si mesma, aos soluços, implorou ao seu corpo que lhe desse uma solução. Afinal, esgotada, adormeceu.
                E na noite seu mente ordenou, e no escuro seu corpo brotou. E ao acordar de manhã, com os olhos inchados de tanto chorar, a Princesa percebeu que algo estranho se passava. Não ousou levar as mãos ao rosto. Com medo, quanto medo! Aproximou-se do escudo polido, procurou seu reflexo. E com espanto, quanto espanto! Viu que, sim, a barba havia desaparecido. Mas em seu lugar, rubras como os cachos, rosas lhe rodeavam o
                Naquele dia não ousou sair do quarto, para não ser denunciada pelo perfume, tão intenso, que ela própria sentia-se embriagar de primavera. E perguntava-se de que adiantava ter trocado a barba por flores, quando, olhando no escudo com atenção, pareceu-lhe que algumas rosas perdiam o viço vermelho, fazendo-se mais escuras que o vinho. De fato, ao amanhecer, havia pétalas no seu travesseiro.
                Uma após a outra, as rosas murcharam, despetalando-se lentamente. Sem que nenhum botão viesse substituir as flores que se iam. Aos poucos, a rósea pele aparecia. Até que não houve mais flor alguma. Só um delicado rosto de mulher.

                Era chegado o quinto dia. A Princesa soltou os cabelos, trajou seu vestido cor de sangue. E, arrastando a cauda de veludo, desceu as escadarias que a levariam até o Rei, enquanto um perfume de rosas se espalhava no castelo.

Humor

                                 
                                                                                                                                     Amarildo in A Gazeta

domingo, 3 de abril de 2016

Artigo de Opinião - Argumentação

EMEF Profº Fernando Pantaleão

Língua Portuguesa - Artigo de Opinião  - Argumentação - 9ºs.  1º Bimestre 2016


Felicidade

                A felicidade é aquilo que todos buscam, adotando, porém, caminhos diversos para alcançá-la. Uns imaginam   encontrá-la através das riquezas, porque supõem que com dinheiro tudo se compra e que a felicidade é uma mercadoria como outra qualquer. A verdade, porém, é que há muitos ricos que morrem de tédio, e que as mais altas taxas de suicídio se registram nos países e nas camadas mais ricas. Outros, imaginam encontrar a felicidade na afluência de prazeres; desde os mais altos prazeres do espírito, o prazer da descoberta e da criação intelectual, o prazer estético, até os prazeres que mais de perto confiam com a animalidade: a sexualidade e a glutoneria. Outros, enfim, esperam alcançá-la na fruição da honra, do prestígio que acompanha, em geral, o exercício do poder. No entanto, é certo que o dado mais confirmado na experiência e da sabedoria humana é este: a felicidade, no seu sentido pleno, é inatingível na Terra. Na melhor das hipóteses, quando o homem, mediante os mais penosos esforços, conquistou o poder, os prazeres ou a riqueza, nos quais cria encontrar a chave da felicidade, atingiu já o início de um período de senescência que lhe limita as possibilidades subjetivas de fruição daquilo que ambicionara. Aí reside o que poderíamos chamar o paradoxo ou o equívoco fundamental da felicidade: sempre desejada e nunca realizável.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                 (Fernando Bastos de Ávila)

1)  Segundo o autor, quais são os três supostos caminhos que levariam o homem à felicidade?
2)  Qual a conclusão do autor a respeito da “felicidade”?
3)  Delimite o texto em introdução, desenvolvimento e conclusão; resumindo-o:
4)  Comente e opine sobre o trecho: “...com dinheiro tudo se compra e que felicidade é uma mercadoria como outra qualquer”:
5)  Você concorda com  tudo o que o autor afirma no texto? Se não, esclareça os pontos em que você discorda, justificando suas opiniões, claro!
6)  Pra você, o que é felicidade? Escreva um pequeno poema, em verso, respondendo a esta pergunta, com várias respostas;
7)  Você é feliz? Por quê?
................................................................................................................................................................................................................................

terça-feira, 29 de março de 2016

Atividade Gênero Relato

Língua Portuguesa -  Tipologia Relatar - Leitura e Análise de Textos - 7º Ano - 1º Bimestre / 2016

Leia atentamente os textos abaixo para responder ao que se pede. Estruture resposta completa.

GENTE É BICHO E BICHO É GENTE
Querido Diário, não tenho mais dúvida de que este mundo está virado ao avesso! Fui ontem à cidade com minha mãe e você não faz ideia do que eu vi. Uma coisa horrível, horripilante, escabrosa, assustadora, triste, estranha, diferente, desumana... E eu fiquei chateada.
Eu vi um homem, um ser humano, igual a nós, remexendo na lata de lixo. E sabe o que ele estava procurando? Ele buscava, no lixo, restos de alimento. Ele procurava comida!
Querido Diário, como pode isso? Alguém revirando uma lata cheia de coisas imundas e retirar dela algo para comer? Pois foi assim mesmo, do jeitinho que estou contando. Ele colocou num saco de plástico enorme um montão de comida que um restaurante havia jogado fora. Aarghh!!! Devia estar horrível!
Mas o homem parecia bastante satisfeito por ter encontrado aqueles restos. Na mesma hora, querido Diário, olhei assustadíssima para a mamãe. Ela compreendeu o meu assombro. Virei para ela e perguntei: “Mãe, aquele homem vai comer aquilo?” Mamãe fez um “sim” com a cabeça e, em seguida, continuou: “Viu, entende por que eu fico brava quando você reclama da comida?”.
É verdade! Muitas vezes, eu me recuso a comer chuchu, quiabo, abobrinha e moranga. E larguei no prato, duas vezes, um montão de repolho, que eu odeio! Puxa vida! Eu me senti muito envergonhada!
Vendo aquela cena, ainda me lembrei do Pó, nosso cachorro. Nem ele come uma comida igual àquela que o homem buscou do lixo. Engraçado, querido Diário, o nosso cão vive bem melhor do que aquele homem.
Tem alguma coisa errada nessa história, você não acha?
Como pode um ser humano comer comida do lixo e o meu cachorro comer comida limpinha? Como pode, querido Diário, bicho tratado como gente e gente vivendo como bicho? Naquela noite eu rezei, pedindo que Deus conserte logo este mundo. Ele nunca falha. E jamais deixa de atender os meus pedidos. Só assim, eu consegui adormecer um pouquinho mais feliz.
(OLIVEIRA, Pedro Antônio. Gente é bicho e bicho é gente. Diário da Tarde. Belo Horizonte, 16 out. 1999).

Exercícios

01. O texto lido é do gênero “Relato Pessoal”, do tipo “Diário”. Que marcas textuais comprovam essa afirmativa?

02. A narradora inicia seu relato afirmando não ter mais dúvida de que o mundo está “virado ao avesso”? Por que ela afirma isso?

03. O texto aborda uma problemática social muito específica. Indique tal problemática e justifique sua resposta.

04. Em certo trecho, a narradora se diz muito envergonhada? Do que ela se envergonha?

05. A narradora compara a vida de seu cachorro à vida do homem que buscava comida no lixo. A partir dessa comparação, pode-se afirmar que o autor do texto quer mostrar a vida humana, muitas vezes, sendo menos valorizada que a vida de um animal? Justifique seus comentários.

06. No final do relato, a narradora deposita sua confiança em um ser divino. Por que ela não deposita essa confiança em outro ser humano? Explique.

07. Em sua opinião, o que pode ser feito para diminuir o sofrimento de pessoas como o homem retratado no relato? Justifique.


Velho Canivete

Já ganhei vários presentes. [...]
Mas acho que, se alguém me forçasse a escolher o melhor presente que já recebi, eu ficaria mesmo com o canivete suíço que meu pai me deu 11 anos atrás. Não é um canivete qualquer: é daqueles gordos, com dezenas de ganchinhos, serrinhas, lâminas. Com caneta, pinça, lupa, tesoura, alicate. Ele ainda veio num estojo de couro, com lápis, pedra de amolar, band-aid, kit de costura, lixa. E um espelhinho acompanhado de um papel com o código morse – sim, para eu me comunicar refletindo a luz do sol em caso de naufrágio, ou terremoto, ou tsunami, sei lá.
O canivete já me salvou de várias [...]. Ele já passou por boas, e isso fica claro quando se mexe nele. As articulações já não são tão suaves, as molas endureceram, muitas peças estão tortas e não encaixam direito. A caneta sumiu, os band-aids suíços acabaram, as agulhas de costura estão com as pontas pretas de tanto serem colocados na chama para esterilizar antes de serem usadas para extrair espinhos. Apesar de ser de aço inox, há marcas de ferrugem por toda parte. Enfim, tudo nele dizia “está na hora de comprar um canivete novo”.
Pois é, hoje em dia existem canivetes espetaculares, até com recursos eletrônicos (lanternas, pen drives e sei lá mais o quê). Aí comecei a lembrar a origem daquelas marquinhas – e cada uma delas me transportou para um lugar diferente. Cada uma era prova de que aquele canivete viveu. De que ele abriu latas, serrou cabos de aço, lixou unhas quebradas, aparou minha barba, arrombou portas, consertou bicicletas, tapou buracos de botas, ajustou óculos. De que ele esteve em todos os cantos do mundo e tomou banho de mar, de óleo de peixe em conserva, de molho de tomate, de vinho vagabundo. E me lembrei de quando ganhei o canivete de presente: eu estava de saída para a minha primeira longa temporada fora de casa – nove meses na estrada de mochila nas costas – e, como meu pai não podia ir comigo, aquele foi o melhor jeito que ele teve de me dizer “quer uma força?”
Fui buscar uma escova de dentes velha e uma lata de querosene e comecei a limpar as entranhas dele. Foram umas duas horas de trabalho, esfregando, desentortando, enxugando. Não dá para dizer que o canivete ficou novo – as marcas continuam lá, e vão continuar sempre. Mas acho que ele está pronto para a próxima.
(Denis Russo Burgierman. Vida Simples, nº56. Editora Abril.)

Exercícios

1. Nesse texto, o autor relata fatos que viveu, depois de ter ganhado um canivete de presente do pai.
a) Qual foi o motivo do presente?

b) Na sua opinião, as marcas no canivete são também marcas que estão no autor? Por quê?
c) Que sentido tem o trecho “[as marcas] vão continuar sempre”?

2. Nos relatos é comum o emprego da descrição, usada para caracterizar as pessoas, os lugares, os objetos, etc. Pela descrição feita no relato, como estava o canivete antes de o narrador limpá-lo?

3. Os fatos relatados pelo narrador são inventados por ele ou são recordações de experiência vivida? Que trecho do 4º parágrafo comprova sua resposta?

4. Releia os seguintes trechos do relato e observe as palavras destacadas: “Já ganhei vários presentes” “eu ficaria mesmo com o canivete suíço que meu pai me deu 11 anos atrás” “cada uma delas me transportou para um lugar diferente”
Isabella Siqueira – Equipe PIP/CBC Língua Portuguesa SRE Curvelo

a) Os pronomes destacados (negrito) referem-se a que pessoa do discurso?

b) Em que tempo estão as formas verbais destacadas (itálico)?

c) O autor participa da história como observador ou como protagonista?

5. No relato, normalmente se emprega a variedade padrão da língua, que pode ser formal ou informal, dependendo de quem é o narrador-protagonista e/ou seu ouvinte ou leitor.
a) No relato em estudo, que variedade linguística foi empregada?

b) O autor faz uso de certa informalidade em seu relato?

6. Levante hipóteses: a que tipo de público esse relato pessoal se destina?

7. Qual é o suporte desse gênero textual, isto é, como ele é veiculado para atingir o público a que se destina?


8. Por que a frase: “quer uma força?” (linha 22) está entre aspas?