segunda-feira, 10 de julho de 2017

Análise textual

                                              Leitura e  Análise Textual - 7º Ano
                      
                                                   Sete anos e mais sete


        Era uma vez um rei que tinha uma filha. Não tinha duas, tinha uma, e como só tinha essa gostava dela mais do que de qualquer outra.
        A princesa também gostava muito do pai, mais do que de qualquer outro, até o dia em que chegou o príncipe. Aí ela gostou do príncipe mais do que de qualquer outro.
        O pai, que não tinha outra para gostar, achou logo que o príncipe não servia. Mandou investigar e descobriu que o rapaz não tinha acabado os estudos, não tinha posição, e o reino dele era pobre. Era bonzinho, disseram, mas enfim, não era nenhum marido ideal para uma filha de quem o pai gosta mais do que de qualquer outra.
        O rei então chamou a fada, madrinha da princesa. Pensaram, pensaram , e chegaram à conclusão de que o jeito melhor era botar a moça para dormir. Quem sabe, no sonho sonhava com outro e se esquecia dele.
        Dito e feito, deram uma bebida mágica para a jovem, que adormeceu na hora sem nem dizer boa noite.
        Deitaram a moça numa cama enorme, num quarto enorme, dentro de outro quarto enorme, onde se chegava por um corredor enorme. Sete portas enormes escondiam a entrada pequena do enorme corredor. Cavaram sete fossos ao redor do castelo. Plantaram sete trepadeiras nos sete cantos do castelo. E puseram sete guardas.
        O príncipe, ao saber que sua bela dormia por obra de magia, e que pensavam assim afastá-la dele, não teve dúvidas. Mandou construir um castelo com sete fossos e sete plantas. Deitou-se numa cama enorme, num quarto enorme, onde se chegava por um corredor enorme disfarçado por sete enormes portas e começou a dormir.
        Sete anos se passaram e mais sete. As plantas cresceram ao redor.Os guardas desapareceram debaixo das plantas. As aranhas teceram cortinados de prata ao redor das camas, nas salas enormes, nos enormes corredores. E os príncipes dormiam nos seus casulos.
        Mas o príncipe não sonhou com ninguém a não ser com a princesa. De manhã sonhava que via seus cabelos na janela, e que tocava alaúde para ela. De tarde sonhava que sentavam na varanda, e que ela bordava enquanto ele brincava com os cães e com o falcão. E de noite sonhava que a Lua ia alta e que as aranhas teciam.
        Até o dia em que ambos sonharam que era chegada a hora de casar, e sonharam um casamento cheio de festa e de música e de danças. E sonharam que tiveram muitos filhos e que foram muito felizes para o resto da vida.

                                       COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul.São Paulo: Global, 1999.



Trabalhando o texto


1- Depois de ter lido o texto Sete anos e mais sete, percebemos um certo estranhamento já no primeiro parágrafo. Qual seria ele?

2- Em que outro trecho do texto percebe-se ainda esse estranhamento?

3- O que causa o conflito da história?

4- Por que o pai achava que o príncipe não servia para casar com sua filha?

5- O que as investigações do pai revelaram a respeito do príncipe?

6- Qual foi a solução encontrada para não haver casamento?

7- Que elementos do texto mostram implicitamente a passagem do tempo?

8- Observe a descrição do local onde a princesa foi trancada e de onde o príncipe se trancou. Que  efeito de sentido essas descrições produzem?

9- Esse conto possui elementos dos contos de fadas tradicionais. Cite alguns.

10- Compare, agora, o final desse conto ao dos contos de fadas tradicionais.

O príncipe e a princesa “ viveram felizes para sempre”? Justifique.

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