sábado, 3 de setembro de 2016

Gênero Crônica

EE Profª Margarida Maia de Almeida Vieira

Língua Portuguesa - Gênero Textual Crônica - 3º Bimestre/ 2016 - 7º Ano

O PAVÃO
Rubem Braga

         Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
         Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.
         Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

Rio, novembro, 1958 BRAGA, Rubem. "Ai de ti, Copacabana", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960.

ESTUDO DO TEXTO

1- O que o cronista toma, como ponto de partida, para a sua crônica?

2- O cronista cria uma metáfora para pavão. Destaque do texto essa metáfora.

3- Qual é o grande mistério do grande artista?

4- O amor surge, no fim da crônica, como tema. A luz do olhar da pessoa amada lançada sobre o cronista tem uma consequência. Aponte essa consequência e comprove   sua resposta , citando trecho do texto.

Diferenças entre linguagem denotativa e linguagem conotativa

LINGUAGEM DENOTATIVA LINGUAGEM CONOTATIVA

Significado objetivo ou literal.    
                             
Ex.: “... descobri que aquelas cores todas não    existem na pena do pavão.”

. Significado subjetivo ou figurado.

Ex.: “... um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial.”

5- Diga se a expressão em destaque está no sentido denotativo ou conotativo. Justifique sua resposta.

a) “O pavão é um arco-íris de plumas”
b) “... e descobri que aquelas cores todas não existem...”


Vamos a mais uma crônica. Nela, a cronista Martha Medeiros anuncia como será o novo mundo para um bebê que acabou de nascer. O que você tem a acrescentar?

CARTA AO RAFAEL

Rafael, teu irmão nasceu cerca de quatro anos atrás, no finalzinho do mês de julho. Na época eu aproveitei que logo em seguida seria Dia dos Pais e escrevi uma carta pública ao João Pedro, aqui nesse
mesmo jornal, homenageando não só o teu, mas o meu irmão também – teu pai. Agora você, meu segundo sobrinho, nasce colado ao dia das mães, e imagina se vou te privar de recepção semelhante.
Bem-vindo, Rafa. O mundo é legal, desde que a gente saiba lidar com suas contradições. Tem muita beleza e miséria, dias de sol e temporal, pessoas que dizem sim e que dizem não, e muitos gremistas e colorados infiltrados dentro da tua família. Mesmo assim, não pense que você vai ter opção. Não se deixe enganar pelas roupinhas azuis, essa não será sua cor preferida.
Desde que você saiu da barriga, está escutando votos de saúde e felicidade (mesmo que, por enquanto, tudo não passe de um barulho incompreensível e que você já esteja com saudade do silêncio uterino). Pois saiba que são votos clichês, mas os clichês são sábios: saúde e felicidade é tudo o que você precisa nessa vida. Só que tem que dar uma mãozinha.
Então, pratique esportes, se alimente bem e não fume: a saúde já estará 50% garantida, o resto é sorte. Quanto à felicidade, o jeito é tentar fazer boas escolhas. Como fazê-las? Ninguém sabe ao certo, mas ser íntegro e não se deixar levar por vaidades e preconceitos promove uma certa paz de espírito. Ser feliz não é muito difícil, basta não ficar obcecado com esse assunto e tratar de viver. Quem pensa demais, não vive.
Não brigue muito com seu irmão, ele será seu melhor amigo, mesmo que você não acredite nisso quando ele não quiser emprestar alguns brinquedos – o carro dele, por exemplo.
Você vai ser louco, apaixonado, babão por sua mãe. É natural. Mas não deixe que suas namoradas percebam.[...]
Uma vida sem arte é uma vida árida, sem transcendência, um convite à mediocridade. Então desfrute de muita música e cinema, e quando suas garotas tentarem lhe arrastar para um teatro, vá sem reclamar, há 30% de chance de você gostar. Importante: se alguém disser que ler é chato, mande se entender comigo.

Tédio é para os sem inspiração. O mundo oferece estradas, [...], ondas, montanhas, campeonatos, vestibulares, desafios, churrascos, festivais, feriadões, roubadas, gargalhadas, madrugadas e declarações de amor.
É assim mesmo, tudo misturado e barulhento. A saudade do silêncio uterino vai lhe surpreender muitas outras vezes. Busque esse silêncio dentro de você.
Então é isso, Rafa, seja corajoso e grato: nascer é um privilégio concedido a poucos, ainda que sejamos bilhões. Não desperdice a chance e esteja consciente de duas coisas: que sem alegria nada vale a pena, e que Rafa é um apelido do qual você não escapa.
                                                                                                                                
                                                                                                            10 de maio de 2009

A crônica é quase sempre um texto de extensão curta, com poucos personagens. Está sempre ligada à vida cotidiana. Usa o fato como meio ou pretexto para o autor exercer seu estilo e criatividade. Diz coisas sérias por meio de uma aparente conversa fiada. Às vezes, apresenta brevidade nas ações e no tempo.

1- Clichês são expressões usadas de modo comum, repetidamente.

Destaque, do texto, a opinião da cronista sobre os clichês.

2- O que é preciso, de acordo com o texto, para se ter:

SAÚDE :

FELICIDADE:

3- O que se pode perceber quando a cronista diz “...se alguém disser que ler é chato, mande se entender comigo.”

4- No trecho “Então, pratique esportes, se alimente bem e não fume: a saúde já estará 50% garantida, o resto é sorte. Quanto à  felicidade, o jeito é tentar fazer boas escolhas. Como fazê-las? ...” A que termo se refere a palavra em destaque?

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